O elevador descia lentamente quando Dayse percebeu que não estava sozinha ali dentro com Liliana.
Estava presa.
Dayse apertou o contrato com mais força entre os dedos, sentindo o papel dobrar-se ligeiramente sob a pressão involuntária da sua mão enquanto mantinha o olhar firme na mulher diante dela, como se aquela pequena deformação no papel fosse a única manifestação física do incômodo que se recusava a demonstrar em voz alta.
— Talvez ele seja mais justo do que algumas pessoas imaginam — respondeu, com uma calma que contrastava com a tensão silenciosa que se acumulava dentro do elevador.
Liliana soltou uma pequena risada, curta e seca, mas carregada de descrença.
— Justo?
Os olhos dela percorreram Dayse lentamente de cima a baixo, sem qualquer tentativa de disfarçar a avaliação crítica que fazia naquele instante, como se estivesse analisando um objeto inesperado colocado diante dela.
— Você realmente acredita nisso?
Dayse não desviou o olhar. Permanecia imóvel, sustentando a intensidade daquela análise como se não tivesse absolutamente nada a esconder.
— Eu acredito que o senhor Fitzgerald sabe tomar decisões.
O sorriso que ainda permanecia nos lábios de Liliana desapareceu lentamente, dissolvendo-se em uma expressão mais séria e muito mais fria.
— Interessante…
Ela deu mais um passo à frente, aproximando-se o suficiente para que o espaço entre as duas diminuísse de forma perceptível.
— Porque eu conheço Edward há muito tempo.
O modo como o nome dele saiu da boca dela carregava uma intimidade que não precisava ser explicada em palavras.
— Tempo suficiente para saber que ele não faz favores sem receber nada em troca.
Dayse permaneceu exatamente onde estava.
Imóvel.
— Talvez ele tenha mudado de ideia.
Liliana inclinou levemente a cabeça, como alguém que considera uma possibilidade apenas para descartá-la em seguida.
— Ou talvez você tenha encontrado uma forma mais criativa de convencê-lo.
O insulto veio disfarçado de curiosidade casual, mas o significado por trás daquelas palavras era claro demais para ser ignorado.
Dayse respirou fundo antes de responder, deixando o ar sair lentamente pelos pulmões enquanto mantinha a voz perfeitamente estável.
— Você parece muito interessada nas decisões dele.
Liliana estreitou ligeiramente os olhos, e por um breve instante algo mais duro atravessou sua expressão.
— Eu me preocupo com a empresa.
Dayse inclinou levemente a cabeça, deixando escapar um gesto quase imperceptível de concordância.
— Claro.
Mas Liliana ainda não havia terminado.
— Só espero — disse com uma suavidade quase venenosa, que parecia cuidadosamente calculada — que você entenda exatamente onde está pisando e o eu verdadeiro papel diante de tudo isso.
Dayse se virou completamente para encará-la.
— Eu entendo perfeitamente.
Liliana ergueu uma sobrancelha.
— Entende?
Dayse permitiu que um pequeno sorriso surgisse no canto da boca, um gesto discreto que parecia mais confiança do que provocação.
— Eu trabalho aqui há três anos.
Ela fez uma pausa breve antes de completar, escolhendo cada palavra com a mesma precisão com que escolheria cada cláusula de um contrato.
— E não precisei derrubar ninguém para chegar até aqui.
Por um instante, o silêncio dentro do elevador ficou pesado, quase denso, como se respirar exigisse mais do que eu conseguia dar.
Liliana a observou em silêncio e soltou uma risada baixa, lenta, carregada de um desprezo tão evidente que parecia quase elegante.
— Ah… então é isso que você pensa? — Ela cruzou os braços devagar, inclinando ligeiramente a cabeça enquanto analisava Dayse com um olhar crítico, percorrendo cada detalhe dela, das roupas discretas ao modo firme como sustentava o olhar. — Que chegou até aqui por mérito?
O elevador seguia seu trajeto, o som suave do mecanismo ecoava entre as duas. Parecia que a maquina estava ciente da guerra que acontecia ali dentro.
Liliana deu um passo na direção dela.
— Deixe-me dizer uma coisa sobre Edward Fitzgerald.
O nome saiu da boca dela com uma intimidade incômoda.
— Eu o conheço há tempo suficiente para entender exatamente como a mente dele funciona.
Dayse não respondeu e Liliana continuou:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe