O quarto do hospital estava silencioso. A enfermeira terminava de organizar os papéis da alta. Marcelo permanecia sentado na cama, olhando para o celular.
O relógio na parede marcava quase uma hora.
— Ela já deveria ter retornado...— sussurrou ele.
Milena dificilmente se atrasava. E, depois de tudo o que tinham vivido, aquele silêncio parecia errado demais.
Ele esperou por mais trinta minutos, mas o quarto continuava vazio.
Marcelo pegou o celular e ligou novamente. O telefone chamou, chamou e nada de respostas.
— Onde está amor...— disse franzindo a testa.
Ligou outra vez. Dessa vez, o aparelho nem completou a chamada. Foi direto para a caixa postal.
— Estranho… — murmurou.
Devil estava encostado perto da porta, observando tudo em silêncio.
— Ela deve estar no trânsito. — disse, tentando soar tranquilo. — Ou parou para comprar alguma coisa.
Marcelo o olhou em silêncio. O pressentimento ruim já começava a crescer dentro dele. Ligou de novo e nada, tentou pela quinta vez, o mesmo silêncio.
A enfermeira se aproximou um pouco hesitante.
— Senhor De Valliére, o senhor já pode ir. Os documentos estão todos assinados. Hoje pela manha sua esposa já deixou pago as despesas.
Marcelo assentiu, mas continuou olhando para o celular.
— Tem algo errado…
Devil se aproximou.
— Vamos para o carro, senhor. Se ela não estiver a caminho, a gente liga para a casa.
Marcelo concordou, embora o incômodo só aumentasse. Com dificuldade, ele se levantou da cama. O corpo ainda estava fraco. Cada movimento exigia esforço. Devil o ajudou a colocar o paletó e apoiou o braço dele para caminhar até o elevador.
O caminho até o estacionamento pareceu mais longo do que o normal. Marcelo mantinha os olhos no celular o tempo todo, esperando a tela acender com o nome dela. Mas nada.
Quando chegaram ao carro, Devil abriu a porta traseira para ele.
— Senta com calma.
Marcelo entrou devagar, fazendo uma careta de dor. Sentou-se e apoiou a cabeça no banco por um segundo, respirando fundo.
Devil abriu a porta do motorista, jogou a própria blusa sobre o banco da frente e entrou. Não percebeu o envelope que já estava ali.
Marcelo continuava tentando ligar, foram várias vezes que até perdeu a conta.
— Ela não atende… — disse, com a voz baixa.
Devil ligou o carro.
— Vamos para casa. Talvez ela tenha voltado para lá.
Marcelo levou a mão para o abdômen pressionando o ferimento. Mas a dor nem importava mais. Ficou olhando para a tela apagada do celular.
O carro seguiu pelas ruas da cidade. O trânsito estava normal, tudo parecia normal. Mas algo estava acontecendo. Marcelo sentia isso.
Quando chegaram à mansão, Alan estacionou logo atrás, ele soube pelas conversas nos corredores que Marcelo saiu preocupado. E ele imediatamente ligou para Lívia que também não atendeu.
— Conseguiu contato com a Milena?— Alan perguntou ajudando ele subir as escadas.
— Não. E você conseguiu falar com Lívia?
— Não...
Ayla ouviu vozes do lado de fora e veio correndo abrir a porta. Assim que viu Marcelo, abriu um sorriso aliviado.
— Senhor Marcelo! Graças a Deus o senhor está bem.
Ele assentiu. Marcelo olhou para a escada. Esperava ver Milena descendo com um dos bebês no colo, como fazia todos os dias. Mas a casa estava silenciosa demais.
— A Milena está lá em cima?
O sorriso dela desapareceu.
— Não, senhor. Ela saiu cedo.
Marcelo franziu a testa.
— Cedo quanto?
— Ainda de manhã. Ela estava animada. Disse que ia ao hospital buscar o senhor.
O coração dele apertou.
— E não voltou?
— Não, senhor. Eu achei que ela estivesse com o senhor.
O silêncio se instalou. Marcelo trocou um olhar com Alan.

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