O celular de Milena vibrou outra vez em cima do volante. Ela ainda estava parada no acostamento, tentando recuperar o ar, quando a nova mensagem apareceu na tela. Era de um endereço. Abaixo, apenas uma frase:
“Se quer ver seu pai vivo, venha sozinha.”
O coração dela disparou outra vez. As mãos voltaram a tremer. Ela não pensou em polícia. Não pensou em Marcelo. Não pensou em mais nada. Só no pai.
Milena ligou o carro e voltou para a estrada. O trajeto parecia interminável. Cada semáforo vermelho era um tormento. Cada carro lento na frente parecia um obstáculo impossível.
— Aguenta só mais um pouco, pai, por favor l… — sussurrou, com a visão embaçada pelas lágrimas.
O endereço levava para uma área afastada da cidade. Galpões antigos, ruas vazias, pouco movimento. O tipo de lugar onde quase ninguém tinha acesso.
Ela estacionou o carro de qualquer jeito, sem nem desligar o motor direito. O galpão à frente tinha a porta de metal semiaberta. Milena caminhou até lá com passos rápidos. As pernas estavam fracas, mas ela continuou.
Empurrou a porta com dificuldade. O interior era escuro, iluminado apenas por uma lâmpada fraca no teto. O cheiro de ferrugem e poeira era forte. No centro do espaço,, o pai.
— Pai… — a voz dela saiu falhando.
Álvaro estava lutando para se manter acordado, o rosto machucado, os lábios cortados. Quando ouviu a voz dela, tentou erguer a cabeça. Os olhos marejados encontraram os dela.
Milena correu até ele.
— Pai… meu Deus… o que esse monstro fez com o senhor?
Ela se ajoelhou na frente dele e o abraçou com cuidado. Álvaro tentou falar, mas a voz não saía. Apenas um som rouco escapou da garganta.
— Não tenta falar… eu estou aqui… eu vou tirar você daqui.
Ela começou a tentar desamarrar as cordas, mas uma risada fria ecoou pelo galpão.
Milena congelou.
— Que cena emocionante. — a voz de Sabrina surgiu atrás dela.
Milena se virou imediatamente. Sabrina estava alguns passos atrás. Dois homens grandes estavam ao lado dela.
O sangue de Milena ferveu. Ela se levantou de uma vez e partiu para cima de Sabrina.
— Sua desgraçada!
Mas não chegou nem perto. Os dois capangas seguraram os braços dela com força, impedindo qualquer movimento.
— Me solta! Me solta! — ela gritava, se debatendo.
Sabrina apenas observava, com um sorriso calmo.
— Quantas pessoas mais precisarão se machucar para você entender que não tem outra saída a não ser me obedecer?
Milena parou de se debater quando viu o pai tentando se mexer na cadeira, desesperado.
— Por favor… deixa ele ir… — a voz dela saiu baixa, quebrada.— Ele está doente...
Sabrina cruzou os braços.
— Marcelo não pode proteger você aqui. Nem você… nem aquelas crianças.
Milena sentiu o chão desaparecer sob seus pés.
— Não… não ameace meus filhos…

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