“O orgulho feminino começa a morrer no instante em que uma mulher percebe que nunca foi o lugar onde um homem realmente quis permanecer.”
Liliana Hart
O pior tipo de humilhação nunca foi dividir a cama de um homem.
O verdadeiro problema começava no instante em que uma mulher percebia que, mesmo depois de anos atravessando a intimidade masculina, ela ainda continuava sendo apenas alguém temporário na vida dele.
O elevador descia lentamente pelos andares da Fitzgerald Corporation enquanto eu permanecia imóvel encarando o próprio reflexo distorcido nas paredes espelhadas, tentando inutilmente controlar a pressão sufocante que apertava meu peito desde o instante em que Edward me olhou naquela sala sem amor nenhum.
Porque talvez exatamente aquela tenha sido a parte mais cruel de tudo.
Não a rejeição, nem a discussão, ou a humilhação de praticamente implorar por um homem que jamais pertenceu a mim.
O que realmente destruiu alguma coisa dentro de mim foi finalmente perceber que, depois de tantos anos, Edward Fitzgerald ainda continuava incapaz de olhar para mim da maneira como olhava para Dayse sem sequer perceber que estava fazendo aquilo.
Fechei os olhos por um segundo enquanto sentia a garganta apertar dolorosamente.
Eu tinha passado anos inteiros tentando me encaixar na vida daquele homem.
Anos.
E talvez o pior fosse admitir que eu realmente acreditei que, em algum momento, Edward acabaria escolhendo ficar.
Porque nós transávamos.
Sempre transamos.
A lembrança atravessou minha cabeça de maneira amarga.
As madrugadas dentro de hotéis luxuosos depois de eventos corporativos. As viagens internacionais. As reuniões terminando tarde demais. O corpo dele sobre o meu. O jeito controlado como Edward sempre me tocava, como se até durante o sexo alguma parte racional dentro da cabeça dele ainda permanecesse perigosamente no controle da situação inteira.
Mas agora, olhando para trás, eu finalmente entendi uma verdade devastadora demais para continuar ignorando.
Edward nunca dormiu ao meu lado, nem uma única vez.
Depois do sexo, ele sempre ia embora. Ou então era eu quem precisava sair. E durante anos eu aceitei aquilo porque me convenci de que homens como Edward Fitzgerald simplesmente não pertenciam emocionalmente a ninguém.
Mas Dayse mudou isso.
A percepção foi tão cruel que precisei apoiar uma das mãos contra a parede espelhada do elevador por alguns segundos enquanto tentava recuperar o próprio equilíbrio emocional.
Porque agora eu conseguia enxergar perfeitamente a diferença.
Edward dividia noites comigo, mas estava começando lentamente a dividir a vida com ela.
E existia um abismo humilhante entre essas duas coisas.
A porta do elevador finalmente se abriu no estacionamento privativo da empresa, mas eu continuei parada por alguns segundos antes de finalmente caminhar até o carro sentindo os saltos ecoarem pelo espaço silencioso enquanto a dor começava lentamente a se transformar em alguma coisa pior.
Ressentimento.
Procurei a chave do carro dentro da bolsa com pressa demais, mas meus dedos tremiam tanto que ela escorregou da minha mão antes de atingir o chão do estacionamento com um som metálico seco.
Fechei os olhos imediatamente.
Ridículo.
Absolutamente ridículo.
Porque eu estava tremendo por causa de um homem que provavelmente naquele exato instante nem sequer pensava mais na discussão que acabou de destruir alguma coisa dentro de mim.
Me abaixei rápido para pegar a chave enquanto inspirava fundo várias vezes tentando recuperar o mínimo de controle antes de entrar no carro.
Porque durante anos eu tentei ser exatamente o tipo de mulher que faria sentido ao lado de Edward Fitzgerald.
Elegante.
Inteligente.
Controlada.
Aquela mulher estava lentamente transformando Edward no tipo de homem que eu passei anos esperando que ele se tornasse comigo.
Minha mandíbula tencionou imediatamente enquanto meus dedos apertavam o volante com força.
Porque agora tudo fazia sentido.
Edward Fitzgerald estava apaixonado há muito mais tempo do que eu imaginava. E talvez o pior fosse perceber que nem ele próprio tinha entendido isso imediatamente.
Fechei os olhos tentando controlar a própria cabeça, mas quanto mais pensava nela dentro da cobertura dele, pior ficava.
Porque pela primeira vez eu finalmente compreendi uma verdade humilhante demais para ignorar:
Eu nunca fui a mulher que Edward Fitzgerald quis acordar ao lado. Nunca fui a mulher que ele quis transformar em rotina. Nunca fui a mulher que ele quis levar para dentro da própria vida.
Eu era apenas a mulher que dividia o corpo dele.
Dayse era a mulher que estava começando lentamente a possuir todo o resto.
A dor atravessou meu peito de maneira tão brutal que precisei respirar fundo várias vezes antes de abrir os olhos outra vez.
E uma coisa mudou silenciosamente dentro de mim.
Porque a dor feminina quando não encontra amor normalmente encontra obsessão.
E naquele instante eu já não conseguia mais pensar em me afastar.
Não depois da humilhação daquela sala. Não depois de perceber que Edward já tinha escolhido Dayse muito antes de eu sequer entender que existia uma disputa.
A respiração saiu devagar pelo nariz enquanto meus olhos se fixaram friamente no para-brisa.
Edward Fitzgerald talvez finalmente tivesse encontrado a mulher que amava.
Mas homens apaixonados também podem sangrar.
E Dayse Whitmore estava prestes a descobrir exatamente o que acontece quando uma mulher que passou anos tentando ser escolhida finalmente percebe que nunca significou absolutamente nada.

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