"Alguns homens entram em pânico diante de crises financeiras. Edward Fitzgerald descobriu que era muito mais vulnerável ao sorriso de uma bebê."
Helena Fitzgerald tinha exatamente três meses quando decidiu destruir o restante da sanidade emocional do pai.
Até aquele momento, Edward já havia aceitado que sua filha era capaz de controlar completamente sua vida.
Aceitado era uma forma elegante de dizer que ele havia desistido de lutar. Porque qualquer pessoa que tivesse visto o presidente da Fitzgerald Corporation nos últimos meses entenderia imediatamente o que estava acontecendo.
As reuniões continuavam acontecendo. Os contratos continuavam sendo assinados. Os investimentos continuavam crescendo.
Mas agora tudo isso acontecia entre fotografias da filha, vídeos da filha, chamadas de vídeo para a filha e uma quantidade preocupante de conversas cujo único assunto era a filha.
Segundo Adrian, Edward havia se tornado insuportável. Já Clara, achava tudo aquilo adorável. Augustus acreditava ser absolutamente hilário e, Margaret, era exatamente como deveria ser.
Naquela manhã, entretanto, ninguém imaginava que a situação estava prestes a piorar.
Porque Helena estava sentada no colo da mãe na sala principal da cobertura enquanto Dayse conversava com Margareth e Marina.
A bebê usava um pequeno vestido amarelo, tinha os cabelos escuros ainda fininhos e observava o mundo com a atenção de quem parecia determinada a entender absolutamente tudo ao seu redor.
Edward estava sentado no sofá diante dela, completamente focado.
— Ela piscou.
Dayse suspirou.
— Edward.
— Piscou para mim.
— Bebês piscam.
— Não daquele jeito.
Margaret começou a rir.
— Meu querido...
— Ela reconheceu minha presença.
— Claro que reconheceu.
— Eu sabia.
Helena continuou observando o pai. Os olhos azuis acompanhavam cada movimento dele.
Edward se aproximou um pouco mais.
— Oi, princesa.
A bebê mexeu os braços, depois as pernas e em seguida soltou um pequeno som, o que foi suficiente para fazer Edward sorrir imediatamente.
— Você ouviu isso?
Dayse já nem respondeu, porque conhecia aquele tom perfeitamente. Era o mesmo que Edward usava toda vez que Helena fazia absolutamente qualquer coisa, fosse respirar, piscar, bocejar ou simplesmente existir, porque para ele tudo o que a filha fazia parecia extraordinário.
Foi então que aconteceu.
Helena olhou diretamente para o pai e manteve os olhos fixos nele durante alguns segundos antes de um sorriso surgir lentamente em seus lábios, pequeno e delicado.
Era o primeiro sorriso verdadeiro da filha, e naquele instante o mundo pareceu parar, pelo menos para Edward.
— Dayse…
A voz saiu baixa. Quase sem ar.
— Eu vi.
— DAYSE.
— Eu vi.
— Ela sorriu.
Margaret levou uma das mãos à boca.
Marina imediatamente começou a rir.
Dayse sentiu os olhos ficarem úmidos, porque sabia exatamente o que estava acontecendo: Edward Fitzgerald estava prestes a entrar em colapso emocional.
— Ela sorriu para mim.
— Sim.
— Você viu?
— Todos vimos.
— Ela sorriu.
A emoção tomou conta do rosto dele de forma tão evidente que ninguém conseguiu evitar os próprios sorrisos.
Edward se aproximou ainda mais pegando a filha nos braços e a encarando com ternura disse:
— Você sorriu.
A bebê respondeu com outro som incompreensível e Edward assentiu.
— Concordo.
Dayse fechou os olhos.
— Ela nem falou nada.
— Falou sim.
— Edward.
— Nós tivemos uma conversa inteira.
Marina praticamente se dobrou de tanto rir.
*******
O problema começou no dia seguinte, porque Edward decidiu comemorar e ninguém percebeu imediatamente o que aquilo significava e quando perceberam, já era tarde demais.
Muito tarde.
A primeira entrega chegou às nove da manhã. Depois veio outra, seguida por mais uma, depois outra e mais outra, até que a recepção da Fitzgerald Corporation começou a se parecer menos com a entrada de uma multinacional e mais com uma loja especializada em artigos infantis.
Foi nesse cenário que Adrian entrou na presidência e encontrou caixas.
Muitas caixas.
Caixas demais.
— Não.
Edward nem levantou os olhos.
— Bom dia.
— Não.
— Adrian.
— O que você fez?
Edward sorriu, e bastou aquele sorriso para que Adrian soubesse que havia um problema.
— Algumas compras.
— Quantas compras?
— Não muitas.
Adrian olhou pela parede de caixas.
Depois para Edward. Depois novamente para as caixas.
— Existe um corredor bloqueado.
— Temporariamente.
— Existe uma montanha de brinquedos no elevador.
— Logística.
— O setor financeiro ligou para perguntar se fomos adquiridos por uma fábrica de bebês.
Edward pareceu considerar a observação.
— É uma pergunta justa.
Adrian fechou os olhos.
— O que você comprou?
Edward começou a listar.
— Algumas roupas.
— Quantas?
— Algumas.

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