Casar com o CEO da empresa parecia o tipo de coisa que só acontecia em romances absurdos ou em histórias contadas depois de algumas taças de vinho.
Mas ali estava Dayse Whitmore… prestes a subir até o último andar da empresa para discutir os termos do próprio casamento
Quando a secretária da presidência apareceu na porta chamando seu nome, Dayse percebeu com uma clareza assustadora que sua vida tinha saído completamente do controle nas últimas quarenta e oito horas.
Primeiro o motel.
Depois o erro de quatro milhões de dólares.
E agora…
Um contrato de casamento com Edward Fitzgerald.
O CEO arrogante da empresa que trabalha, perigosamente atraente e aparentemente completamente convencido de que ela aceitaria a proposta.
O que, para irritação dela… Talvez não estivesse totalmente errado.
A secretária da presidência apareceu na porta do departamento jurídico pouco antes das quatro da tarde, e sua presença, embora discreta, teve o efeito imediato de interromper o ritmo habitual da sala.
— Senhorita Whitmore? — chamou, com aquela voz neutra e profissional de quem já havia presenciado muitas conversas tensas dentro daquela empresa e sabia reconhecer o nervosismo antes mesmo de ele se manifestar completamente.
Dayse levantou a cabeça quase no mesmo instante.
O coração dela disparou no peito antes mesmo de responder.
— Sim?
A secretária apoiou a mão no batente da porta.
— O senhor Fitzgerald pediu que a senhorita subisse até a sala dele.
O silêncio que caiu sobre o departamento jurídico foi imediato e quase teatral.
Clara, que até então estava recostada na cadeira analisando um documento, girou lentamente na direção de Dayse, e encarou a amiga com os olhos brilhando.
Marina parou de digitar.
Outros três pares de olhos recaíram sobre Dayse ao mesmo tempo fazendo ela esquecer por uns segundos de respirar.
— A-Agora? — perguntou, tentando soar casual, embora o aperto no estômago estivesse cada vez mais evidente.
— Agora — respondeu a secretária, com a mesma tranquilidade de quem anuncia algo absolutamente rotineiro.
Dayse se levantou devagar. Como se estivesse ganhando alguns segundos extras antes de entrar em um território hostil.
— Deseje-me sorte — murmurou para Clara e Marina enquanto pegava a bolsa.
Clara se inclinou na cadeira, apoiando o queixo na mão com um sorriso perigoso.
— Se você sair de lá noiva do CEO, eu quero ser madrinha.
Dayse lançou um olhar mortal na direção dela.
— Não brinca com isso.
Clara ergueu as duas mãos em rendição, mas o sorriso continuava ali.
— Boa sorte.
O elevador parecia subir mais devagar do que deveria. Cada andar que passava aumentava a sensação de que Dayse estava sendo lentamente conduzida para dentro de uma situação da qual talvez não houvesse saída fácil.
Quando finalmente chegou ao último andar, o ambiente da presidência parecia diferente do resto da empresa.
Mais silencioso, elegante, perigoso.
A recepcionista levantou os olhos e indicou a porta de madeira escura ao fundo do corredor.
— Ele está esperando.
Dayse respirou fundo antes de bater.
— Entre.
A voz dele veio calma do outro lado da porta.
Aquele tipo de calma que irritava profundamente.
Ela respirou fundo antes de abrir a porta. Edward estava atrás da mesa, lendo alguns documentos com a tranquilidade irritante de quem parecia completamente à vontade com o próprio poder.
Quando ela entrou, ele levantou os olhos. E por um breve instante não disse absolutamente nada. Apenas a observou.
Os olhos dele percorreram o rosto dela lentamente. Depois desceram um pouco pro corpo e antes de voltar para seus olhos, um sorriso malicioso surgiu em seus lábios fazendo o corpo de Dayse reagir àquilo e ela se amaldiçoar por isso.
— Sente-se.
Dayse caminhou até a cadeira diante da mesa, mantendo o queixo erguido como se aquilo fosse uma reunião perfeitamente normal.
— Eu pensei na sua proposta — disse, tentando manter a voz firme.
Edward fechou o documento que estava lendo e cruzou as mãos sobre a mesa com uma calma quase irritante.
— Ótimo.
Ele abriu uma pasta.

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