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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 208

“O verdadeiro problema de homens controlados nunca foi o silêncio. Foi o instante em que eles começaram a sentir demais.”

O expediente já deveria ter terminado há uma hora, mas Dayse ainda permanecia sentada diante do computador parcialmente desligado enquanto observava distraidamente o reflexo cansado da própria imagem na tela escura, claramente incapaz de organizar os próprios pensamentos depois do caos absurdo que tinha acontecido ao longo daquele dia.

A verdade era que absolutamente nada parecia normal desde a publicação da matéria.

E o pior de tudo era perceber que não tinha sido apenas a internet que mudou depois daquilo.

A Fitzgerald Corporation inteira mudou.

O departamento jurídico, normalmente barulhento, provocador e cheio de comentários atravessados entre processos, contratos e prazos impossíveis, permanecia silencioso demais naquele final de expediente, tomado por uma tensão desconfortável que parecia crescer sempre que alguém passava perto da mesa dela.

Dayse percebeu aquilo desde cedo.

Percebeu os olhares discretos. As conversas interrompidas. Os celulares abaixados rápido demais sempre que ela se aproximava.

Mas ninguém ousou comentar absolutamente nada sobre a matéria perto dela.

Edward Fitzgerald tinha deixado aquilo extremamente claro poucas horas antes.

O presidente da Fitzgerald Corporation atravessou o departamento jurídico naquela tarde carregando nos ombros um tipo de silêncio perigosamente controlado que fez o ambiente inteiro parar antes mesmo que ele abrisse a boca, e bastaram poucos minutos para que todos entendessem que mencionar Dayse Whitmore naquele escritório havia deixado de ser uma possibilidade minimamente inteligente.

Ele não elevou a voz. Não ameaçou diretamente ninguém.

Mas a maneira como sustentou o olhar frio sobre o departamento inteiro enquanto dizia que qualquer comentário envolvendo Dayse seria tratado como falta grave foi suficiente para fazer dezenas de advogados experientes permanecerem em absoluto silêncio imediatamente.

E aquilo tinha assustado todo mundo.

Inclusive ela.

Marina e Clara já tinham ido embora fazia alguns minutos, embora Clara tivesse claramente adiado a saída o máximo possível depois de ver o presidente atravessar o departamento jurídico mais cedo carregando uma expressão perigosamente controlada que transformou o ambiente inteiro num silêncio desconfortável quase imediato, deixando até os advogados mais arrogantes da Fitzgerald Corporation cautelosos demais para ousarem comentar qualquer coisa sobre Dayse na frente dele.

— Eu só vou embora porque tenho quase certeza de que o seu noivo vai cuidar muito bem de você mais tarde. — Clara murmurou enquanto colocava a bolsa no ombro e estreitava os olhos dramaticamente na direção de Dayse. — E sinceramente? Do jeito que Edward Fitzgerald ficou hoje depois daquela matéria… eu não acho minimamente inteligente ficar entre um homem emocionalmente abalado e a mulher que ele claramente está tentando proteger.

Marina imediatamente arregalou os olhos antes de empurrar discretamente o braço da amiga.

— Clara, pelo amor de Deus…

— O quê? Eu estou sendo madura. — ela rebateu num tom defensivo enquanto erguia as duas mãos. — Inclusive estou indo embora justamente para preservar minha integridade física caso aquele homem resolva entrar aqui e agarrar a nossa amiga bem em cima dessa mesa.

Dayse sentiu o rosto esquentar imediatamente.

— Clara!

Mas a amiga apenas sorriu daquele jeito provocador e perigosamente observador que normalmente surgia sempre que percebia coisas que ninguém mais tinha coragem de verbalizar.

— Eu estou falando sério. — completou mais baixo daquela vez enquanto observava Dayse com atenção. — O seu noivo ficou diferente hoje. E homens como ele normalmente ficam ainda mais perigosos quando alguma coisa mexe emocionalmente com eles daquele jeito.

Dayse quase sorriu lembrando daquilo.

No fundo ela também estava nervosa. Principalmente porque Edward tinha pedido para que ela esperasse por ele.

E aquilo sozinho já era suficiente para deixar o coração dela acelerado desde o instante em que o expediente terminou.

Os dedos femininos deslizaram lentamente pela lateral da própria bolsa enquanto ela olhava o relógio outra vez, tentando controlar a ansiedade que crescia dentro dela.

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