Milena caminhava devagar pelo centro da cidade, empurrando no carrinho Leon e Dominic, enquanto Lívia caminhava ao seu lado com Mason e Vallentina. Os bebês dormiam, tranquilos, com os rostos serenos.
Elas pararam perto de um banco de madeira, numa praça onde tinha várias crianças brincando.
Milena sorriu.por um segundo, mas logo a tristeza invadiu seus olhosnovamente. Mesmo que tentasse, não conseguia esquecer tudo que Kethelyn disse.
Ela precisava daquele momento de paz, distante do caos que a perseguia. Os últimos dias tinham sido pesados demais para aguentar sem falar nada.
Milena olhou para os filhos e passou a mão com carinho pelo cobertor de um deles.
— Hoje vamos fazer uma pequena surpresa para o papai. É o aniversário dele. — sussurrou.
— O que pensa em fazer? O senhor Olavo disse que Marcelo não comemora aniversários. Lembra o ano passado que ele viajou so para não comemorar. Será que aconteceu alguma séria no aniversário dele?
— Eu entendo ele...— Murmurou com a garganta fechando.— Ele faz isso para manter a lembrança da senhora De Valliérie viva.
O último aniversário de Marcelo foi quando ele tinha 13 anos. Meses antes da vida dele se tornar um completo pesadelo. A mãe dele não deixava passar um aniversário sem comemorar, sempre rodeado de pessoas que o amava, principalmente o pai. É uma das lembranças mais feliz da sua infância.
Enquanto lembrava das fotos que ele mostrou, de trás delas o som de passos arrastando pela grama fez Milena virar a cabeça. Ao ver quem era, ela sentiu o estômago revirar. O corpo inteiro ficou tenso.
— Sabrina!— falou levantando abruptamente.
O rosto da mulher que ela passou a odiar com todas suas forças estava sereno, quase simpático. Mas em seu olhar dava para se ver a frieza e a maldade.
Lívia estreitou os olhos, colocou a mão na cintura onde sua arma estava, olhou para os seguranças que já estavam em alerta e parou os olhos nas várias pessoas com crianças que brincavam.
— Amiga, quem é essa mulher?— perguntou tentando encontrar os olhos de Milena, mas não teve sucesso.
Quando Lívia abriu a boca para perguntar novamente, Sabrina falou.
— Filha. — disse, parando ao lado do carrinho. — Pela forma que me olha, parece já sabe quem eu sou. Então cuidado em como vai reagir a partir de agora. Você não vai querer ver meus netinhos machucados, vai?
Milena apertou o guidão do carrinho com mais força, ficou em frente do carrinho, como se aquilo pudesse protegê-los.
— O que quer?— perguntou seca.
Sabrina ignorou o tom de voz. Se inclinou novamente para olhar os bebês.
— Eles são lindos, parecidos com o pai. Principalmente esses dois meninos.
Milena sentiu um arrepio percorrer seu corpo inteiro.
Sabrina viu o medo nos olhos dela e sorriu cruzando os braços.
— Fica calma, filha. Eu vim conversar com você.
— Não tenho nada para falar com um demônio igual você.
— Você sabe que temos sim. — A voz dela continuava suave. — Você sabe que está insistindo em algo que já deveria ter desistido.
Milena respirou fundo, tentando manter a calma.
— Eu não sei qual é o seu jogo, mas já vou logo te avisando. Você nunca vai me afastar do Marcelo. Eu o amo e sei que ele também me ama. Então, nada que faça vai mudar isso.
Sabrina soltou um sorriso pequeno, quase piedoso.
— Amor… — repetiu, como se fosse uma palavra curiosa. — Você realmente acredita nisso?
Milena sentiu o peito apertar.
— Acredito.
Sabrina deu alguns passos pelo jardim, olhando ao redor como se admirasse o lugar.
— Sabe… quando você nasceu, eu imaginei muitas coisas para o seu futuro. — disse. — Mas nunca imaginei que você se tornaria objeto de vingança.
Milena sentiu o coração acelerar.
— Eu sinto nojo só de ouvir a sua voz. Se não tem nada para falar, por favor, nunca mais me procure.

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