“O problema nunca foi provocar…foi começar a querer que isso continuasse.”
O mais perigoso em Edward Fitzgerald nunca era a forma como ele provocava e sim o fato de que, em algum momento, Dayse parou de querer que ele parasse.
Edward sorriu e ela viu pelo espelho.
— Não — respondeu, finalmente — isso é eu mostrando para o mundo inteiro o que é meu.
Dayse permaneceu em silêncio tentando controlar as batidas frenéticas do coração.
— Agora me responda, senhorita Whitmore… — ele disse, com a voz mais baixa, controlada, mas carregada de algo perigosamente novo — você quer testar até onde eu aguento?
Dayse ergueu o queixo, sustentando o olhar, sem recuar nem um centímetro.
— Eu não preciso testar nada… — respondeu, firme, com um leve traço de provocação — se você perde o controle assim fácil, o problema não é meu.
Ele parou diante dela perto demais. O olhar dele desceu, lento, analisando cada detalhe do vestido, da pele exposta, da forma como ela simplesmente… existia.
E então ele soltou um sopro baixo, quase um riso sem humor.
— Interessante… — murmurou, inclinando-se o suficiente para que só ela ouvisse — eu passei o dia inteiro resolvendo problemas que exigem milhões… e, sinceramente, nenhum deles me deixou tão distraído quanto você agora.
Dayse sentiu o rosto aquecer imediatamente.
Atrás dela, Clara abriu um sorriso lento, claramente se divertindo com a situação. Marina, ao lado, arregalou os olhos, completamente chocada com a falta de filtro dele.
Edward não se afastou. Muito pelo contrário. Aproximou-se mais um centímetro.
— Inclusive… — continuou, com a voz baixa, arrastada, deliberadamente provocadora — eu tô reconsiderando seriamente se vale a pena sair pra jantar… ou se eu fico aqui mesmo resolvendo o problema que você acabou de criar.
Dayse sentiu o corpo inteiro reagir antes mesmo de conseguir pensar, um arrepio subindo pela pele enquanto o calor se espalhava pelo rosto, deixando impossível esconder o efeito que ele causava.
— Eu… eu não criei problema nenhum — ela respondeu, mas a voz saiu levemente falha, traindo a tentativa de firmeza — você que está… exagerando.
Ela tentou sustentar o olhar, mas vacilou por um segundo, engolindo seco.
— E… e a gente vai sair pra jantar, sim — completou, um pouco mais rápido do que pretendia, como se precisasse se agarrar à ideia para recuperar o controle — então pare de falar besteira.
Atrás dela, Clara soltou uma risada baixa, claramente se divertindo ainda mais com a situação.
— Esses dois vão terminar a noite no motel, eu aposto. — murmurou, para Marina que arregalou os olhos e corou ao perceber que Edward tinha ouvido.
Edward não moveu um músculo sequer ao ouvir o comentário.
Mas o canto da boca dele subiu devagar.
Os olhos escureceram com um tipo de interesse que não tinha absolutamente nada de casual.
— Motel? — ele repetiu, com uma calma quase debochada, como se estivesse analisando a ideia com genuína consideração — não é uma sugestão ruim… mas eu prefiro levar minha noiva para o meu apartamento.
Clara soltou um “eu sabia” em voz baixa, segurando o riso, enquanto Marina praticamente prendia a respiração ao lado dela.
Dayse, por outro lado, queria desaparecer, ou reagir, ou as duas coisas ao mesmo tempo.
— Pois pode tirar o seu cavalinho da chuva, senhor Fitzgerald. — ela rebateu, tentando recuperar algum tipo de dignidade, mesmo com o corpo inteiro ainda em alerta — vamos apenas jantar.
Edward inclinou levemente a cabeça, aproximando-se mais um centímetro, como se cada pequena invasão de espaço fosse calculada.
— É uma pena, senhorita Whitmore queria lhe dar tudo aquilo que me pediu ontem a noite.

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