O verdadeiro perigo de homens controlados nunca foi a raiva. Foi o instante em que eles começaram a amar alguém demais.
Os dois entraram na cobertura em silêncio absoluto, e a tensão emocional entre eles era tão densa que parecia preencher todo o ar do ambiente elegante. Dayse mal teve tempo de deixar a bolsa sobre o sofá antes de virar o corpo na direção de Edward, abrindo a boca para finalmente falar sobre tudo o que havia acontecido naquele dia caótico.
— Edward, nós precisamos conversar sobre aquela matéria e sobre o que você fez no departamento hoje, porque eu não consigo…
Ele não deixou que ela terminasse a frase.
Edward segurou o rosto dela com as duas mãos e a beijou com urgência, um beijo profundo e possessivo que roubou o ar dos pulmões dela. Dayse tentou resistir por um segundo, mas logo cedeu, segurando os braços dele enquanto correspondia ao beijo.
Quando ele finalmente se afastou alguns centímetros, ainda com as mãos no rosto dela, Edward a encarou e disse com a voz baixa e firme:
— Eu odiei aquele artigo. — murmurou rouco. — Odiei ver pessoas falando de você daquela maneira.
O coração de Dayse apertou imediatamente.
Porque Edward Fitzgerald raramente verbalizava sentimentos. Mas naquela noite ele parecia emocionalmente incapaz de continuar escondendo tudo atrás de silêncio e controle.
— Isso não vai se repetir. Ninguém mais vai falar de você daquela forma. Eu já cuidei de tudo.
Dayse sentiu o coração acelerar ao perceber a determinação no tom dele. Edward segurou a mão dela e a conduziu pelo corredor até o quarto principal sem dizer mais nenhuma palavra. Assim que entraram no quarto, ele parou, olhou para ela por alguns segundos e murmurou:
— Vamos tomar um banho?
Dayse sentiu o rosto esquentar imediatamente, enquanto um rubor intenso subindo pelas bochechas, mas assentiu, aceitando o convite.
No banheiro, Dayse começou a tirar a roupa devagar sob o olhar atento de Edward, que permanecia encostado na bancada de mármore observando cada movimento dela com os olhos semicerrados. Quando ela ficou completamente nua, entrou no box espaçoso e ligou o chuveiro. A água quente começou a cair sobre seu corpo. Edward tirou a própria roupa sem pressa, revelando o corpo musculoso, e entrou no box logo em seguida.
Edward a puxou para si imediatamente no instante em que entrou no box, colando os corpos molhados enquanto a água quente escorria lentamente pela pele dos dois e o vapor começava a tomar conta do banheiro inteiro.
Mas daquela vez não parecia apenas desejo. Parecia alguma coisa muito mais intensa.
Muito mais emocional.
O beijo que veio em seguida foi profundo, lento e desesperadamente carregado de sentimentos que ele normalmente passava a vida inteira tentando esconder atrás de controle, silêncio e racionalidade.
Os dedos masculinos deslizaram devagar pela cintura dela antes de subirem lentamente até o rosto feminino, segurando-o com um cuidado quase contraditório diante da intensidade absurda com que ele a beijava.
Dayse sentiu o coração apertar imediatamente.
Porque existia urgência, mas também existia carinho.
Edward encostou a testa na dela por alguns segundos enquanto tentava reorganizar a própria respiração, mantendo os olhos fechados como se ainda estivesse lutando silenciosamente contra alguma coisa dentro da própria cabeça.
— Eu odiei aquilo. — murmurou rouco.
Dayse piscou devagar.
— O quê?
Os olhos masculinos finalmente se abriram.
E a intensidade que atravessou o olhar dele fez a respiração dela vacilar imediatamente.
— Ver aquelas pessoas falando de você daquele jeito. — respondeu baixo enquanto os dedos acariciavam lentamente a lateral do rosto dela. — Ver Manhattan inteira olhando para você como se tivesse o direito de transformar a sua vida em espetáculo.

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