Algumas regras existem para serem seguidas. Outras existem apenas para tornar a queda mais interessante.
E, no caso de Dayse Whitmore e Edward Fitzgerald, o problema nunca foi criar regras.
Foi o fato de que eles já tinham quebrado a principal antes mesmo de assinarem o contrato.
— Nós já transamos.
O rosto de Dayse ficou imediatamente vermelho.
Por um segundo ela ficou completamente imóvel, como se o cérebro estivesse tentando decidir se deveria negar aquilo… ou fingir que aquela noite simplesmente nunca tinha acontecido.
— Aquilo foi…
Ela parou e Edward inclinou levemente a cabeça.
— Um erro? — sugeriu ele.
— Um acidente.
Edward inclinou levemente a cabeça, como se estivesse realmente analisando aquela palavra.
— Um acidente… — Ele repetiu devagar, quase saboreando a expressão.
Então deu mais um passo e Dayse percebeu tarde demais que ele estava agora perto o suficiente para que ela sentisse o perfume dele. A mesma fragrância que ela lembrava perfeitamente da noite no motel.
Edward apoiou as duas mãos nos braços da cadeira dela e se inclinou, aproximando o rosto até que a distância entre eles fosse perigosamente pequena.
— Curioso…
Ela estreitou os olhos.
— Por… por quê?
Ele respondeu com a voz calma, baixa e absolutamente segura de si.
— Porque, se aquilo foi um acidente… foi o acidente mais entusiasmado que eu já presenciei.
O rosto dela ficou ainda mais vermelho.
— Você é insuportável.
Ele ignorou completamente a acusação.
Os olhos dele percorreram o rosto dela lentamente, observando cada micro expressão.
— Na verdade… — continuou com a voz ficando um pouco mais baixa — se a minha memória não está falhando… você pareceu gostar bastante.
O rosto dela queimava.
— Você é impossível.
— Eu prefiro confiante.
Ele inclinou a cabeça.
— E convenhamos… você também não parecia particularmente incomodada quando passou a madrugada inteira gemendo o meu nome.
Dayse arregalou os olhos.
— Nós não passamos a madrugada inteira.
Edward arqueou uma sobrancelha.
— Três vezes.
Ela ficou muda e ele deu de ombros.
— Talvez quatro. Admito que depois da terceira eu parei de contar.
— Você é absolutamente insuportável.
Ele sorriu.
— E ainda assim você está aqui.
Dayse respirou fundo.
— Isso não significa nada.
Edward se afastou, pegou o contrato novamente e o empurrou na direção dela.
— Então vamos manter as coisas simples.
Ela olhou para o documento.
— Nós fingimos.
— Sim.
— Para sua família.
— Exatamente.
Ela ficou alguns segundos em silêncio.
— E depois?
— Depois de um ano, nos divorciamos.
— E a minha carreira?
— Eu resolvo o problema do contrato e o erro financeiro desaparece do seu histórico profissional.
Dayse soltou o ar lentamente.
A vida dela tinha virado um caos em dois dias.
Ela pegou a caneta e estava prestes a terminar de assinar quando ouviu novamente a voz grave de Edward.
— Mais uma coisa.
A ponta da caneta parou sobre o papel e Dayse levantou lentamente os olhos.
— O quê é agora?
Edward agora estava encostado na mesa, com os braços cruzados, observando-a com aquele olhar atento demais, como se cada reação dela fosse um detalhe interessante demais para ser ignorado.
— Mais uma regra.
Ela suspirou, já irritada.
— Quantas regras exatamente você pretende adicionar a esse contrato?
Ele deu de ombros.
— As necessárias.
Dayse apoiou a caneta sobre a mesa e cruzou os braços.
— Fale logo.
Edward inclinou levemente a cabeça, e havia algo quase divertido no modo como ele a observava.

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