"O amor não é encontrado quando tudo dá certo. É escolhido, repetidamente, depois de tudo o que poderia ter dado errado."
O silêncio que se instalou após as palavras do celebrante não foi desconfortável.
Os convidados permaneciam atentos, observando Edward e Dayse de mãos dadas diante do altar. Porque praticamente todos ali conheciam a história deles. Ou, pelo menos, conheciam partes suficientes daquela trajetória para entender o peso que aquele momento carregava.
Conheciam o empresário poderoso que durante anos construiu a própria vida sobre controle, disciplina e distância emocional, assim como conheciam a jovem que havia atravessado as portas da Fitzgerald Corporation sem imaginar que sua vida estava prestes a mudar para sempre.
O celebrante abriu um pequeno sorriso antes de voltar sua atenção para os noivos.
— Existem muitas formas de começar uma história de amor.
Alguns convidados sorriram imediatamente, porque aquela frase parecia estranhamente adequada para um casal cuja história jamais poderia ser considerada convencional.
— Algumas começam com encontros inesperados, outras com amizades que lentamente se transformam em algo maior, algumas levam anos para acontecer e outras surgem quando menos esperamos, alterando completamente o rumo das nossas vidas.
Edward sentiu os dedos de Dayse apertarem os seus.
— Mas, independentemente da forma como começam, todas enfrentam momentos capazes de colocar sentimentos à prova, e o verdadeiro amor não é aquele que jamais encontra obstáculos pelo caminho, mas aquele que continua existindo mesmo depois de enfrentá-los.
Dayse sentiu os olhos marejarem outra vez.
Porque aquelas palavras pareciam contar a história deles sem precisar mencionar absolutamente nenhum detalhe específico.
O celebrante voltou-se para Edward.
— Senhor Fitzgerald, gostaria de fazer seus votos?
Uma breve onda de expectativa atravessou o ambiente imediatamente, porque todos conheciam Edward Fitzgerald e poucos conseguiam imaginar aquele homem expondo sentimentos diante de centenas de pessoas.
Edward soltou uma respiração lenta antes de voltar-se completamente para Dayse, mantendo os olhos presos aos dela durante alguns segundos enquanto parecia organizar tudo o que desejava dizer e tentava encontrar palavras que fossem capazes de traduzir algo que, na realidade, parecia grande demais para ser colocado em frases.
Quando finalmente falou, sua voz saiu mais baixa do que o habitual, carregada por uma sinceridade e uma vulnerabilidade que raramente permitia que outras pessoas enxergassem.
— Eu passei grande parte da minha vida acreditando que controle era a única forma segura de viver.
Dayse sentiu o coração acelerar imediatamente.
— Controle sobre os negócios, controle sobre as decisões, controle sobre o futuro e sobre tudo aquilo que acontecia ao meu redor.
Ele abriu um pequeno sorriso.
Um sorriso quase constrangido.
— Então você apareceu.
Algumas risadas suaves surgiram entre os convidados.
Edward não desviou os olhos dela nem por um instante.
— E absolutamente nada continuou sob controle.
As risadas aumentaram, mas os olhos dele continuavam brilhando.
— Durante muito tempo eu acreditei que estava protegendo você das partes mais complicadas da minha vida, mas o que não percebi foi que, sem querer, também estava me protegendo da possibilidade de admitir o quanto você já tinha se tornado importante para mim.
Dayse sentiu uma lágrima escapar.
Edward percebeu imediatamente e sorriu.
— Eu cometi erros.
A sinceridade daquela frase foi suficiente para fazer o ambiente inteiro mergulhar em silêncio.
— Erros que machucaram você, erros que quase nos custaram tudo aquilo que construímos juntos e erros que me fizeram descobrir que existia algo muito mais assustador do que admitir minhas falhas.
A garganta dele travou por um instante.
Mas continuou.

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