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Esposa impostora e o Magnata Sombrio. romance Capítulo 255

Cap.70

No corredor, Donovan respirou fundo, mas a sensação de sufocamento só aumentava. Passava a mão pelos cabelos, caminhando sem rumo, repetindo em pensamento que tinha perdido tudo sem nem ter conseguido.

Do lado de dentro, Talyta se deixou despencar no sofá, os joelhos dobrados contra o peito, o rosto molhado pelas lágrimas.

O peso da revelação caía sobre ela como uma avalanche: o homem por quem seu coração estava se abrindo… era o mesmo que havia feito algo que ele nem imaginava naquele dia.

E, naquele silêncio quebrado apenas pelos soluços, o destino dos dois parecia selado.

As lágrimas desciam sem que ela tivesse forças para contê-las, e Donovan, ao sair, carregava consigo uma sombra ainda mais pesada do que antes. Trancou-se dentro do carro e afundou no banco, incapaz até de ligar o motor para ir a qualquer lugar.

A noite avançava devagar, e os faróis apagados dos carros estacionados eram sua única companhia. Donovan encostou a cabeça no vidro, os olhos ardendo de tanto tentar não surtar. Acreditava que havia perdido tudo. Não havia como ela perdoá-lo.

Mas o cansaço foi vencendo sua resistência. Já quase adormecia quando um som seco o despertou: toc, toc, toc.

Ele abriu os olhos devagar, confuso, e viu Talyta batendo no vidro. O rosto dela ainda estava molhado de lágrimas, mas havia algo diferente no olhar. Ele destravou a porta imediatamente.

— Me desculpa… — foi a única coisa que Donovan conseguiu dizer, a voz quebrada, os olhos exaustos, mas com o peito leve por ter contado a verdade.

Mas, ao invés de afastá-lo, Talyta entrou, deslizando para o colo dele sem hesitar. Suas mãos tocaram o rosto dele com urgência, e o beijo que ela lhe deu foi profundo, carregado de tudo o que as palavras não conseguiam explicar.

Ele a abraçou com força, quase sem acreditar. Quando conseguiu respirar, perguntou baixo, entre o espanto e a culpa:

— Você… você não está com raiva de mim?

Talyta sorriu entre lágrimas, encostando a testa na dele.

— Não, Donovan. Não é raiva… — sua voz falhava, mas os olhos brilhavam. — Eu chorei porque… quando você disse a data… foi como se o peso de todos aqueles anos tivesse despencado de uma vez.

Ela respirou fundo, as mãos trêmulas, mas continuou:

— Naquele dia… o dia em que você o matou… foi o dia em que ele decidiu acabar comigo.

Donovan ficou imóvel. O coração disparava como se quisesse saltar do peito.

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