Milena olhou para a amiga.
— Eu preciso que você cuide do Marcelo até essa mulher desaparecer.
— Do Marcelo? — Lívia perguntou, confusa.
— Sim...
Lívia deu um passo para trás.
— Não. Você não vai ha lugar nenhum sem mim.
— Lívia…
— Não! — ela insistiu. — Você acha que eu vou deixar você ir embora sozinha?
Milena sentiu as lágrimas caírem outra vez.
— Eu não estou pedindo para você entender. Só preciso que me ajude.
Lívia respirou fundo, tentando se controlar.
— Para onde você vai?
— Ainda não sei. Só sei que preciso sair da cidade.
— Isso é loucura.
— Talvez seja. Mas é a única forma de proteger quem eu amo.
Lívia ficou alguns segundos em silêncio, olhando para ela.
Depois falou com firmeza:
— Então vamos.
Milena piscou, surpresa.
— Lívia…
— Você não vai passar por isso sozinha. Se você for, eu vou junto.
— Não pode ser assim.
— Pode, sim. Nós somos uma família.
Milena sentiu o coração apertar ainda mais.
— Eu não quero que você perca tudo por minha causa. O Alan... nunca vai entender você deixar ele.
— Eu amo o Alan... mas estou escolhendo você. Você vai precisar de mim... não me peça para eu ficar.
Milena respirou fundo e concordou com a cabeça, ajeitou as crianças, esperou Lívia sentar. Enquanto dirigia as mãos estavam trêmulas no volante, mas a mente começava a focar em uma única coisa.
Ela não podia simplesmente desaparecer sem fazer nada. Se fosse embora Sabrina continuaria livre para voltar quando quisesse. Poderia mentir, manipular, destruir a vida de Marcelo de qualquer outro jeito.
Milena olhou para o retrovisor e viu os filhos dormindo. O carro era uma SUV de oito lugares, grande e espaçosa, as crianças estavam confortáveis nas cadeirinhas de segurança enquanto Lívia observava eles.
Ela precisava garantir que Sabrina não pudesse encostar em Marcelo. Os olhos dela foram até o seu celular no banco ao lado. Ali estavam os vídeos dos abusos. As ameaças. As mensagens. Tudo o que Sabrina havia feito.
Milena apertou o volante com mais força.
— Eu não posso deixar que essa mulher escape… — murmurou.
Foi então que lembrou das palavras de Lívia. Um policial conhecido, alguém de sua confiança. Talvez aquela fosse a única coisa que ainda podia fazer por Marcelo.
Sem dizer nada, ela mudou o trajeto. O carro seguiu direto para a delegacia.

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