Dayse saiu do elevador com uma certeza incômoda de que aceitar aquele contrato tinha sido a parte fácil. Conviver com as consequências seria outra história.
Ela ainda sentia o coração batendo mais rápido do que deveria. A conversa com Liliana continuava ecoando na sua cabeça como um ruído irritante que simplesmente se recusava a desaparecer.
"Edward não se apaixona por garotas como você."
Ela apertou o contrato com mais força entre os dedos enquanto atravessava o corredor do departamento jurídico, ignorando os olhares curiosos de dois colegas que pararam de conversar quando ela passou.
Ótimo. Agora todo mundo estava olhando, era só o que faltava.
Assim que empurrou a porta da sala onde trabalhava com Marina e Clara, as duas levantaram a cabeça imediatamente.
Clara foi a primeira a perceber a expressão dela. Girou a cadeira na direção da amiga, a encarando com os olhos azuis que brilhavam de curiosidade.
— Então?
Marina também se virou, mas com uma expressão muito mais tensa e preocupada.
— Você demorou. O que aconteceu lá em cima?
Clara já estava praticamente inclinada sobre a mesa.
— Não me diga que você recusou?
Dayse largou a bolsa sobre a mesa e soltou o contrato ao lado suspirando pesado antes de responder:
— Antes de qualquer coisa… — murmurou, passando a mão pelos cabelos — eu preciso de um café.
Clara arregalou os olhos.
— Isso não é resposta.
Marina cruzou os braços e encarou a amiga ainda mais aflita.
— Dayse…
Dayse se virou para elas.
— Sim, eu sei.
Clara impaciente bateu na mesa.
— VOCÊ ACEITOU OU NÃO?
Dayse pegou o contrato e levantou ligeiramente o documento no ar.
— Eu aceitei.
Por dois segundos o silêncio dominou a sala. Então Clara soltou um grito tão alto que alguém na sala ao lado bateu na parede.
— EU SABIA!
Ela se levantou da cadeira como se tivesse acabado de ganhar na loteria.
— Amiga, você é oficialmente a pessoa mais interessante que eu conheço.
Marina, por outro lado, parecia muito menos animada. Ela pegou o contrato da mesa e começou a folhear as páginas.
— Meu Deus do céu… — Os olhos dela corriam pelas cláusulas. — Dayse… você leu tudo isso?
Dayse soltou uma pequena risada cansada.
— Infelizmente.
Clara puxou outra cadeira, sentou-se na mesa de Dayse com a mesma expectativa curiosa de uma criança prestes a assistir a um filme e estendeu a mão, inclinando-se para frente enquanto dizia:
— Vamos lá, me conta tudo.
Dayse soltou um suspiro longo, daqueles que pareciam carregar muito mais peso do que apenas ar saindo dos pulmões, e passou a mão pelos cabelos antes de finalmente falar, como se cada palavra exigisse coragem para sair.
— Um ano de casamento.
Clara, que estava inclinada sobre a mesa com os olhos brilhando de curiosidade, assentiu imediatamente com a cabeça, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
— Normal.
Dayse continuou, enumerando as condições com um tom cada vez mais incrédulo.
— Aparições públicas.
Clara abriu um sorriso divertido.
— Claro.
— Jantares com investidores.

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