"Algumas pessoas esperam meses para se sentir pais. Outras se apaixonam no mesmo instante em que descobrem que existe uma nova vida esperando por elas."
Daniel não esperava encontrar silêncio quando voltou para a sala. Muito menos aquele tipo de silêncio.
Não era um silêncio pesado e desconfortável. Era um silêncio diferente, interrompido apenas por uma voz masculina baixa, divertida e estranhamente emocionada, que chegava do outro lado da porta entreaberta.
Por isso seus passos diminuíram automaticamente e então ele ouviu Edward.
— Eu sei que nós ainda não nos conhecemos oficialmente, mas acho importante começarmos algumas conversas desde cedo.
Daniel arqueou uma sobrancelha e, movido pela curiosidade, atravessou a porta da sala apenas para parar alguns segundos depois, tentando absorver a cena que se desenrolava diante dos seus olhos.
Edward Fitzgerald estava ajoelhado diante do sofá as duas mãos permaneciam apoiadas sobre a barriga de Dayse, que observava tudo com os olhos brilhando e um sorriso tão suave que Daniel não se lembrava da última vez que tinha visto a irmã parecer tão feliz.
Edward parecia completamente concentrado, e a atenção que dedicava àquela conversa era tão genuína que parecia realmente acreditar que o bebê já era capaz de ouvi-lo, entender sua voz e guardar cada palavra que dizia.
— Se você for um menino, nós vamos precisar conversar seriamente sobre algumas coisas.
Dayse começou a rir imediatamente, mas Edward ignorou completamente a interrupção porque parecia decidido a concluir aquela conversa.
— Primeiro: seu pai é um homem extremamente inteligente.
— Edward...
— Estou construindo minha imagem perante meu filho.
— Você está fazendo propaganda enganosa.
O canto da boca dele se curvou. Mas os olhos continuaram fixos na barriga dela.
— Como eu estava dizendo, eu sou extremamente inteligente e, portanto, espero que você herde essa característica.
— E a humildade também, pelo visto.
— A humildade veio da sua mãe.
Dayse levou a mão à boca para esconder o sorriso.
Edward continuou.
— Segunda coisa importante: quando seu tio Adrian aparecer dizendo que vai te ensinar alguma coisa, você ignora imediatamente.
— Isso é ridículo — Dayse protestou.
— Não é ridículo. É prevenção.
— Adrian é seu melhor amigo.
— Exatamente por isso eu sei do que estou falando.
Daniel soltou uma risada e Edward apontou para a barriga.
— Seu tio Adrian parece um adulto funcional, mas isso é uma ilusão muito bem construída. Não caia nessa armadilha.
— Ele vai ficar ofendido quando descobrir que você está falando mal dele para um bebê que nem nasceu.
— Descobrir? — Edward ergueu uma sobrancelha. — Quando ele souber que vai ser tio, ele vai surtar antes mesmo de ter tempo para ficar ofendido.
Dayse gargalhou imediatamente, porque conseguia imaginar exatamente cada uma daquelas situações.
— Isso é verdade.
— Ele vai comprar brinquedos desnecessários.
— Verdade.
— Vai tentar ensinar esportes antes da hora.
— Verdade.
— Vai aparecer na maternidade achando que faz parte da equipe médica.
Daniel passou a mão pelo rosto.
— Isso também parece verdade.
— Viu? Eu estou cercado por pessoas que reconhecem fatos.
A sala inteira caiu na gargalhada, mas Edward não tinha terminado.
Ele respirou fundo. Acariciou lentamente a barriga de Dayse e então, sua expressão mudou ficando mais suave, mais emocionada e mais vulnerável.
Porque, pela primeira vez, parecia lembrar que ainda não sabia quem estava ali.
Se era um filho ou uma filha.
Os dedos dele deslizaram devagar sobre o tecido da blusa de Dayse antes que um sorriso surgisse lentamente em seu rosto.
— Agora... se você for uma menina...
Dayse imediatamente estreitou os olhos.
— Edward...
— Não, deixa eu terminar.
— Eu conheço esse tom.
— Porque você é inteligente.
— Edward.
Mas ele já estava falando.
— Se você for uma menina, a primeira coisa que precisa saber é que seu pai vai envelhecer dez anos no dia em que você completar quinze.
Daniel começou a rir antes mesmo dele terminar.
— Quinze? — Dayse repetiu.
— Talvez doze.
— Edward!
— Estou sendo otimista.
— Você nem sabe se é uma menina!
— Não importa. Eu já estou preocupado.
A mão dele permaneceu sobre a barriga enquanto seus olhos brilhavam de uma forma quase absurda.
— Escuta uma coisa, princesa... se algum garoto aparecer dizendo que gosta de você, saiba desde já que ele está errado.
Dayse cobriu o rosto.
Daniel explodiu em gargalhadas.
Edward continuou com absoluta seriedade.
— Porque nenhum deles será bom o suficiente.
— Meu Deus.
— Nenhum.
— Edward...
— Absolutamente nenhum.
— Ela nem nasceu!
— Melhor começar a orientação cedo.
Daniel já ria tanto que precisou apoiar uma mão no encosto da poltrona.
Mas Edward parecia genuinamente angustiado.
— Estou falando sério. Eu conheço homens.
— Você é um homem.
— Exatamente. É por isso que estou preocupado.

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