"Existem homens que passam a vida inteira construindo impérios. E existem homens que descobrem que seu maior tesouro pesa pouco mais de três quilos."
A maternidade permanecia silenciosa enquanto, do lado de fora, Manhattan seguia acordada como sempre, com carros cruzando avenidas iluminadas, luzes acesas em prédios distantes e a cidade mantendo seu ritmo habitual.
Mas dentro daquele quarto o tempo parecia funcionar de outra maneira, mais devagar, mais suave e infinitamente mais precioso, e foi nesse silêncio que Dayse despertou lentamente durante a madrugada
Por alguns segundos permaneceu imóvel, ainda sonolenta, tentando entender o que havia interrompido seu sono.
Não era dor, desconforto ou qualquer um dos alarmes dos equipamentos espalhados pelo quarto, era apenas uma sensação estranha e difícil de explicar, como se algo estivesse diferente, e Dayse precisou piscar algumas vezes antes de virar o rosto e encontrar imediatamente a resposta.
Edward não estava na poltrona onde deveria estar descansando.
O coração de Dayse acelerou por um instante ao despertar, mas a preocupação desapareceu quase imediatamente quando encontrou Edward a poucos metros de distância, sentado próximo à janela com Helena nos braços.
Ela permaneceu em silêncio, observando. Porque a cena diante dela era bonita demais para ser interrompida.
A luz suave do abajur iluminava parcialmente o rosto dele, os cabelos estavam levemente bagunçados, a camisa social havia sido substituída por uma camiseta simples e havia algo naquela imagem que a emocionou de forma imediata e profunda.
Porque Edward Fitzgerald parecia mais humano do que jamais havia parecido.
Não vulnerável da forma como costumava ficar quando falava sobre sentimentos e nem emocionado da forma como ficava quando falava sobre ela.
Era diferente.
Parecia um homem que havia acabado de descobrir uma parte de si mesmo cuja existência jamais suspeitou.
Helena dormia tranquilamente em seus braços, pequena, segura e protegida, enquanto uma das minúsculas mãos permanecia fechada ao redor de um de seus dedos, e Edward observava aquilo com uma atenção quase reverente, como se estivesse diante da coisa mais extraordinária que já tinha visto em toda a vida.
Talvez estivesse.
Dayse percebeu o momento exato em que ele começou a falar, baixinho, quase em um sussurro, como se aquele diálogo pertencesse apenas aos dois.
— Você sabe que sua mãe vai brigar comigo quando descobrir que eu não estou dormindo?
O sorriso surgiu imediatamente nos lábios de Dayse.
Edward continuou.
— Mas eu tentei.
A voz permanecia baixa. Carregada daquela ternura que ele reservava apenas para as pessoas que amava.
— Honestamente, eu tentei mesmo.
Helena se mexeu levemente nos braços dele e os olhos de Edward acompanharam aquele pequeno movimento, como se nada fosse insignificante quando se tratava da filha e como se cada gesto, cada suspiro e cada respiração merecessem toda a sua atenção.
— Você é muito pequena.
O sorriso desapareceu lentamente. Substituído por algo mais profundo, mais sério.
— Pequena demais.
Dayse sentiu o coração apertar.
Porque conhecia aquela expressão e aquele tom. Era o mesmo que Edward usava sempre que alguma preocupação ocupava seus pensamentos.
— Eu passei anos acreditando que sabia resolver problemas.
Uma pequena risada escapou dele.
— Aparentemente eu estava muito enganado.
Helena apertou levemente seu dedo e Edward observou a mãozinha completamente fascinado.
— Olha isso.
Os olhos ficaram úmidos.
— Como alguém pode ser tão pequena?
Dayse precisou conter as próprias lágrimas. Porque nunca tinha visto aquele homem daquele jeito.
Nunca.


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