"Alguns homens só descobrem o quanto amam quando o medo de perder alguém se torna maior do que o medo de sentir."
Edward Fitzgerald passou a vida inteira acreditando que qualquer problema podia ser resolvido.
Por isso, descobrir que não fazia ideia de como ajudar a mulher que amava era uma sensação que o deixava perigosamente inquieto.
Porque, pela primeira vez em muito tempo, não sabia o que fazer.
A imagem de Dayse continuava voltando à sua cabeça.
Os olhos vermelhos, a voz baixa, o pedido por tempo.
E, principalmente, o medo.
E aquilo o estava destruindo.
Quando estacionou diante da casa dos avós, permaneceu alguns segundos dentro do carro com as mãos apoiadas sobre o volante e os olhos fixos na fachada conhecida da propriedade, como se estivesse tentando organizar os próprios pensamentos antes de entrar.
Não conseguiu.
Porque o problema não era falta de raciocínio.
Era excesso de sentimento.
E aquilo ainda era uma linguagem que Edward Fitzgerald não dominava completamente.
Quando entrou na residência, encontrou Margareth na sala principal organizando algumas flores recém-chegadas.
Ela ergueu os olhos e imediatamente percebeu que havia algo errado.
— Edward?
Ele se aproximou e beijou a testa do neto.
— O vovô está em casa?
Margareth observou o neto durante alguns segundos. Tempo suficiente para perceber a tensão discreta na mandíbula dele, o olhar distante e a forma como parecia cansado apesar de ainda ser cedo.
— Está no jardim.
Edward assentiu.
— Obrigado.
Ela não o impediu. Mas continuou observando enquanto ele atravessava a casa. Havia algo diferente naquele homem.
Algo que ela esperava ver há muito tempo.
Augustus Fitzgerald estava sentado próximo ao lago dos fundos, tomando café e lendo o jornal da manhã quando ouviu os passos se aproximando.
Levantou os olhos e fechou o jornal imediatamente.
— Isso parece sério.
Edward puxou a cadeira diante dele e se sentou.
— É.
Augustus apoiou os braços sobre a mesa.
— Então me conte.
O silêncio durou alguns segundos. Até Edward finalmente passar a mão pela mandíbula antes de falar.
— Eu acho que alguma coisa está acontecendo com a Dayse.
Augustus permaneceu em silêncio apenas ouvindo.
— Ela está assustada.
Edward desviou os olhos para o lago.
— Muito mais do que quer admitir.
— E você perguntou?
— Perguntei.
— E ela respondeu?
— Pediu tempo.
Augustus assentiu lentamente.
— E isso te incomoda?
Edward soltou uma risada baixa, sem humor.
— Não.
O avô arqueou uma sobrancelha.
— Não?
— O que me incomoda é não saber como ajudá-la.
A resposta saiu rápida, honesta, sem filtros.
E os dois perceberam.
Edward apoiou os cotovelos sobre os joelhos e passou a mão pelos cabelos.
— Eu consigo ver que alguma coisa está errada.
A voz saiu mais baixa.
— Consigo ver que ela está tentando lidar com isso sozinha.
Ele respirou fundo.
— E eu odeio isso.
Augustus permaneceu imóvel. Porque nunca tinha ouvido o neto falar daquela forma.
— Eu continuo tentando respeitar o espaço dela.
Edward ergueu os olhos.
— Mas toda vez que olho para Dayse tenho a sensação de que ela está carregando alguma coisa pesada demais sem me deixar ajudar.
Augustus observou o neto durante alguns segundos.
Então perguntou:
— Você ama essa mulher?
Não foi uma pergunta difícil. Pelo menos não deveria ser. Mas Edward permaneceu imóvel. Porque durante anos acreditou que amar alguém era uma fraqueza. Que depender emocionalmente de outra pessoa era um risco desnecessário. Que sentimentos atrapalhavam decisões.
— Eu pensava nela durante reuniões, viagens, negociações e até durante conversas importantes.
O sorriso aumentou minimamente.
— Foi extremamente irritante.
Edward balançou a cabeça.
— Parece familiar.
— Porque é.
Augustus apoiou a xícara sobre a mesa.
— E sabe qual era o verdadeiro problema?
— Qual?
— Eu estava com medo.
Edward permaneceu atento.
— Medo de precisar dela mais do que deveria. Medo de depender emocionalmente de alguém, de descobrir que existia uma pessoa capaz de me deixar completamente perdido apenas ficando triste.
A frase atingiu Edward em cheio.
Porque era exatamente aquilo.
Augustus observou a reação do neto.
— Eu não escolhi sua avó porque deixei de sentir medo.
A voz ficou mais firme.
— Eu escolhi sua avó apesar do medo. E você precisa fazer o mesmo.
Edward sustentou o olhar dele.
— Como?
Augustus abriu um pequeno sorriso.
— Escolhendo Dayse todos os dias.
A resposta veio simples.
— Sem contrato, desculpas, sem fingir que isso ainda é uma negociação. A escolhendo porque a ama.
Dentro da casa, parada atrás da porta da varanda, Margareth levou a mão à boca.
Os olhos estavam marejados. Ela havia esperado anos para ver o neto falar daquela forma sobre alguém.
Sem dizer uma única palavra, pegou a própria bolsa.
Edward e Augustus continuaram conversando. Nenhum dos dois percebeu quando ela saiu.
Porque Margareth Fitzgerald tinha acabado de tomar uma decisão.
Se Edward ainda estava aprendendo a admitir o que sentia, talvez fosse hora de alguém ajudar Dayse a acreditar nisso também.
Do outro lado da cidade, Dayse Whitmore ainda não fazia ideia de que, nas próximas horas, Clara, Marina e Margareth Fitzgerald entrariam em sua vida com a mesma missão:
Fazê-la parar de fugir da felicidade que tinha tanto medo de perder.

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