“Algumas mentiras são tão bem contadas… que começam a parecer verdade até para quem as inventou.”
O problema nunca foi convencer os outros… foi o quanto aquilo já não parecia mais atuação para eles mesmos.
A mesa estava posta do lado de fora, sob a luz dourada do fim de tarde que se dissolvia lentamente no início da noite. O ar tinha aquele frescor leve de verão nos Hamptons, misturado ao som distante do mar e ao tilintar suave das taças sendo servidas.
Dayse percebeu tudo isso, mas não foi isso que a deixou sem reação.
Foi ele.
Edward Fitzgerald estava relaxado de verdade. Sentado à cabeceira lateral da mesa, com uma postura solta, o braço apoiado atrás da cadeira dela de forma quase automática, como se aquele lugar fosse exatamente onde ele deveria estar. Conversava com Adrian e Augustus Fitzgerald com uma facilidade que não combinava com o homem controlado que ela conhecia.
Mas o detalhe que ninguém ali ignorava era a forma como ele a tocava.
Os dedos dele estavam entrelaçados aos dela por baixo da mesa, firmes, constantes, como se soltar não fosse uma opção. O polegar deslizava lentamente sobre a pele dela em movimentos distraídos, quase inconscientes.
Aquilo não parecia ensaiado, parecia natural.
Dayse manteve o olhar no prato por um segundo a mais do que o necessário, tentando ignorar a forma como aquele toque simples já era suficiente para desestabilizar completamente sua concentração.
— Então você decidiu finalmente descansar um pouco, garoto? — comentou Augustus Fitzgerald, erguendo a taça com um sorriso satisfeito.
Edward soltou um riso baixo, virando o rosto na direção do avô.
— Digamos que eu encontrei um motivo melhor para desacelerar.
O olhar dele desviou direto pra ela. E esse gesto fez o coração de Dayse falhar uma batida. Antes que pudesse reagir, ele inclinou o rosto e depositou um beijo leve no pescoço dela, rápido, quase distraído mas íntimo demais para passar despercebido.
Ela prendeu a respiração, porque já não sabia mais como reagir.
Do outro lado da mesa, Margareth Fitzgerald não disse nada. Apenas observou e sorriu.
Não um sorriso qualquer, mas o tipo de sorriso de quem tinha entendido tudo sem precisar que ninguém explicasse.
Já Clara inclinou levemente o corpo na cadeira, apoiando o cotovelo na mesa, descansando o queixo na mão enquanto analisava a cena com um sorrisinho sacana nos lábios. Desviou o seu olhar por um segundo até Adrian e depois voltou para Dayse e permaneceu na amiga.
Adrian, por outro lado, tentava disfarçar o efeito que aquele olhar tinha provocado nele. As lembranças da noite anterior e da manhã na praia, ainda ardiam no seu corpo. Mas ele precisava se controlar, afinal, ele era um homem centrado e controlado, mas o problema era o que essa garota causava nele.
Mas ali, diante dos olhos dele Edward Fitzgerald não parecia um homem atuando. Parecia um homem envolvido.
E isso só podia significar uma coisa:
Ele estava apaixonado por Dayse.
A única dúvida que restava, era se ele já tinha percebido isso.
Adrian se inclinou levemente na direção do amigo, garantido para que ninguém mais ao redor pudesse ouvir, enquanto o olhar se mantinha atento, quase analítico.
Edward soltou um riso baixo, mas não respondeu o avô. Porque, naquele momento, ele estava mais interessado em outra coisa.
Com um movimento lento, ele levou a mão livre até o rosto de Dayse, tocando com o polegar o canto da boca dela.
— Está sujo aqui — disse, baixo.
O toque foi leve, mas íntimo demais.
Ele passou o polegar e demorou um segundo a mais do que o necessário antes de afastar a mão.
Dayse sentiu o calor subir pelo pescoço e não teve como disfarçar.
Clara soltou um riso baixo. Margareth observava em silêncio e Augustus claramente achava graça.
Já Adrian… só confirmava o que já estava começando a suspeitar.
E Edward voltou a conversar como se nada tivesse acontecido, como se aquilo fosse comum. E foi exatamente isso que fez o estômago de Dayse revirar de leve.
Porque naquele momento, não parecia que ele estava tentando convencer ninguém. Parecia que ele simplesmente estava sendo assim com ela.
Ela ainda não entendia Edward… mas já era tarde demais para negar o que estava sentindo por ele.

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