"Algumas famílias são construídas aos poucos. Outras parecem crescer todas ao mesmo tempo."
Poucas semanas haviam se passado desde o casamento de Clara e Adrian. Ou, como Edward ainda fazia questão de lembrar sempre que encontrava o amigo:
— O casamento onde você desmaiou.
Adrian já havia desistido de responder.
Porque descobriu rapidamente que ninguém naquela família permitiria que ele esquecesse aquele detalhe pelos próximos cinquenta anos, principalmente Clara.
A esposa parecia orgulhosa demais daquela história.
Marina dizia que aquilo era crueldade. Clara dizia que era patrimônio histórico. E Adrian dizia que precisava urgentemente de novos amigos.
Infelizmente para ele, ninguém demonstrava qualquer interesse em ajudá-lo.
Naquela manhã, entretanto, o assunto não era Adrian, nem Clara. Nem mesmo Helena, que continuava crescendo saudável e forte enquanto Edward mantinha seu impressionante projeto pessoal de proteger Dayse de absolutamente qualquer perigo existente no planeta.
O assunto era Marina.
Porque Marina estava parada no banheiro de seu apartamento há quase dez minutos.
Imóvel e em silêncio.
Com os olhos fixos em um pequeno objeto branco que parecia ter acabado de virar sua vida inteira de cabeça para baixo.
O teste de gravidez tremia entre seus dedos.
Positivo.
Marina piscou. Depois piscou novamente. Como se esperasse que o resultado desaparecesse, mas não desapareceu, ele continuava ali.
Claro, inquestionável e positivo.
— Meu Deus...
A voz saiu tão baixa que ela mal conseguiu ouvi-la. As lágrimas surgiram antes mesmo que conseguisse organizar os próprios pensamentos.
Porque ela não estava com medo… não exatamente.
Estava emocionada, surpresa e feliz.
Tudo estava prestes a mudar. E, pela primeira vez em muitos anos, Marina percebeu que não conseguia parar de sorrir.
A primeira pessoa para quem ligou foi Dayse naturalmente. Porque algumas coisas simplesmente não mudavam. E quinze minutos depois, Dayse já estava entrando em seu apartamento com Edward logo atrás dela, porque obviamente ele não permitiria que a esposa grávida atravessasse Manhattan desacompanhada.
— Eu consigo atravessar uma rua sozinha.
— Eu sei.
— Então por que você veio?
— Supervisão.
Dayse revirou os olhos e Marina começou a rir.
E foi exatamente naquele momento que Dayse percebeu que Marina estava sorrindo, mas também estava chorando ao mesmo tempo.
— Marina...
A voz saiu mais baixa, mais cuidadosa.
— O que aconteceu?
As lágrimas voltaram imediatamente aos olhos da amiga.
Marina olhou para Dayse, depois para Edward e depois novamente para Dayse e simplesmente entregou o teste.
O silêncio durou dois segundos, três, quatro….
Então Dayse levou as duas mãos à boca.
— Não.
Marina começou a rir através das lágrimas.
— Sim.
— NÃO.
— SIM.
Dayse soltou um pequeno grito. E, no segundo seguinte, já estava abraçando a amiga.
As duas começaram a chorar imediatamente enquanto Edward observava a cena em silêncio. Pelas lágrimas, emoções e surtos, ele começava a suspeitar o que estava acontecendo.
— Marina...
Ela assentiu.
— Eu vou ter um bebê.
Dayse voltou a abraçá-la com ainda mais força.
— Meu Deus...
As lágrimas desciam livremente por seu rosto. Porque entendia exatamente aquela emoção. Exatamente aquele momento. Aquele instante em que o futuro mudava para sempre.
— Helena vai ter um amiguinho.
— Ou amiguinha.
— Meu Deus.
— Eu sei.
— Meu Deus.
— Dayse.
— Eu sei.
As duas começaram a rir e Edward passou uma das mãos pelo rosto completamente emocionado.
E então fez a única pergunta realmente importante:
— Daniel sabe?
Marina imediatamente ficou em silêncio e Dayse também.
Edward arqueou uma sobrancelha.
— Ah.
Daniel descobriu aproximadamente quarenta minutos depois. E, durante os primeiros segundos, ninguém teve certeza se ele havia entendido.
Porque simplesmente permaneceu parado olhando para Marina. Depois para o teste. Depois novamente para Marina. Como se seu cérebro estivesse tentando acompanhar uma informação rápida demais.
— Daniel?
Silêncio.
— Amor?
Mais silêncio.
— Daniel.
Ele piscou uma vez. Depois outra.
— Eu vou ser pai?
Marina sorriu através das lágrimas.
— Vai.
O choque foi imediato, visível e absoluto.
Daniel sentou-se no sofá antes que as próprias pernas tomassem essa decisão por ele. As mãos passaram pelo rosto, depois pelos cabelos. Depois voltaram para o rosto.
— Eu vou ser pai…
Marina assentiu novamente.
As lágrimas começaram a escorrer porque, naquele instante, ele não parecia assustado.
Parecia emocionado. Profundamente emocionado.
Dayse observava tudo em silêncio. Até que viu os olhos do irmão ficarem úmidos.
E isso foi suficiente para ela atravessar a sala e o abraçar imediatamente.
Daniel envolveu a irmã com um braço e Marina com o outro. E os três permaneceram assim durante alguns segundos.
Porque aquela felicidade era grande demais para ser vivida sozinho.
Quando finalmente se afastaram, Daniel segurou o rosto de Marina entre as mãos, os olhos permaneciam vermelhos e um sorriso estampava seu rosto.
— Você está falando sério?
Marina riu.
— Acho que o teste está.

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