“Alguns homens escondem o amor atrás de controle porque nunca aprenderam vulnerabilidade.”
Dayse Whitmore
Eu ainda conseguia sentir os olhos de Edward em mim mesmo depois da porta do escritório ter se fechado atrás das minhas costas.
Era ridículo.
Ridículo e perigosamente injusto o efeito que aquele homem continuava causando em mim depois de tudo o que já tinha acontecido entre nós.
Porque já fazia muito tempo que aquilo tinha deixado de ser apenas tensão ou atração física.
Edward e eu já tínhamos atravessado limites demais para fingirmos que um simples beijo mudaria alguma coisa entre nós.
O verdadeiro problema nunca foi desejo.
Foi o sentimento.
E talvez exatamente por isso tudo tivesse começado a ficar tão assustadoramente intenso.
Meus passos permaneceram lentos pelo corredor da Fitzgerald Group enquanto eu tentava inutilmente reorganizar a própria cabeça depois do que tinha acabado de acontecer naquela sala, mas quanto mais eu tentava voltar ao normal, mais a voz dele parecia continuar ecoando dentro da minha cabeça.
“O problema… é que eu não gosto da maneira como ele olha para você.”
Meu Deus.
Eu fechei os olhos por um segundo dentro do elevador enquanto uma sensação quente atravessava lentamente meu peito outra vez.
Edward Fitzgerald estava apaixonado por mim. E agora eu finalmente tinha certeza.
Não era mais intuição. Nem a paranóia emocional de uma mulher apaixonada.
Era certeza.
Certeza construída através da maneira como ele me olhava, do ciúme quase irracional toda vez que outro homem se aproximava de mim, da necessidade obsessiva de manter tudo sob controle enquanto claramente perdia o controle justamente quando o assunto era eu.
Margareth estava certa.
A lembrança do almoço com ela atravessou minha cabeça imediatamente enquanto eu encostava lentamente a nuca na parede espelhada do elevador.
“Homens como Edward só entram em pânico quando percebem que não têm mais controle absoluto da situação.”
Naquele momento eu finalmente tinha entendido.
Edward nunca tentou me afastar de verdade. Tentou sobreviver ao que sentia.
E aquilo mudava absolutamente tudo.
Porque agora tudo finalmente começou a fazer sentido dentro da minha cabeça. O silêncio excessivo, a necessidade quase obsessiva de controlar absolutamente tudo ao redor, a arrogância fria que Edward usava como armadura e até a maneira emocionalmente impossível como ele reagia toda vez que se sentia vulnerável já não pareciam apenas traços difíceis da personalidade dele.
Era apenas um homem desesperadamente tentando esconder sentimentos que há muito tempo tinham ficado grandes demais para continuar presos dentro dele.
E talvez fosse exatamente por isso que eu já não sentia mais vontade de fugir daquela relação.
Quero vê-lo finalmente admitir o que sente.
As portas do elevador abriram no andar do departamento jurídico e bastaram poucos segundos para Clara praticamente saltar da cadeira ao me ver atravessando o corredor.
— Finalmente!
A voz dela saiu imediatamente carregada de preocupação.
— O que aconteceu lá em cima? Você demorou uma eternidade!
Marina levantou logo depois, mas diferente de Clara, ela não falou primeiro.
Ela apenas me observou atentamente enquanto se aproximava devagar, e eu conhecia Marina bem o suficiente para saber que ela estava tentando descobrir silenciosamente se eu tinha chorado, brigado ou surtado emocionalmente dentro daquela sala.
O que honestamente já começava a acontecer com frequência preocupante demais quando o assunto era Edward Fitzgerald.
— Dayse… — A voz dela saiu mais calma. — Você está bem?
Eu abri a boca para responder, mas Clara me interrompeu imediatamente:
— Porque sinceramente? Se aquele homem falou alguma besteira pra você outra vez eu juro que subo naquela sala e arranco o ego bilionário dele no tapa.
Aquilo me fez rir.
Uma risada baixa, sincera e talvez exatamente por isso as duas congelaram me encarando imediatamente.
Clara estreitou os olhos na mesma hora.
— Espera aí… — Ela apontou um dedo acusador na minha direção. — Por que você está com essa cara?
Eu desviei os olhos tentando inútilmente esconder o sorriso que ainda ameaçava aparecer outra vez e isso foi um erro grave.
Porque Marina percebeu imediatamente.
Ela cruzou lentamente os braços enquanto me observava em silêncio por mais alguns segundos.
— Meu Deus… — A voz dela saiu lentamente incrédula. — O que aconteceu naquela sala?
Eu respirei fundo antes de caminhar lentamente até minha mesa, mas Clara veio atrás imediatamente.


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