“O problema de alguns homens não é falta de sentimento… é o medo de senti-lo.”
Edward Fitzgerald sustentou o olhar dela por alguns segundos antes de responder em voz baixa:
— Não.
A resposta saiu baixa, firme e sem qualquer hesitação.
Dayse sentiu alguma coisa estremecer discretamente dentro do peito ao ouvir aquilo, porque Edward Fitzgerald poderia ser arrogante, controlador e emocionalmente impossível na maior parte do tempo, mas existia uma diferença enorme entre ele desconfiar de outros homens ao redor dela… e desconfiar dela.
E naquele instante ele deixou claro que nunca realmente acreditou que ela seria capaz de traí-lo. Mesmo dentro de um relacionamento que teoricamente ainda era apenas um contrato.
O silêncio entre os dois ficou pesado outra vez.
Os olhos dela permaneceram presos nos dele por alguns segundos enquanto tentava ignorar a maneira absurdamente intensa como ele a encarava toda vez que baixava minimamente as próprias defesas emocionais.
Porque aquele homem não sabia amar de maneira leve.
Tudo nele parecia excessivo.
Dayse respirou fundo antes de cruzar novamente os braços diante do corpo numa tentativa inútil de recuperar a racionalidade perto dele.
— Então qual exatamente é o problema? — perguntou mais baixo dessa vez, embora a voz ainda carregasse resistência. — Porque você claramente não acredita que eu faria alguma coisa pelas suas costas.
Edward passou lentamente a mão pela mandíbula enquanto desviava os olhos dela por um instante curto demais, como se estivesse tentando organizar dentro da própria cabeça uma resposta que não entregasse mais do que ele ainda se permitia admitir.
— O problema… — Edward começou devagar, com a voz rouca e perigosamente controlada — é que eu não gosto da maneira como ele olha para você.
Aquilo fez o coração dela bater ainda mais forte.
Dayse sustentou o olhar dele sem recuar enquanto alguma coisa perigosamente quente atravessava lentamente o próprio corpo ao perceber o quanto Edward claramente odiava a simples ideia de outro homem se aproximando dela.
— E isso te incomoda tanto assim? — perguntou quase num desafio, embora a própria respiração já começasse a perder estabilidade perto dele outra vez.
Edward soltou uma risada baixa, enquanto os olhos desceram lentamente até a boca dela antes de voltarem para seus olhos.
— Você realmente não faz ideia do quanto.
O ar pareceu ficar pequeno demais dentro daquela sala.
Dayse respirou fundo enquanto descruzava lentamente os braços, porque apesar da raiva ainda existia alguma coisa nela que simplesmente não queria fugir daquele homem.
Não quando Edward a encarava daquele jeito. Não quando ele finalmente começava a deixar escapar pequenas partes do que realmente sentia.
— Então deixa eu ver se entendi — disse agora mais firme, mais direta enquanto tentava ignorar o próprio coração batendo rápido dentro do peito. — Você quer que eu me mude para o seu apartamento para manter as aparências de um relacionamento que não existe… depois de cruzar um limite que nós dois fingimos que não cruzamos?
Edward não respondeu imediatamente.
Ele apenas a observou.
Os olhos azuis desceram novamente até a boca dela antes de voltarem para seus olhos outra vez, e Dayse sentiu a própria respiração falhar discretamente ao perceber aquilo.
Quando ele finalmente falou, a voz saiu mais baixa, mais controlada.

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