“Homens apaixonados começam a enlouquecer por detalhes ridiculamente pequenos.”
O verdadeiro problema da convivência começou no instante em que Dayse percebeu que Edward Fitzgerald já não reagia como um homem preso num contrato.
Reagia como um homem territorial.
E aquilo ficou perigosamente claro na tarde de quarta-feira, quando ela abriu a porta da cobertura usando um vestido curto de alças finas que deixava as pernas completamente expostas e marcava discretamente o contorno dos seios dela a cada movimento.
Dayse tinha acabado de chegar da empresa havia pouco mais de vinte minutos e, pela primeira vez desde que começou a morar ali, o apartamento estava completamente silencioso.
Sem Edward. Sem tensão masculina atravessando os cômodos da cobertura. Sem aqueles olhos azuis seguindo discretamente cada movimento dela como se o próprio corpo dele já estivesse perigosamente condicionado à presença dela naquele lugar.
Ela realmente precisava parar de pensar daquele jeito.
Dayse soltou os cabelos ainda presos num coque bagunçado antes de caminhar descalça até a cozinha usando apenas o vestido leve que balançava suavemente acima das coxas conforme ela se movia pela cobertura.
O tecido era confortável, leve mas marcava o corpo dela mais do que deveria.
E talvez exatamente esse fosse o problema.
Porque quanto mais convivia dentro daquela cobertura, mais natural começava a parecer circular daquele jeito pela casa dele. Viver no espaço dele. Respirar o perfume dele espalhado pelos cômodos.
A campainha tocou naquele instante e Dayse franziu minimamente a testa antes de caminhar até a porta lembrando vagamente que tinha pedido algumas coisas para o jantar no caminho de volta da empresa.
Ela abriu a porta distraidamente, mas o desconforto surgiu no instante em que percebeu o jeito descarado como o entregador passou a encará-la, deixando os olhos percorrerem suas pernas nuas e o vestido curto no corpo dela antes de finalmente voltar ao seu rosto.
Dayse percebeu no mesmo instante, aquele tipo específico de olhar masculino que surgia quando um homem deixava de encarar uma mulher de maneira educada e passava a observá-la com interesse demais.
E aquilo a deixou desconfortável.
— Assine aqui, por favor.
A voz masculina saiu mais lenta, mais interessada.
Dayse pegou rapidamente a caneta tentando ignorar o jeito como ele continuava olhando para ela enquanto assinava a entrega.
— O- obrigada.
Ela já estava prestes a fechar a porta quando o ar mudou completamente e outra presença surgiu atrás do entregador.
Edward surgiu no corredor do prédio ainda usando o paletó escuro da empresa, a gravata discretamente frouxa e a expressão silenciosa daquele jeito que normalmente fazia funcionários inteiros entrarem em alerta dentro da empresa.
Os olhos azuis desviaram imediatamente até Dayse. Depois desceram devagar pelas pernas dela.
Pelo vestido curto moldando o corpo dela. Pelo tecido fino marcando discretamente o contorno dos seios dela. E finalmente pararam no entregador.
O entregador engoliu seco quase imediatamente.
Porque mesmo sem dizer absolutamente nada, Edward tinha aquele tipo de presença masculina fria que fazia outros homens perceberem quando estavam ocupando espaço que não deveriam.
Dayse sentiu o coração desacelerar dentro do peito.
Edward caminhou calmamente até a porta sem tirar os olhos do entregador por um segundo sequer.
— Algum problema?
A pergunta saiu baixa e controlada.
O rapaz imediatamente balançou a cabeça.
— N-não, senhor.
Edward apenas assentiu minimamente.
— Ótimo.
O silêncio ficou pesado durante alguns segundos antes do entregador praticamente fugir corredor afora.
E aquilo fez alguma coisa quente atravessar o corpo dela.
Porque ele claramente estava muito perto de perder o restante do controle que ainda tentava sustentar desde que ela entrou naquela cobertura.
Dayse se aproximou ainda mais ficando perto o suficiente para perceber o cheiro do perfume masculino misturado ao cansaço do fim do expediente. Perto o suficiente para perceber o jeito como o olhar dele mudou.
Os olhos dos dois permaneceram presos um no outro por alguns segundos.
Até Dayse inclinar minimamente a cabeça antes de perguntar baixinho:
— Você está com ciúmes, senhor Fitzgerald?
Ela não deveria ter perguntado aquilo daquele jeito.
A mão masculina segurou o braço dela rápido e com força suficiente para fazer Dayse prender imediatamente a respiração. Não chegou a machucar, mas o gesto carregava tensão demais para parecer casual. O corpo dela estremeceu quando Edward a puxou alguns centímetros para mais perto, deixando os dois próximos demais outra vez.
Os rostos ficaram a poucos centímetros de distância, perto o suficiente para que a respiração dele batesse diretamente contra a boca dela. E quando os olhos azuis desceram lentamente até os lábios dela naquela vez, Dayse entendeu imediatamente que Edward queria beijá-la.
E por um segundo inteiro ela desejou que ele fizesse aquilo.
Mas então Edward fechou os olhos como se estivesse tentando recuperar algum tipo de sanidade antes de finalmente soltar devagar o braço dela.
A mandíbula travou com força enquanto desviava os olhos dela como se permanecer perto demais naquele momento já fosse perigoso demais.
— Eu vou tomar um banho.
A voz saiu rouca, baixa, tensa.
E então ele simplesmente foi embora.
Mas Dayse permaneceu imóvel no meio da sala sentindo o próprio coração bater rápido dentro do peito enquanto observava ele desaparecer pelo corredor da cobertura.
Pela primeira vez desde que começou aquela convivência, ela finalmente percebeu que ele já não estava apenas tentando resistir ao desejo. Estava começando a perder a batalha contra ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe