"Alguns amores nascem em silêncio. Outros chegam fazendo barulho, derrubando planos e desmaiando no altar."
Os meses passaram de uma forma estranhamente bonita, como se a vida tivesse decidido compensar Edward e Dayse por todos os dias em que ambos acreditaram que talvez não conseguissem chegar até ali.
Helena crescia segura no ventre da mãe, Dayse estava cada vez mais radiante, apesar do cansaço natural da gravidez, e Edward Fitzgerald havia se transformado oficialmente no homem mais protetor, cuidadoso e insuportavelmente atento de Manhattan, segundo Clara, Marina, Daniel, Adrian, Augustus e a própria esposa.
Dayse não podia levantar uma sacola sem que Edward aparecesse do nada. Não podia descer uma escada sem que ele oferecesse a mão.
Não podia suspirar mais fundo sem que ele perguntasse se estava sentindo dor, fome, sono, enjoo, tontura ou qualquer outra possibilidade que sua mente de marido apavorado conseguisse imaginar.
— Edward, eu estou grávida, não inválida — disse ela certa manhã, parada diante da escada da cobertura enquanto ele permanecia ao seu lado com uma concentração absurda.
— Eu sei.
— Então por que está segurando meu cotovelo?
— Porque as escadas existem.
Dayse encarou o marido por alguns segundos.
— Essa foi a sua explicação?
— Uma excelente explicação.
Ela tentou manter a seriedade, mas acabou rindo, e Edward sorriu como se tivesse vencido apenas por ouvir aquele som.
Naquele mesmo período, outro assunto tomou conta da família com uma intensidade quase perigosa.
O casamento de Clara Vasconcelos e Adrian Keller.
Ou, como Adrian chamava em voz baixa quando achava que Clara não estava ouvindo, “a operação mais arriscada da minha vida”.
Clara queria flores demais, música demais, brilho demais, convidados demais e, segundo Adrian, emoções demais para um único ser humano sobreviver com dignidade.
Adrian queria organização. Clara queria surpresa.
Adrian queria horários. Clara queria espontaneidade.
Adrian queria uma cerimônia tranquila. Clara queria “algo que fizesse as pessoas chorarem, rirem e lembrarem para sempre”.
E, pelo brilho perigoso nos olhos dela, todos deveriam ter percebido que aquilo não era apenas uma frase bonita.
No grande dia, a cerimônia aconteceu em um jardim elegante, iluminado por luzes delicadas, flores brancas e tons suaves de rosa espalhados ao redor do altar, enquanto os convidados se acomodavam entre conversas animadas, risos baixos e aquela expectativa gostosa de quem sabia que, quando Clara estava envolvida, qualquer coisa poderia acontecer.
Adrian já estava no altar havia quinze minutos.
Pálido, tenso e com as mãos entrelaçadas diante do corpo.
Edward, ao lado dele como padrinho, parecia se divertir mais do que deveria.
— Respire — murmurou Edward.
— Eu estou respirando.
— Não parece.
— Isso é porque estou tentando calcular todas as possibilidades de desastre.
Edward olhou para ele.
— Adrian, você está casando com Clara. Não existe cálculo suficiente.
Adrian fechou os olhos por um segundo.
— Isso deveria me acalmar?
— Não. Mas é a verdade.
Do outro lado, Dayse estava sentada na primeira fileira, com uma das mãos sobre a barriga e um sorriso divertido nos lábios, observando Edward provocar o amigo com uma satisfação que ela conhecia bem demais.
Quando a música começou, Adrian ficou imóvel.
E então Clara apareceu.
Ela surgiu no início do corredor com um vestido delicado, os cabelos ruivos presos de maneira elegante, algumas mechas soltas emoldurando o rosto, os olhos brilhando de emoção e um sorriso tão largo que parecia impossível caber dentro dela.
Adrian perdeu completamente a capacidade de respirar. Toda a tensão desapareceu por um instante.
Porque era Clara.
A mulher que virava sua rotina de cabeça para baixo, que fazia perguntas impossíveis, que chorava em comerciais de margarina e depois brigava com ele por não ter chorado junto.
A mulher que transformava qualquer dia comum em uma confusão barulhenta, colorida e absurdamente feliz.
E ele a amava exatamente assim.
Clara chegou ao altar tentando não chorar, o que, considerando seu histórico recente, já era uma vitória significativa.
— Você está pálido — sussurrou.
— Você está atrasada.
— Cinco minutos.
— Dezessete.
— Você contou?
— Eu sou eu.
Clara sorriu.
— Por isso eu vou casar com você.
Adrian engoliu em seco, e o constrangimento emocionado em seu rosto fez Clara apertar os lábios para não rir.
A cerimônia começou leve, bonita e surpreendentemente tranquila.
Pelo menos durante os primeiros minutos.
Os votos de Adrian foram organizados, emocionantes e tão cuidadosamente escritos que fizeram Clara chorar antes da terceira frase, o que obrigou Marina a entregar um lenço e Edward a murmurar que aquilo era um novo recorde.
Quando chegou a vez de Clara, ela segurou as mãos de Adrian com força e respirou fundo.
— Eu pensei em escrever algo sério, porque sei que você gosta de coisas bem feitas, planejadas e minimamente coerentes.
Adrian abriu um sorriso pequeno.
— Obrigado por reconhecer.
— Mas eu também sei que você me ama justamente porque minha vida inteira parece uma mala aberta em cima da cama, então decidi ser sincera.
As risadas surgiram entre os convidados e Adrian balançou a cabeça, já vermelho.
— Clara...
— Eu prometo tentar não te enlouquecer todos os dias.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Tentar?
— Promessas precisam ser realistas.
O jardim inteiro riu e Clara sorriu, mas os olhos dela ficaram úmidos de verdade quando continuou.
— Eu prometo escolher você quando tudo estiver fácil e também quando tudo estiver uma bagunça, porque foi no meio das maiores bagunças da minha vida que eu percebi que você era a pessoa para quem eu queria voltar.
O sorriso de Adrian desapareceu lentamente, substituído por uma emoção silenciosa que ele não conseguiu esconder.
— Eu prometo amar você do meu jeito, que talvez seja um pouco barulhento, dramático e exagerado, mas é inteiro, Adrian, porque eu nunca soube amar pela metade.
Adrian apertou as mãos dela.
E, por alguns segundos, todos esqueceram que Clara era imprevisível.
Até o celebrante sorrir e perguntar:
— Antes de prosseguirmos, a noiva gostaria de acrescentar mais alguma coisa?
Edward franziu discretamente a testa.
Dayse percebeu e Marina também.
Adrian, inocente demais naquele instante, apenas olhou para Clara com ternura.
Clara abriu um sorriso bonito, doce e perigoso.
— Na verdade, gostaria.
Adrian piscou.
— Gostaria?
— Sim.
Edward baixou a cabeça.
— Ah, não.
Dayse levou uma das mãos à boca. Clara continuou olhando para Adrian como se estivesse prestes a entregar a notícia mais simples do mundo.
— Eu achei que este seria um bom momento para contar que nosso bebê também está presente na cerimônia.
O silêncio foi absoluto.
Por três segundos, ninguém se mexeu.
Adrian piscou uma vez.
Depois outra.
Depois uma terceira.
— Nosso... o quê?
Clara sorriu ainda mais.
— Nosso bebê.
Adrian abriu a boca. Fechou. Olhou para Edward. Olhou para Dayse. Voltou a olhar para Clara.

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