“Alguns homens só percebem que estão apaixonados quando começam a agir como se já tivessem algo a perder.”
— Você faz ideia do que acontece comigo toda vez que vejo outro homem olhando para você daquele jeito, Dayse?
A pergunta saiu baixa, rouca e perigosamente carregada de ciúme, mas o que realmente destruiu alguma coisa dentro dela não foi apenas a frase. Foi a maneira como ele a encarava. Como se estivesse perigosamente perto de perder o restante do controle que ainda tentava sustentar desde o início daquela conversa.
Dayse sentiu a própria respiração falhar discretamente.
Pela primeira vez ele não parecia um homem apenas irritado, parecia afetado, emocionalmente afetado.
Os olhos azuis dele permaneceram presos nos dela por alguns segundos enquanto a distância entre os dois diminuía lentamente sem que nenhum percebesse exatamente em que momento aquilo aconteceu, até Dayse conseguir sentir o perfume dele misturado ao cheiro da pele dele.
Edward ergueu a mão devagar.
Os dedos roçaram lentamente o braço dela antes de subirem até seu rosto, prendendo uma mecha do cabelo atrás da orelha num gesto absurdamente cuidadoso para um homem acostumado a controlar tudo ao redor com firmeza e frieza.
E aquilo foi pior do que o ciúme.
Pior do que a discussão.
Porque não pareceu desejo bruto.
Pareceu carinho.
Os olhos de Dayse desceram involuntariamente até a boca dele e Edward percebeu.
O maxilar travou discretamente enquanto os olhos escureciam ainda mais, e por um instante inteiro nenhum dos dois pareceu lembrar que ainda estavam no meio de uma discussão.
A tensão mudou deixando de ser apenas raiva e virando aquela coisa perigosamente íntima que existia entre os dois toda vez que ele se aproximava demais e Dayse esquecia completamente como respirar direito perto dele.
O rosto dele começou a se aproximar lentamente, sem pressa. Como um homem tentando decidir se ainda existia alguma chance de voltar atrás.
Dayse não recuou.
Na verdade, o peito dela subiu mais rápido quando sentiu a respiração dele misturando-se à sua enquanto os dedos dele permaneciam presos delicadamente em seu rosto.
Os olhos dela começaram a fechar devagar até Edward parar de repente.
O olhar desceu até a boca dela outra vez antes dele fechar os olhos brevemente como se estivesse tentando recuperar algum tipo de controle racional sobre si mesmo.
Quando voltou a encará-la, a voz saiu mais grave, mais firme e perigosamente definitiva.
— Você vai se mudar para o meu apartamento.
A frase saiu da boca de Edward Fitzgerald baixa, controlada e firme demais para soar como sugestão.
Dayse piscou lentamente.
Por um segundo inteiro ela realmente cogitou perguntar se Edward Fitzgerald havia enlouquecido.
Porque aquele homem mal sabia dividir sentimentos. Agora queria dividir uma cobertura inteira.
Dayse sentiu o corpo inteiro ficar imóvel por um instante.
Os olhos dela piscaram devagar enquanto tentava entender se realmente tinha ouvido aquilo direito, porque existia alguma coisa perigosamente definitiva no tom dele, alguma coisa que já não parecia apenas sobre cláusulas, aparências ou aquele contrato absurdo que os dois insistiam em usar como desculpa para justificar sentimentos que claramente já tinham ultrapassado qualquer limite racional havia muito tempo.
O corpo dela recuou um passo lento, depois mais um, até que estivesse próxima da mesa enorme do escritório, criando uma distância que não era apenas física.
Era proteção.
Os braços se cruzaram devagar diante do corpo, não completamente na defensiva, mas o suficiente para sustentar a própria firmeza enquanto tentava ignorar o efeito devastador que a presença daquele homem continuava causando nela.
— Você está falando sério? — perguntou finalmente, e embora a voz tivesse recuperado parte da firmeza habitual, os olhos ainda carregavam surpresa.
Edward inclinou minimamente a cabeça enquanto observava cada micro expressão dela com atenção.
Os olhos azuis escureceram levemente. Porque a simples ideia de Dayse parecer surpresa com aquilo já começava a incomodá-lo.
— Eu não costumo brincar com cláusulas contratuais, senhorita Whitmore.
O uso do sobrenome não foi casual, foi um recado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe