“Existem medos que ficam menores quando deixam de ser carregados em silêncio.”
Dayse Whitmore acordou sozinha na cama de Edward Fitzgerald, usando apenas uma camisa branca dele que ainda carregava o cheiro discreto do perfume masculino misturado ao tecido macio, e por alguns segundos permaneceu imóvel entre os lençóis, tentando entender por que o apartamento parecia silencioso demais naquela manhã.
A mão dela procurou instintivamente o outro lado da cama.
Estava vazio.
O travesseiro de Edward ainda conservava uma leve marca, como se ele tivesse saído há pouco, e aquilo fez Dayse piscar devagar enquanto uma sensação estranha atravessava seu peito, porque, depois de tantos dias cercada pela presença dele, acordar sem Edward ao lado parecia mais desconfortável do que ela gostaria de admitir.
Ela se sentou com cuidado, levando uma das mãos à cabeça ao sentir um enjoo leve, menos intenso do que no dia anterior, mas ainda suficiente para lembrá-la de tudo o que continuava tentando organizar dentro de si.
Então viu o bilhete sobre o criado-mudo.
A letra firme de Edward preenchia poucas linhas em um papel simples, e Dayse o pegou com dedos hesitantes antes de ler.
“Fui resolver uma coisa com meu avô. Não saia sem comer. Me liga quando acordar. — E.”
Dayse fechou os olhos por um instante.
Era tão Edward que quase doía.
Frio o suficiente para transformar o cuidado em ordem, mas atento demais para fingir que não se importava.
Ela levou o bilhete contra o peito por alguns segundos antes de soltá-lo sobre o lençol e passar lentamente a mão pelo próprio ventre, ainda escondido sob a camisa masculina grande demais para seu corpo.
A palavra continuava impossível.
Grávida.
Ela estava grávida. Grávida de Edward Fitzgerald.
E, ainda assim, o homem que havia deixado aquele bilhete, que tinha adiado reuniões por ela, que a abraçou durante a madrugada e que saiu cedo para conversar com o avô sem sequer saber da maior verdade entre os dois, continuava completamente alheio ao fato de que sua vida também estava prestes a mudar.
Dayse levantou devagar, caminhou descalça até a sala e parou diante das enormes janelas da cobertura, observando Manhattan com os braços cruzados sobre o corpo, enquanto tentava ignorar o aperto constante no peito.
Não sabia quanto tempo ficou ali.
Talvez minutos ou tempo suficiente para perceber que estava com medo de tudo.
Medo de contar. Medo da reação dele. Medo de ver Edward recuar exatamente quando ela começava a acreditar que ele finalmente estava ficando.
O som da campainha ecoou pelo apartamento e fez Dayse se virar depressa, com o coração acelerando de imediato.
Por um segundo absurdo, pensou que pudesse ser Edward voltando antes do previsto.
Mas, quando caminhou até a porta e abriu, encontrou Clara segurando uma sacola de cafeteria em uma das mãos e Marina com uma expressão séria demais ao lado dela e a sensação imediata de que as duas tinham vindo preparadas para impedir que ela desmoronasse sozinha.
— Antes que você diga qualquer coisa — Clara começou, entrando sem pedir licença, com uma expressão dramática que não combinava com os olhos vermelhos —, eu trouxe café, pão doce, algo teoricamente saudável que Marina me obrigou a comprar e um chocolate que eu escondi dela porque hoje ninguém tem estrutura emocional para cenoura.
Marina entrou logo atrás, fechando a porta com cuidado.
— Eu não obriguei você a comprar cenoura.
— Você olhou para uma salada de frutas com aprovação, Marina, e isso já foi violento o suficiente.
Dayse tentou sorrir, mas o rosto tremeu antes que o sorriso se formasse direito.
Clara percebeu na hora e a brincadeira desapareceu um pouco dos olhos dela.
— Ah, Day...
Foi só isso.
A voz da amiga, baixa e preocupada, bastou para fazer Dayse sentir as lágrimas voltarem com uma força que ela já estava cansada demais para tentar esconder.
Marina se aproximou primeiro, deixando a bolsa sobre o sofá antes de segurar a mão dela com firmeza.
— Você dormiu?
Dayse assentiu sem muita convicção.
— Um pouco.
Clara tirou os óculos escuros e encarou o rosto dela com atenção.
— E Edward?
— Saiu.
— Saiu para onde?
— Foi falar com o avô.
Clara franziu a testa.
— Ele já sabe?
Dayse arregalou os olhos imediatamente.
— Não.
Clara levou a mão ao peito e soltou o ar devagar.
— Ainda bem.
Marina fechou os olhos por um segundo.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe