"Existem notícias que mudam uma vida inteira porque, pela primeira vez, fazem o futuro parecer mais importante do que o passado."
Os joelhos de Edward Fitzgerald tocaram o chão antes mesmo que ele conseguisse organizar os próprios pensamentos, porque a notícia parecia grande demais para ser absorvida de uma só vez e, pela primeira vez em muitos anos, ele simplesmente não encontrou forças para permanecer de pé.
A mão ainda permanecia presa à de Dayse, os dedos apertados ao redor dos dela de forma involuntária, enquanto a respiração continuava irregular e o coração parecia incapaz de acompanhar tudo o que estava acontecendo naquele instante.
A chuva continuava batendo contra as janelas do apartamento de Daniel e Manhattan seguia seu ritmo habitual do lado de fora, mas Edward já não conseguia ouvir nada disso, porque toda a sua atenção permanecia presa à mulher diante dele e à realidade que acabara de transformar sua vida.
Naquele instante, tudo o que realmente importava estava diante dele: Dayse e o filho que crescia no ventre de Dayse.
Fruto do amor dos dois.
Os olhos dele desceram lentamente até a barriga dela e voltaram a subir para o rosto dela logo em seguida, repetindo o movimento mais de uma vez, como se sua mente ainda precisasse confirmar aquilo antes de permitir que seu coração acreditasse completamente.
Dayse observava cada mudança atravessando o rosto dele, desde o choque inicial que o deixou completamente imóvel até a emoção que marejou seus olhos e a felicidade incrédula que começava a surgir lentamente no canto dos seus lábios.
Edward passou uma das mãos pelo rosto molhado, tentando respirar, mas o gesto apenas denunciou ainda mais o quanto estava abalado, porque seus dedos tremiam discretamente e as lágrimas que ele tentou conter escaparam mesmo assim.
Não eram lágrimas discretas, nem controladas, e talvez justamente por isso tenham atingido Dayse com tanta força, porque vinham de um homem que sempre havia aprendido a esconder tudo atrás de frieza, poder e silêncio.
— Tem um bebê... — a voz falhou no meio da frase, e Edward soltou uma pequena risada incrédula enquanto balançava a cabeça devagar, como se ainda estivesse tentando entender como o mundo podia mudar de forma tão absoluta em apenas alguns segundos.
Ele voltou a olhar para a barriga dela, dessa vez com uma expressão diferente, mais terna, mais assustada e, ao mesmo tempo, mais emocionada do que Dayse já tinha visto em seu rosto.
— Tem um bebê aqui.
Dayse levou uma das mãos à boca, tentando conter o choro, mas era impossível controlar qualquer coisa diante daquele homem ajoelhado à sua frente, encharcado pela chuva e completamente desarmado pela notícia de que seria pai.
— Nosso? — perguntou ele, com a voz baixa e quase insegura, como se precisasse ouvir mais uma vez, como se aquela palavra fosse preciosa demais para ser dita apenas uma vez.
Dayse assentiu devagar, sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto enquanto a mão livre subia até os cabelos molhados dele.
— Nosso.
Edward fechou os olhos por apenas um segundo, mas foi tempo suficiente para que a notícia deixasse de ser apenas uma frase, deixasse de ser uma possibilidade distante e se transformasse em realidade dentro dele.
Ele seria pai de verdade, e a simples compreensão daquela verdade foi suficiente para fazer seu peito apertar de uma forma que nenhuma conquista profissional, nenhum contrato bilionário e nenhum momento da sua vida havia conseguido provocar.
Com movimentos lentos, quase reverentes, Edward aproximou as duas mãos da barriga de Dayse e a tocou pela primeira vez sabendo exatamente o que aquele gesto significava.
Os dedos repousaram sobre ela com uma delicadeza quase cuidadosa demais, como se tivesse medo de pressionar além do necessário, como se aquele pequeno gesto exigisse mais respeito do que qualquer coisa que já tivesse segurado na vida.
Dayse olhou para baixo e viu as mãos dele ali, grandes, firmes e trêmulas ao mesmo tempo, cobrindo sua barriga ainda discreta com uma emoção tão evidente que seu coração se apertou.
Edward abaixou a cabeça devagar, aproximando o rosto da barriga dela, e por alguns segundos permaneceu apenas ali, respirando com dificuldade enquanto tentava aceitar que, dentro da mulher que amava, existia uma vida que também era dele.
— Nosso filho... — murmurou, e a voz saiu tão baixa que quase se perdeu no som da chuva.
Dayse fechou os olhos, levando os dedos aos cabelos dele enquanto uma nova onda de emoção atravessava seu peito.
— Nosso filho — repetiu, com a voz embargada.
Edward soltou uma respiração trêmula antes de encostar a testa contra a barriga dela, e naquele gesto não havia pressa, orgulho ou qualquer tentativa de parecer forte.
Havia apenas amor, medo e gratidão.
E um homem que, pela primeira vez em muito tempo, parecia finalmente entender que o futuro não era algo que precisava controlar, mas algo que podia amar.
— Eu vou cuidar de vocês — disse, ainda com a testa encostada nela, enquanto as mãos permaneciam firmes em sua cintura. — Eu juro, Dayse. Eu vou cuidar de você e do nosso filho.
Dayse tentou responder, mas a emoção apertou sua garganta, e tudo o que conseguiu fazer foi acariciar os cabelos molhados dele, enquanto chorava em silêncio.

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