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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 194

“O amor se torna humilhante no instante em que apenas uma pessoa continua lutando por ele.”

— Eu descobri tudo.

Edward não demonstrou absolutamente nenhuma reação.

Permaneceu parado do outro lado da enorme mesa de reuniões enquanto fechava calmamente a pasta diante de si daquele jeito perigosamente controlado que sempre fazia Liliana sentir que estava constantemente tentando atravessar uma muralha impossível.

E talvez fosse exatamente isso que mais a destruía nele.

A incapacidade brutal que Edward Fitzgerald tinha de demonstrar qualquer coisa que não quisesse mostrar.

— Não faço ideia do que você está falando.

A voz masculina saiu calma, fria e controlada.

Liliana soltou uma pequena risada sem humor enquanto cruzava lentamente os braços tentando desesperadamente sustentar a própria dignidade.

— Claro que faz.

Edward ergueu os olhos lentamente para ela.

— Dayse não errou aquele contrato.

O maxilar masculino tencionou discretamente, mas o suficiente para confirmar tudo.

Liliana sentiu o peito apertar violentamente enquanto continuava:

— Os documentos foram adulterados antes da assinatura final, Edward. E o pior não é descobrir isso agora… o pior é perceber que você já sabia.

Os olhos azuis permaneceram presos nela em silêncio por alguns segundos antes dele finalmente responder:

— Descobri depois.

A resposta atingiu Liliana como uma lâmina.

Porque aquilo significava apenas uma coisa.

Edward sabia que Dayse era inocente e mesmo assim manteve toda aquela situação acontecendo.

Ela sentiu o estômago se contrair violentamente.

— Meu Deus…

A voz saiu quase incrédula.

— Você planejou tudo.

Edward não respondeu e o seu silêncio, apenas confirmou ainda mais.

Liliana começou a rir outra vez, mas daquela vez existia alguma coisa perigosamente quebrada no som.

— Você usou aquele “erro jurídico” para manter Dayse perto de você.

Edward ergueu minimamente o rosto.

— Cuidado com a maneira como fala da minha vida pessoal.

Minha vida pessoal.

A frase atravessou Liliana de maneira tão cruel que por alguns segundos ela simplesmente ficou olhando para ele sem conseguir acreditar.

Edward Fitzgerald jamais misturava emoções com trabalho.

Jamais.

Mas estava fazendo exatamente isso por Dayse Whitmore.

— Você está apaixonado por ela?

A constatação saiu baixa e dolorosa.

Edward desviou os olhos lentamente para as enormes paredes de vidro da sala como se já estivesse cansado daquela conversa antes mesmo dela terminar.

E aquilo destruiu o resto do controle emocional de Liliana.

— Meu Deus… eu fui tão idiota.

Edward voltou imediatamente o rosto na direção dela.

— Liliana acho melhor você…

— Não.

Ela interrompeu rápido enquanto aproximava alguns passos da mesa.

Os olhos dela já começavam a arder.

— Não tenta me tratar como se eu estivesse exagerando agora porque eu passei anos do seu lado, Edward. Anos.

O silêncio dele começou lentamente a irritá-la ainda mais.

— Eu estava ali o tempo inteiro. Em todas as reuniões. Em todos os eventos. Em todas as crises dessa empresa. Sempre tentando ser boa o suficiente para você olhar para mim pelo menos uma única vez da maneira como olha para ela.

Edward fechou os olhos discretamente por um segundo.

— Você sabe o que é mais humilhante?

A voz dela falhou minimamente.

— É perceber que eu te amo há anos… enquanto você provavelmente já estava apaixonado pela Dayse sem sequer perceber.

Edward respirou fundo antes de responder no mesmo tom controlado:

— Eu nunca prometi nada para você além do que nós tínhamos.

A frase atravessou Liliana com violência.

Porque era a verdade mais cruel de todas.

Ele nunca prometeu amor. Nunca prometeu relacionamento, nem mesmo futuro.

Mas ainda assim doeu. Do jeito mais humilhante possível.

Desesperada.

Quase dolorosamente vulnerável.

Liliana ficou levemente na ponta dos pés enquanto aproximava o rosto do dele numa tentativa desesperada de arrancar qualquer reação emocional antes que fosse tarde demais, mas a pior parte foi perceber que Edward já recuava minimamente antes mesmo que os lábios dela o alcançassem.

Aquilo a destruiu.

Edward segurou os braços dela imediatamente, firme e controlado, interrompendo a aproximação antes do beijo acontecer de verdade, enquanto os olhos azuis permaneciam perigosamente escuros diante daquela insistência emocional que começava lentamente a perder o controle.

— Pare com isso, Liliana.

A voz masculina saiu baixa e cortante o suficiente para fazê-la estremecer.

Mas ela ainda tentou outra vez.

Tentou tocar o rosto dele, segurá-lo, diminuir a distância entre os dois como se alguma parte desesperada dentro dela ainda acreditasse que, se insistisse o suficiente, Edward finalmente quebraria aquele maldito autocontrole e a olharia da maneira como olhava Dayse.

Mas não aconteceu.

Edward segurou os dois braços dela com ainda mais firmeza antes de afastá-la minimamente do próprio corpo, mantendo distância suficiente para impedir qualquer nova aproximação.

— Chega.

A palavra saiu fria, definitiva e humilhantemente sem emoção.

Liliana sentiu os olhos arderem imediatamente enquanto encarava aquele homem que continuava absurdamente inalcançável mesmo depois de anos.

— Você ama ela mesmo…

Edward soltou o ar devagar pelo nariz antes de finalmente responder:

— Isso não é da sua conta.

Liliana fechou os olhos por um segundo porque ouvir aquilo em voz alta machucava mais do que ela imaginou que machucaria. Ela desviou o rosto tentando esconder a própria humilhação enquanto sentia lágrimas ameaçando surgir, mas se recusava violentamente a permitir que Edward a visse desmoronar daquele jeito.

O silêncio voltou a dominar a sala por alguns segundos antes de Edward finalmente soltar os braços dela devagar.

Quando voltou a falar, a voz masculina já tinha recuperado completamente a frieza corporativa.

— Acho melhor transferirmos você para outro setor da empresa por um tempo.

Liliana ergueu os olhos incrédula.

— Você está me afastando?

Edward sustentou o olhar dela sem hesitação.

— Estou tentando evitar que essa situação piore ainda mais.

Aquilo foi pior do que qualquer rejeição.

Porque pela primeira vez em muitos anos Liliana percebeu uma verdade humilhante demais para ignorar:

Edward Fitzgerald já tinha escolhido Dayse Whitmore muito antes dela sequer perceber que existia uma disputa.

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