“O autocontrole masculino começa a morrer durante a madrugada.”
O verdadeiro problema de dividir a mesma cobertura com Dayse começou no instante em que Edward percebeu que já não conseguia mais desligar a própria mente dela nem mesmo durante a madrugada.
Porque naquela noite, por mais cansado que estivesse depois do dia inteiro na empresa, o sono simplesmente não vinha.
Edward permaneceu deitado na cama por vários minutos encarando o teto escuro do quarto enquanto mantinha a mandíbula tensionada e os olhos abertos, claramente incapaz de desligar a própria cabeça depois de tudo o que tinha acontecido entre ele e Dayse naquele dia.
E aquilo estava começando a acontecer com frequência perto dela.
O pior era perceber que não se tratava apenas de desejo físico.
Se fosse apenas isso, Edward saberia exatamente como lidar. Mas o problema começava no instante em que pequenas coisas absurdamente simples passavam a ocupar espaço demais dentro da cabeça dele.
O jeito como Dayse sorria provocando ele. A maneira como andava descalça pela cobertura. O vestido leve daquela tarde. A forma natural como ela já parecia ocupar os espaços da casa dele como se sempre tivesse pertencido ali.
Edward fechou os olhos antes de soltar o ar devagar pelo nariz enquanto passava a mão pelo rosto cansado.
Precisava dormir.
Precisava parar de pensar nela daquele jeito antes de enlouquecer completamente dentro da própria casa. Mas quanto mais tentava afastar Dayse da cabeça, mais a lembrança dela parecia voltar.
O vestido curto, os olhos provocando ele na entrada da cobertura, ela perguntando se ele estava com ciúmes…
Sim.
Ele estava com ciúmes e estava louco para beijar aquela boca rosada dela e fazer amor com ela por horas. Mas Dayse havia sido enfática quando disse que a única coisa que existiria entre os dois agora era a droga do maldito contrato.
Edward abriu os olhos antes de se sentar na cama num movimento irritado enquanto passava a mão pela nuca.
Aquilo estava ficando perigoso demais.
Porque nunca nenhuma mulher conseguiu atravessar as defesas emocionais dele daquele jeito. E talvez fosse exatamente por isso que ele estivesse começando lentamente a perder o controle.
Como seria mais fácil se ele admitisse de uma vez por todas que estava apaixonado por ela, mas porque ele tinha que ser assim, tão complicado?
O apartamento permanecia silencioso quando Edward finalmente saiu do quarto alguns minutos depois usando apenas uma calça escura de moletom e uma camiseta preta simples. Decidiu ir até a cozinha pegar um copo d’água na tentativa de esfriar a cabeça antes de voltar para a cama.
Mas quando passou pela sala, viu que Dayse estava dormindo no sofá.
A luz baixa próxima às enormes paredes de vidro iluminava parcialmente o corpo dela encolhido enquanto um livro ainda permanecia aberto sobre o colo, claramente abandonado no instante em que o sono venceu a tentativa frustrada de continuar acordada.
Os cabelos caiam desordenados sobre um dos ombros. Os pés descalços estavam parcialmente cobertos pela barra do vestido leve. E a expressão tranquila dela dormindo fez alguma coisa estranha apertar discretamente dentro do peito dele.
Edward permaneceu imóvel por alguns segundos apenas observando ela dormir em silêncio enquanto alguma parte racional dentro da própria cabeça tentava lembrar que aquela convivência deveria continuar sendo apenas temporária.
Mas estava ficando cada vez mais difícil resistir a isso. Porque Dayse já começava a parecer parte daquele apartamento, da rotina dele, da vida dele.
Edward desviou os olhos antes de caminhar até a poltrona próxima ao sofá, pegando a manta esquecida ali.
Os movimentos masculinos foram cuidadosos enquanto ele se aproximava dela outra vez, como se qualquer barulho mais alto pudesse acordá-la. Mas no instante em que ele afastou cuidadosamente o livro do colo dela antes de cobrir devagar suas pernas com a manta, Dayse segurou sua mão.
Os olhos dela se abriram apenas parcialmente.
Mas ele lembraria.
A mandíbula dele tencionou discretamente antes de Edward finalmente se sentar devagar ao lado dela no sofá, ainda tentando convencer a si mesmo de que permanecer ali por alguns minutos não significava absolutamente nada.
Dayse soltou a mão dele apenas para se afastar um pouco, abrindo espaço silenciosamente para ele deitar ao lado dela. O gesto foi pequeno, sonolento e quase involuntário, mas suficiente para fazer alguma coisa apertar perigosamente dentro do peito dele.
Edward hesitou por um segundo antes de finalmente se acomodar ao lado dela.
E então Dayse se aproximou imediatamente outra vez.
Ainda sonolenta demais para pensar racionalmente em qualquer coisa, ela se aninhou naturalmente nos braços dele, encaixando o corpo contra o peito masculino enquanto apoiava lentamente a cabeça perto do pescoço dele num movimento calmo e íntimo demais para parecer casual.
O corpo de Edward ficou rígido no mesmo instante.
Aquilo era perigoso. Muito mais perigoso do que qualquer beijo que os dois já tinham trocado.
A respiração dele desacelerou involuntariamente enquanto os olhos permaneciam presos no teto da sala e a mão masculina hesitava por alguns segundos antes de finalmente deslizar devagar pelas costas dela num gesto automático de cuidado.
Edward fechou os olhos enquanto sentia a respiração tranquila dela contra seu peito e o corpo feminino aconchegado nos braços dele como se aquela proximidade já tivesse se tornado natural entre os dois.
E talvez exatamente esse fosse o verdadeiro problema.
Porque pela primeira vez em muitos anos, Edward Fitzgerald percebeu que já não queria apenas Dayse dentro da própria cobertura.
Queria ela na própria vida. Não como um contrato de mentira, mas como uma história de verdade.

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