Sabrina manteve o sorriso no rosto por alguns segundos. Os capangas soltaram Milena. Um deles se aproximou de Álvaro e começou a desamarrar as cordas sem cuidado. Assim que terminou, se afastou. Sabrina ajeitou a bolsa no ombro.
— Lembre-se da sua promessa... — disse Milena, com a voz falhando.
Sabrina caminhou em direção à saída.
— Eu sempre cumpro o que prometo. Espero que cumpra a sua.— finalizou saindo sem olhar para trás.
O barulho da porta ecoou pelo galpão. Milena rapidamente correu até o pai.
— Pai… eu estou aqui. Acabou.
Álvaro estava fraco. O corpo tombava para o lado. Quando Milena tentou ajudá-lo a levantar, ele não conseguia sustentar as próprias pernas.
— Pai… eu preciso que me ajude...
Ele tentou. As pernas cederam imediatamente.
— Eu… não consigo… — a voz saiu baixa, arrastada.
Milena sentiu o desespero voltar.
— Calma. Eu vou dar um jeito.
Ela passou o braço dele pelo próprio ombro e tentou erguer o corpo dele com esforço. Álvaro era pesado. E ela estava nervosa, com os músculos tensos. Cada passo era difícil.
— Só mais um pouco… o carro está logo ali.
Eles caminharam devagar até a saída. Milena quase caiu duas vezes tentando sustentar o peso do pai. Quando finalmente chegaram ao carro, ela abriu a porta traseira e, com muito esforço, conseguiu acomodá-lo no banco.
Ela entrou pelo outro lado, fechou a porta e respirou fundo. As mãos ainda tremiam. O rosto de Álvaro estava sujo de sangue. O corte na testa sangrava, mas não parecia profundo.
— Vou cuidar disso agora.
Ela pegou a bolsa que sempre deixava no carro. Dentro havia um pequeno kit de primeiros socorros. Rasgou uma gaze, limpou o sangue com cuidado.
Álvaro fez uma leve careta de dor, mas aguentou calado.
— Desculpa, pai… — ela murmurou.
O corte era superficial, apesar do sangue. Ela pressionou a gaze, estancando o sangramento, depois colocou um curativo firme.
— Pronto. Não é grave, o senhor vai precisar ser forte até a gente chegar onde precisamos ir.
Ele respirava com dificuldade.
— Milena… — chamou, quase sem voz.
— Não fala muito agora.
— Não… deixa… o Marcelo…
Ela fechou os olhos por um segundo.
— Pai…
— Ele… te ama… — insistiu ele.
As lágrimas voltaram.
— Eu sei... e é por isso que eu preciso ir.— Ela segurou o rosto dele com cuidado.— Esse inferno só vai acabar quando eu partir.
Álvaro balançou a cabeça de leve.
— Não… é isso que ela quer…
— Chega... pai. E é o que eu vou fazer.— A voz dela estava firme apesar da dor.— Eu não vou colocar você, meus filhos e ele em risco por causa de um amor, por mais grande que seja.
Álvaro tentou segurar a mão dela.
— Você vai… se arrepender…
Ela engoliu em seco.
— Eu prefiro me arrepender do que enterrar alguém que eu amo.
O silêncio tomou conta do carro por alguns segundos. Álvaro tentou manter os olhos abertos, mas o cansaço venceu. A respiração ficou mais lenta. A cabeça tombou levemente para o lado.


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