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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 9

Milena parou diante da porta da sala por alguns segundos antes de entrar.

O corredor ainda estava cheio, vozes misturadas, risos soltos, passos apressados. Mas ali, diante daquela porta, o ar parecia pesado demais para ignorar.

A porta estava aberta e havia poucos alunos na sala. O silêncio não foi imediato. Conversas diminuíram de tom. Algumas cessaram de vez. Outras continuaram, propositalmente baixas.

Milena entrou sentindo o corpo inteiro reagir antes da mente. Ombros rígidos. Passos curtos. O impulso quase automático de abaixar o olhar.

Ela caminhou até uma das primeiras cadeiras, perto da parede. Não queria passar pelo meio da sala mas era inevitável. Sentou. O som da cadeira arrastando pareceu alto demais.

Abriu o caderno. Pegou a caneta. As mãos tremiam, então apoiou o pulso na mesa, tentando fingir normalidade.

— Você viu o que mandaram no grupo da sala?— perguntou uma garota sussurrando olhando em direção de Milena.

— Fiquei em choque também.— o garoto respondeu baixo.— Mas pra falar a verdade, não acredito que seja como estão dizendo. É da Milena que estamos falando. O caráter dela é impecável. Tem mais coisa por trás dessa história.

Milena ouviu e sentiu os olhos arderem em lágrimas, tentou focar nas linhas do caderno, mas as palavras não faziam sentido. As vozes vinham fragmentadas, mas se juntavam dentro da cabeça como um coro cruel.

Sentia os olhares como pequenas agulhas. Alguns descarados. Outros disfarçados demais para enganá-la.

A porta se abriu novamente. O professor entrou.

— Bom dia, turma.

As respostas foram mecânicas. A aula começou, mas Milena mal conseguia acompanhar. O coração batia rápido, como se estivesse correndo sem sair do lugar.

Quando o professor iniciou a chamada, ela sentiu o estômago se contrair.

— Milena Carlson.

Ela levantou a mão, sem coragem de erguer o rosto. O professor olhou para ela mais tempo do que o normal.

— Está se adaptando bem ao semestre? — perguntou, num tom excessivamente cuidadoso.

Algumas risadinhas surgiram no fundo da sala.

— Sim. — respondeu, seca.

— Qualquer dificuldade, me procure depois da aula.

O comentário pairou no ar como um aviso. Não soou como apoio. Soou como destaque.

— Agora ela tem tratamento especial.— sussurrou a amiga de Sara.

— Claro. Dormindo com o dono da universidade, até eu teria.

Milena sentiu o rosto queimar. Tentou respirar fundo.

A explicação continuou, mas parecia distante. Quando o professor fazia perguntas, olhava na direção dela. Não a chamava, mas observava, como se quisesse ter certeza de que ela estava entendendo.

Quando outro professor entrou, a dinâmica se repetiu. Atenção demais. Perguntas gentis demais. Sorrisos que não existiam antes.

O intervalo finalmente chegou e Milena foi uma das primeiras a sair. Não avisou ninguém. Não olhou para trás.

O corredor estava cheio demais. O barulho pareceu amplificado, causando um aperto no peito. Ela andou rápido, desviando de grupos, de risadas, de vozes que poderiam carregar seu nome.

Entrou no banheiro feminino e foi direto para uma das cabines. Fechou a porta. Assim que o trinco fez o clique metálico, ela desabou.

Encostou a testa na parede fria e deixou as lágrimas caírem sem tentar segurar. O choro veio contido, silencioso, mas intenso. O corpo tremia, como se estivesse tentando expulsar tudo o que tinha se acumulado desde que assinou o contrato.

Levou a mão ao peito, sentindo a respiração curta demais.

— Eu não sou isso... — murmurou para si mesma, como se pudesse negar a realidade.

Passou alguns minutos ali. Lavou o rosto. Secou com papel. Olhou o reflexo no espelho.

Os olhos vermelhos a encaravam de volta.

— Aguenta firme... — sussurrou.

Cap 09. Exposta diante de todos. 1

Cap 09. Exposta diante de todos. 2

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