“O problema nunca é a noite… é o que o corpo revela quando ela acaba.”
Edward ainda sentia o gosto dela na boca quando percebeu que alguma coisa estava errada.
A luz suave da manhã entrava pelas cortinas entreabertas do quarto. Edward acordou primeiro, sentindo o corpo ainda quente do contato com Dayse durante a noite. Ele observou por alguns segundos o rosto dela dormindo tranquilamente ao seu lado. Os cabelos espalhados no travesseiro e o lençol que mal cobria seu corpo nu. E logo um sorriso leve surgiu em seus lábios ao lembrar da noite intensa que tiveram.
Com cuidado para não acordá-la, ele se levantou devagar, alongando os músculos. Caminhou até o banheiro, tomou um banho rápido e revigorante, deixando a água fria levar embora o cansaço e o suor da noite anterior. Vestiu uma calça jeans escura e uma camisa preta simples, passou as mãos pelos cabelos umidos se olhando rapidamente no espelho e voltou para o quarto.
Dayse começava a se mexer na cama. Ela piscou devagar, tentando abrir os olhos, mas uma forte tontura a atingiu no mesmo instante. A cabeça rodava como se o quarto inteiro estivesse girando. Um enjoo violento subiu pela garganta, fazendo seu estômago revirar. Ela gemeu baixinho, levando a mão à testa e tentando se sentar, mas o corpo não obedecia direito.
— Edward… — chamou com a voz fraca e rouca.
Ele se aproximou imediatamente, se sentando na beira da cama ao lado dela. O olhar de Edward escureceu no mesmo instante em que percebeu a palidez dela, e, embora o resto do corpo permanecesse firme e controlado, a mandíbula se contraiu com força suficiente para denunciar que estava preocupado.
— Ei, princesa… o que foi? — perguntou com a voz baixa e preocupada, colocando a mão na testa dela para verificar se estava com febre. — Você está pálida, tá passando mal?
Dayse fechou os olhos com força, respirando fundo para tentar controlar o enjoo, mas não adiantou. O gosto amargo na boca e a náusea intensa pioravam a cada segundo.
— Acho que… eu vou vomitar… — murmurou com a voz tremendo. — Me ajuda… por favor.
Sem hesitar, Edward passou um braço por baixo dos joelhos dela e outro pelas costas, erguendo-a com facilidade do colchão, a cerregando rapidamente até o banheiro. Entrou com ela no colo e a colocou de joelhos em frente à privada, segurando os cabelos dela com uma mão enquanto a outra acariciava suas costas com carinho.
— Calma, eu tô aqui — disse ele suavemente, agachando-se ao lado dela. — Respira devagar. Pode soltar tudo, princesa. Eu seguro você.
Dayse mal teve tempo de responder, porque o enjoo veio com tudo.
Ela se inclinou para frente e vomitou, sentindo o corpo tremer com as contrações fortes. Edward não desviou o olhar em nenhum momento, segurando os cabelos dela com firmeza enquanto a outra mão subia e descia pelas costas em movimentos lentos e constantes, e, embora a expressão permanecesse controlada, havia uma tensão silenciosa nos traços dele, como se cada contração do corpo dela fosse sentida também dentro dele.
— Isso… vai passar… tô bem aqui com você — repetia com a voz firme e protetora, sem demonstrar nojo ou impaciência.
Quando os espasmos finalmente diminuíram, Dayse apoiou a testa no braço, respirando com dificuldade, sentindo o corpo fraco e suado enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.
Edward se levantou sem pressa pegando a toalha e umedecendo na água fria antes de voltar para ela, limpando o rosto dela com um cuidado. Depois, a ajudou a se levantar devagar, sustentando seu peso contra o peito dele.
— Melhor? — perguntou baixinho, beijando o topo da cabeça dela. — Quer que eu te leve de volta pra cama ou prefere ficar um pouco aqui?

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