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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 91

Milena ficou parada, sem conseguir se mover. O corpo inteiro tremia. O ar parecia pesado demais para respirar.

Lívia tocou seu ombro e fez ela sair do transe.

— Essa mulher é a sua mãe? Que vídeos você mencionou? Por que ela quer que você se afaste do Marcelo?

Lívia falou tudo de uma vez, sem nem respirar.

Milena a olhou e balançou a cabeça devagar.

— Essa mulher é tudo de ruim que existe na Terra… Amiga, ela quer machucar o Marcelo…

Milena tirou o celular da bolsa com as mãos trêmulas e discou o número de Marcelo. O telefone chamou e somente no quarto toque ele atendeu.

— Oi, meu amor. Desculpa a demora, estou em reunião.

Só de ouvir a voz dele, as lágrimas escorreram pelo rosto de Milena.

— Oi… não tem problema.

— Está tudo bem?

Ela hesitou.

— Está… eu só queria ouvir sua voz.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não… só saudade.

A voz dele suavizou.

— Eu também estou com saudade. Daqui a pouco estou em casa.

— Falta muito para terminar?

— Um pouco. Estou resolvendo umas coisas aqui na universidade.

Milena sentiu o peito apertar.

— Você está bem?

— Estou, sim. Por quê?

— Nada...

Houve um pequeno silêncio.

— Milena… tem certeza que está tudo bem?

— Tenho.

Houve alguns segundos em silêncio, como se nenhum dos dois quisesse desligar.

— Me espera. Tenho uma surpresa para você.

— Hum… fiquei curiosa.

Do outro lado da linha, ele sorriu, arrancando alguns murmúrios curiosos dos professores na sala.

A ligação foi encerrada e Milena ficou olhando para o celular, com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Lívia a abraçou enquanto Milena contava tudo que estava acontecendo. Elas sentaram, Lívia assistiu o vídeo horrorizada.

— Eu... nunca imaginei ver tamanha crueldade. Essa maldita precisa pagar pelo que fez.

— Eu sei...

Mais tarde. O escritório da universidade estava silencioso naquela hora da noite. A maioria dos professores já tinha ido embora, e o corredor do último andar parecia vazio demais para um dia de semana.

Marcelo estava sentado atrás da mesa, com o olhar fixo na pequena caixa de veludo escuro que girava lentamente entre seus dedos. Ele a abria e fechava. Dentro, o anel de diamante brilhava sob a luz fria do abajur.

Um pequeno suspiro escapou de seus lábios. Ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando os fios, e apoiou os cotovelos sobre a mesa.

A porta se abriu sem cerimônia.

— Ainda aqui? — a voz de Alan ecoou pelo ambiente.

Marcelo ergueu o olhar, mas não respondeu, continuou encarando o anel.

Alan franziu a testa e se aproximou.

— O que é isso?

Marcelo fechou a caixa devagar, mas não rápido o suficiente.

Os olhos de Alan se arregalaram.

— Você vai pedir Milena em casamento?

Marcelo soltou um meio sorriso.

— Sim.

Alan puxou a cadeira em frente à mesa e se sentou, passou a mão pelo rosto, soltando um suspiro longo.

— Você tem certeza disso?

— Você não acha que a Milena merece saber a verdade?

Marcelo fechou os olhos por um instante. Aquela pergunta parecia pesar mais do que todas as outras.

— Ela já passou por coisa demais. — murmurou. — Não precisa carregar isso também.

— Mas é o seu passado. A sua dor. E ela te ama, não acho justo esconder isso dela.

Marcelo abriu os olhos e olhou para o amigo.

— Justamente por isso.

Alan franziu a testa.

— O que você quer dizer?

Marcelo voltou para a mesa e pegou a caixinha outra vez. Passou o polegar sobre o veludo, pensativo.

— A Milena me ama pelo homem que eu sou hoje. Pelo pai dos filhos dela. Pelo homem que construiu uma família com ela. Não pelo menino quebrado que eu fui.

O silêncio voltou a dominar o escritório.

— E se ela descobrir por outra pessoa? — insistiu Alan.

Marcelo apertou a mandíbula.

— Ela não vai descobrir.

— Você não pode ter certeza disso.

Marcelo demorou alguns segundos para responder. Quando falou, a voz saiu mais baixa.

— Eu sei.

Alan cruzou os braços.

— Então por que não contar você mesmo?

Marcelo ficou olhando para o anel dentro da caixa. O brilho da pedra refletia nos olhos dele.

— Porque… — ele começou, mas a voz falhou, engoliu em seco e tentou de novo. — Porque eu tenho medo de olhar nos olhos dela depois de contar tudo… e ver que aquele amor sumiu.

A garganta dele se contraiu.

— Medo de ver no rosto dela o mesmo nojo… o mesmo horror e pena que eu vi nos olhos de todo mundo que soube.— Ele apertou a caixa com força.— Tenho medo de que ela vá embora. E eu não vou suportar viver sem ela.

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