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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 97

Milena olhou para a amiga.

— Eu preciso que você cuide do Marcelo até essa mulher desaparecer.

— Do Marcelo? — Lívia perguntou, confusa.

— Sim...

Lívia deu um passo para trás.

— Não. Você não vai ha lugar nenhum sem mim.

— Lívia…

— Não! — ela insistiu. — Você acha que eu vou deixar você ir embora sozinha?

Milena sentiu as lágrimas caírem outra vez.

— Eu não estou pedindo para você entender. Só preciso que me ajude.

Lívia respirou fundo, tentando se controlar.

— Para onde você vai?

— Ainda não sei. Só sei que preciso sair da cidade.

— Isso é loucura.

— Talvez seja. Mas é a única forma de proteger quem eu amo.

Lívia ficou alguns segundos em silêncio, olhando para ela.

Depois falou com firmeza:

— Então vamos.

Milena piscou, surpresa.

— Lívia…

— Você não vai passar por isso sozinha. Se você for, eu vou junto.

— Não pode ser assim.

— Pode, sim. Nós somos uma família.

Milena sentiu o coração apertar ainda mais.

— Eu não quero que você perca tudo por minha causa. O Alan... nunca vai entender você deixar ele.

— Eu amo o Alan... mas estou escolhendo você. Você vai precisar de mim... não me peça para eu ficar.

Milena respirou fundo e concordou com a cabeça, ajeitou as crianças, esperou Lívia sentar. Enquanto dirigia as mãos estavam trêmulas no volante, mas a mente começava a focar em uma única coisa.

Ela não podia simplesmente desaparecer sem fazer nada. Se fosse embora Sabrina continuaria livre para voltar quando quisesse. Poderia mentir, manipular, destruir a vida de Marcelo de qualquer outro jeito.

Milena olhou para o retrovisor e viu os filhos dormindo. O carro era uma SUV de oito lugares, grande e espaçosa, as crianças estavam confortáveis nas cadeirinhas de segurança enquanto Lívia observava eles.

Ela precisava garantir que Sabrina não pudesse encostar em Marcelo. Os olhos dela foram até o seu celular no banco ao lado. Ali estavam os vídeos dos abusos. As ameaças. As mensagens. Tudo o que Sabrina havia feito.

Milena apertou o volante com mais força.

— Eu não posso deixar que essa mulher escape… — murmurou.

Foi então que lembrou das palavras de Lívia. Um policial conhecido, alguém de sua confiança. Talvez aquela fosse a única coisa que ainda podia fazer por Marcelo.

Sem dizer nada, ela mudou o trajeto. O carro seguiu direto para a delegacia.

— A gente ainda pode dar um jeito nisso. Fica aqui com o Marcelo.

Milena forçou um sorriso fraco.

— Agora não dá mais.

Ela se virou e saiu antes que as lágrimas voltassem, entrou no banheiro e ficou por um tempo la dentro e depois saiu. Ela não sabia se a denúncia ia dar certo, mas queria acreditar que sim.

Lívia já esperava ela no carro. O trânsito parecia distante, o barulho das ruas parecia abafado. Era como se Milena estivesse em outro mundo. Um mundo onde tudo o que importava era a despedida que nunca poderia acontecer.

Quando percebeu, estava na frente do hospital. Sem pensar estacionou o carro do outro lado da rua. Milena ficou olhando para o prédio por vários minutos.

Ele provavelmente estava arrumando as coisas. Esperando por ela. A ideia de entrar, de ver o rosto dele, de ouvir a voz dele, fez o peito dela apertar de uma forma quase insuportável.

As lágrimas começaram a cair novamente. Ela olhou para a janela do quarto dele. Sabia exatamente qual era. Tinha passado dias entrando e saindo daquele lugar.

— Eu queria ficar… — a voz dela falhou. — Eu queria tanto…

Os minutos passavam, mas ela não conseguia sair do carro. Cada segundo ali parecia aumentar a dor.

Milena abriu a bolsa e tirou um envelope. Uma carta que havia escrito durante tempo que estava no banheiro da delegacia. As mãos tremiam ao segurá-la.

Ela desceu devagar. Cada passo em direção ao estacionamento parecia mais pesado que o anterior.

Milena abriu a porta do carro de Marcelo com cuidado. O cheiro familiar a atingiu na mesma hora. O perfume dele ainda estava ali. Aquilo quase a fez desistir. Os olhos se encheram de lágrimas outra vez. Ela colocou a carta sobre o banco do motorista.

Ficou alguns segundos parada, olhando para dentro do carro. Lembranças vieram de uma vez. Risadas, conversas, olhares, promessas silenciosas, lágrimas. Tudo aquilo estava ficando para trás.

Milena fechou a porta devagar. Deu alguns passos para trás, como se aquilo tornasse a despedida mais fácil. Mas não tornou.

Ela olhou para a janela do quarto mais uma vez.

— Adeus, meu amor… — sussurrou.— Me perdoa por não ser forte o suficiente para ficar…

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