Milena ficou parada, sem conseguir se mover. O corpo inteiro tremia. O ar parecia pesado demais para respirar.
Lívia tocou seu ombro e fez ela sair do transe.
— Essa mulher é a sua mãe? Que vídeos você mencionou? Por que ela quer que você se afaste do Marcelo?
Lívia falou tudo de uma vez, sem nem respirar.
Milena a olhou e balançou a cabeça devagar.
— Essa mulher é tudo de ruim que existe na Terra… Amiga, ela quer machucar o Marcelo…
Milena tirou o celular da bolsa com as mãos trêmulas e discou o número de Marcelo. O telefone chamou e somente no quarto toque ele atendeu.
— Oi, meu amor. Desculpa a demora, estou em reunião.
Só de ouvir a voz dele, as lágrimas escorreram pelo rosto de Milena.
— Oi… não tem problema.
— Está tudo bem?
Ela hesitou.
— Está… eu só queria ouvir sua voz.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não… só saudade.
A voz dele suavizou.
— Eu também estou com saudade. Daqui a pouco estou em casa.
— Falta muito para terminar?
— Um pouco. Estou resolvendo umas coisas aqui na universidade.
Milena sentiu o peito apertar.
— Você está bem?
— Estou, sim. Por quê?
— Nada...
Houve um pequeno silêncio.
— Milena… tem certeza que está tudo bem?
— Tenho.
Houve alguns segundos em silêncio, como se nenhum dos dois quisesse desligar.
— Me espera. Tenho uma surpresa para você.
— Hum… fiquei curiosa.
Do outro lado da linha, ele sorriu, arrancando alguns murmúrios curiosos dos professores na sala.
A ligação foi encerrada e Milena ficou olhando para o celular, com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Lívia a abraçou enquanto Milena contava tudo que estava acontecendo. Elas sentaram, Lívia assistiu o vídeo horrorizada.
— Eu... nunca imaginei ver tamanha crueldade. Essa maldita precisa pagar pelo que fez.
— Eu sei...
Mais tarde. O escritório da universidade estava silencioso naquela hora da noite. A maioria dos professores já tinha ido embora, e o corredor do último andar parecia vazio demais para um dia de semana.
Marcelo estava sentado atrás da mesa, com o olhar fixo na pequena caixa de veludo escuro que girava lentamente entre seus dedos. Ele a abria e fechava. Dentro, o anel de diamante brilhava sob a luz fria do abajur.
Um pequeno suspiro escapou de seus lábios. Ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando os fios, e apoiou os cotovelos sobre a mesa.
A porta se abriu sem cerimônia.
— Ainda aqui? — a voz de Alan ecoou pelo ambiente.
Marcelo ergueu o olhar, mas não respondeu, continuou encarando o anel.
Alan franziu a testa e se aproximou.
— O que é isso?
Marcelo fechou a caixa devagar, mas não rápido o suficiente.
Os olhos de Alan se arregalaram.
— Você vai pedir Milena em casamento?
Marcelo soltou um meio sorriso.
— Sim.
Alan puxou a cadeira em frente à mesa e se sentou, passou a mão pelo rosto, soltando um suspiro longo.
— Você tem certeza disso?

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