“Eu sabia a regra. Só não quis obedecer.”
Dayse Eleanor Whitmore
Eu sabia exatamente qual era a única regra que não podia quebrar.
E, ainda assim… já estava quebrando.
Entrei no apartamento ainda com o coração acelerado, fechei a porta atrás de mim e encostei as costas nela, respirando fundo. O silêncio do meu lar contrastava com o caos que ainda fervia dentro de mim.
— Dayse, você só pode ser maluca! — murmurei para mim mesma, passando a mão pelo rosto.
Eu tinha provocado Edward o restante da noite inteira. Tinha provocado ele dentro do carro, enquanto ele me fazia gozar pela segunda vez naquela noite. Deixei ele acreditar que iríamos estender a noite no meu apartamento e eu iria “retribuir” o prazer que ele tinha me proporcionado, mas resolvi brincar um pouco, para ver até onde o meu “noivo” conseguia se conter.
Confesso que, no fundo, uma parte de mim desejou que ele perdesse o controle e invadisse o meu apartamento, mas outra, mais consciente, adorou a expressão dele quando me afastei, deixando-o duro e frustrado.
— Dayse, você precisa ser mais forte. Não pode entrar no jogo dele — falei em voz alta, tentando me convencer.
A quem eu quero enganar? Eu estou literalmente ferrada.
Tirei os saltos altos ali mesmo na entrada e caminhei descalça pelo apartamento, sentindo o piso frio sob os pés. Cheguei ao quarto, abri o zíper do vestido e deixei o tecido deslizar pelo meu corpo, jogando-o sem cuidado em cima da cama. Fiquei só de calcinha, e logo senti o ar condicionado arrepiar minha pele ainda quente.
Fui até o banheiro e acendi a luz. Meus olhos verdes encararam o reflexo no espelho grande. Foi então que vi marcas arroxeadas ao redor da minha cintura, os dedos dele gravados na minha pele onde ele havia apertado com força no carro. Corei violentamente, sentindo o calor subir pelo pescoço.
Mordi o lábio inferior e um sorriso safado escapou mesmo sem eu querer.
— Você me provocou… então teve o que mereceu — sussurrei para o meu reflexo, tocando de leve as marcas com as pontas dos dedos.
Tirei a calcinha devagar, a jogando no cesto de roupa suja e prendi os cabelos num coque bagunçado no topo da cabeça.
Entrei no box e abri o chuveiro, deixando a água fria cair direto no meu corpo quente. O contraste me fez soltar um suspiro longo, enquanto relaxava os ombros um pouco e deixava a água escorrer pelos seios, pela barriga e pelas coxas.
Por um momento, minha mente viajou. Será que ele foi direto para casa… ou foi em busca de alívio com outra pessoa?
Aquele pensamento fez alguma coisa dentro de mim estremecer forte, uma mistura de ciúme e irritação que eu não queria sentir.
Assinamos um contrato. Ele não pode fazer isso!
Fechei os olhos com força, tentando afastar a imagem dele com outra mulher. Saí do box, me enrolei na toalha branca macia e voltei para a frente do espelho. Meu reflexo estava um desastre: os olhos verdes brilhando demais, maquiagem borrada, cabelos assanhados escapando do coque, os lábios ainda inchados dos beijos dele.
Suspirei fundo e me apoiei na pia, lembrando do convite da avó dele, da forma possessiva como Edward agiu quando aquele homem se aproximou de mim, e de como, aos poucos, essa mentira toda estava se tornando perigosa.
— Dayse, você não pode se envolver… — falei baixinho, olhando nos meus próprios olhos. — Ele não é um homem para se apaixonar. Esse noivado é de mentira. Tudo é uma farsa! Tudo!
Eu sustentei o meu próprio olhar no espelho por mais alguns segundos, como se, em algum momento, a parte racional de mim fosse finalmente aparecer e colocar ordem no caos que estava se espalhando dentro do meu peito, mas tudo o que encontrei foi o reflexo de uma mulher que, pela primeira vez, já não tinha tanta certeza sobre onde terminava o controle e onde começava a entrega.
Porque aquilo já não era só desejo. Era o que vinha depois dele.
Soltei o ar devagar, desviando o olhar com uma hesitação que eu não queria admitir, como se me afastar do espelho pudesse me afastar também dos pensamentos que começavam a ganhar forma, e caminhei até o quarto ainda envolta na toalha, sentindo cada passo mais pesado, como se o meu corpo já tivesse entendido algo que a minha mente ainda insistia em negar.
Hamptons…
A palavra surgiu na minha cabeça quase como um sussurro, mas o efeito não teve nada de leve. Porque, junto com ela, vieram imagens que eu não deveria estar permitindo.
Imagens que não tinham nada a ver com contrato.

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