“Algumas mentiras começam como estratégia… mas se tornam perigosas quando começam a parecer verdade.”
Margareth Fitzgerald atravessava o salão com elegância impecável, mantendo o olhar fixo nos dois, e um sorriso que surgiu no instante em que reconheceu a noiva do neto, deixando claro, sem qualquer hesitação, o quanto aquela presença a agradava.
— Minha querida… — disse, ao se aproximar, analisando Dayse com uma atenção minuciosa, quase estratégica — você está absolutamente maravilhosa.
Se aproximou e a abraçou com ternura quebrando todos os protocolos.
Dayse piscou, surpresa, se sentindo, ao mesmo tempo, acolhida… e avaliada.
— Obrigada…
Augustus se aproximou logo em seguida, mantendo a postura firme e o olhar respeitoso, estendendo a mão com a formalidade de alguém que reconhecia exatamente o papel que estava sendo apresentado ali.
— Senhorita Whitmore, é um prazer revê-la.
O cumprimento foi firme e o elogio, imediato.
— Está encantadora.
Mas o momento durou pouco. Porque ele logo se voltou para o neto.
— Edward, preciso de você. Alguns investidores de Hong Kong querem conhecê-lo.
Edward assentiu sem questionar, mas antes de se afastar, inclinou-se na direção de Dayse, aproximando-se o suficiente para que o gesto passasse despercebido para todos, menos para ela.
— Volto logo — murmurou, com a voz baixa, rouca, próxima demais.
E saiu como se soubesse exatamente o efeito que deixava para trás.
Margareth então envolveu o braço de Dayse com elegância, conduzindo-a com naturalidade enquanto sorria.
— Você não poderia ser mais perfeita — disse, com satisfação evidente — nunca vi meu neto tão… interessado.
Houve uma breve pausa, marcada por um leve arquear de sobrancelha.
— E isso não é pouca coisa.
Dayse sorriu, sem graça por fora. Porque por dentro, ela era um caos.
— Edward nunca foi de namorar — começou Margareth, com naturalidade, como quem apenas compartilha um fato já conhecido — desde jovem, ele sempre evitou qualquer coisa que fosse além de uma noite. Nunca teve paciência para vínculos rasos, mas também nunca pareceu disposto a construir algo de verdade.
Ela fez uma breve pausa, lançando um olhar sutil na direção do neto, antes de continuar:
— O pai dele era exatamente assim. Passou anos evitando qualquer tipo de envolvimento… até conhecer a minha nora. — Um leve sorriso surgiu, mais contido, mas carregado de significado. — Foi a primeira vez que eu vi meu filho apaixonado.

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