“Edward Fitzgerald não precisava aparecer para destruir alguém.
Manhattan fazia o trabalho por ele.”
O verdadeiro problema de provocar homens como Edward Fitzgerald nunca foi a raiva deles.
Foi o silêncio que vinha depois.
— Como assim vocês estão suspendendo a campanha? — perguntou num tom mais duro enquanto endireitava lentamente a postura na cadeira.
O diretor comercial ergueu os olhos imediatamente.
Stephanie apertou o telefone com mais força.
— Nós já temos um contrato assinado.
Silêncio.
A mandíbula feminina começou a endurecer devagar.
— Entendi.
Ela desligou bruscamente.
Mas antes mesmo que tivesse tempo de organizar os próprios pensamentos, outro telefone começou a tocar do lado de fora da sala.
Depois outro.
E mais outro.
Uma assistente atravessou a redação praticamente correndo enquanto segurava uma pilha de documentos contra o peito e falava alguma coisa apressada para o setor financeiro.
O ambiente começou lentamente a mudar.
Os jornalistas já não pareciam animados, pareciam tensos.
Stephanie percebeu isso imediatamente.
O celular dela vibrou outra vez.
Mais um e-mail.
Cancelamento de contrato publicitário.
Outro chegou segundos depois.
Suspensão temporária de parceria institucional.
Depois outro.
Patrocinadores solicitando afastamento imediato da imagem da revista. Empresas retirando campanhas publicitárias. Parceiros jurídicos exigindo reuniões emergenciais antes do fechamento do mercado.
E então a redação inteira começou lentamente a mergulhar num caos desconfortável.
Funcionários atravessavam os corredores rápido demais. Vozes começaram a se sobrepor. Computadores disparavam notificações sem parar enquanto olhares cada vez mais tensos surgiam discretamente na direção dela.
E pela primeira vez naquele dia Stephanie Seymour pareceu perder parte do próprio controle.
Os dedos femininos começaram a deslizar nervosamente pela tela do celular enquanto ela respondia mensagens numa velocidade ansiosa demais para alguém que normalmente mantinha absoluta frieza diante de crises públicas.
Então veio o terceiro golpe e aquele foi o pior de todos.
Porque não envolveu dinheiro e sim, humilhação pública.
Stephanie franziu a testa ao perceber uma nova notificação surgindo na tela do celular antes de abrir rapidamente a publicação que acabava de ser compartilhada por um dos próprios contatos usados na matéria.
A nota oficial era curta, fria e direta. Negando qualquer participação na reportagem.
O estômago dela se contraiu imediatamente.
— Não… — murmurou quase sem perceber.
Os olhos começaram a percorrer a tela enquanto novas atualizações surgiam sem parar diante dela.
Portais começaram rapidamente a questionar a credibilidade da reportagem. Perfis jurídicos passaram a discutir ética jornalística.
Stephanie apertou o celular com mais força ao perceber um jornalista corporativo deletando publicamente uma postagem onde anteriormente defendia a matéria.
Outro compartilhou uma nota dizendo que a revista talvez tivesse ultrapassado limites perigosos demais. Outro simplesmente deixou de mencionar o nome dela.
E aquilo foi ainda pior.
Porque silêncio dentro da imprensa normalmente significava afastamento.
Os dedos femininos começaram a esfriar lentamente enquanto ela observava jornalistas corporativos se distanciando dela em tempo real diante dos próprios olhos.
E em menos de duas horas o nome de Stephanie Seymour já começava a circular por Manhattan não como a jornalista corajosa que enfrentou Edward Fitzgerald, mas como a mulher que talvez tivesse cometido o maior erro da própria carreira.
— Não… — ela murmurou baixo enquanto encarava o celular. — Não, isso não está acontecendo.
A respiração começou a encurtar.
Os dedos apertaram lentamente a lateral da mesa enquanto ela tentava organizar os próprios pensamentos em meio ao caos crescente ao redor.
Então ergueu os olhos rapidamente para o diretor comercial.
— Quem está fazendo isso?
O homem sustentou silêncio durante alguns segundos.
E aquilo foi suficiente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe