Cap. 73
Na calçada, Gabriel e Brenda ficaram alguns segundos parados, apenas se olhando, como quem queria decorar aquele momento para sempre. Ela apoiou a testa no peito dele e o abraçou em seguida.
— Obrigada por ter vindo. — sussurrou.
— Obrigado por ter dito “sim”. — ele respondeu, beijando-lhe o topo da cabeça.
Eles se separaram com uma promessa muda de, no amanhã, continuar a conversa.
Assim que voltou para dentro, Brenda mandou um áudio para Talyta, a voz sorrindo, a empolgação não a deixando ficar quieta na cama.
— Amiga… ele pediu. Na frente dos meus pais. E eles… aceitaram.
Talyta respondeu com uma risada emocionada e muitos “eu sabia!”, e ficaram conversando sobre os planos futuros — agora que Talyta estava bem com Donovan e Brenda caminhava para um casamento.
Do outro lado da cidade, Donovan digitou rápido para Andrews:
“Tudo pronto para amanhã. Preciso da sua agenda cedo. Estou quase terminando de organizar tudo.”
Andrews mandou um emoji de polegar e uma frase curta:
“Respira. Amanhã a gente define.”
Finalmente, a manhã havia chegado para Donovan, que estava ansioso.
O carro deslizou pelos portões da vila de luxo.
O coração de Donovan batia acelerado, mas ele manteve a expressão séria, como sempre. No banco de trás, as crianças grudavam nas janelas, os olhos arregalados diante da mansão enorme que se erguia à frente.
— É aqui? — o menino perguntou, quase sem fôlego com o tamanho do lugar, ainda mais quando o portão de metal se abriu, revelando a grande e aconchegante casa.
— Aqui mesmo. — Donovan respondeu, com um leve sorriso.
Quando as portas do carro se abriram, os pequenos dispararam pelo gramado como se corressem para dentro de um sonho.
Havia um parquinho de madeira no jardim, balanços que rangiam levemente com o vento, e um escorregador brilhando sob o sol da manhã.
O menino foi direto para o escorregador, mas hesitou na subida. Donovan, sem pensar duas vezes, caminhou até ele.
— Vamos, campeão, eu te ajudo. — disse, apoiando a mão grande nas costas do garoto e guiando-o com firmeza. Quando o menino se jogou pelo escorregador, explodiu em risos.
Donovan riu também, discreto, mas genuíno.
— Olha, vovó! Aqui tem tudo! — Leone brincava mesmo com pouca força, mas sorria como nunca.
A mãe de Talyta observava de pé na varanda. Seus olhos marejados seguiam os netos correndo livres. Ela apertou o xale contra o peito e, emocionada, falou baixo, mas com força suficiente para chegar até Donovan:
— Minha filha vai ficar tão feliz… — enxugou uma lágrima. — Você já está apegado a eles. Fico feliz que Talyta encontrou um homem tão bom para ela… alguém em quem eu posso confiar de verdade.
Donovan respirou fundo. Não respondeu de imediato; apenas voltou o olhar para o menino que ria alto escorregando mais uma vez. Passou a mão carinhosa pelos cabelos do garoto quando ele voltou correndo.
De longe, Andrews, encostado em um pilar, cruzava os braços e sorria. Observava a cena em silêncio, com aquele ar de quem já sabia que esse seria o final.
Mais tarde, Donovan saiu para buscar Talyta. Não revelou para onde a levava.
Ela resmungou durante o caminho, desconfiada, tentando arrancar uma explicação, mas ele se manteve em silêncio. O carro entrou pelos portões da mesma vila. Talyta franziu a testa, estranhando.
— Donovan, o que você está tramando?
Ele apenas segurou a mão dela com firmeza.
— Você vai ver.
Quando a porta da grande casa se abriu, Talyta deu dois passos hesitantes… e então congelou. Seus olhos se encheram ao ver a cena: os filhos corriam pelo jardim, brincando como se estivessem em um parque dos sonhos. A mãe dela sorria, sentada no banco de balanço, observando os netos felizes.
— Mãe? Meus filhos? — a voz de Talyta tremeu, já embargada.
As crianças correram para ela, rindo, agarrando-se às suas pernas.
— Mamãe, mamãe, olha a nossa casa nova!
Ela arregalou os olhos, perdida, e virou-se devagar para Donovan.
— Você… fez tudo isso?
Ele se aproximou, sério, mas com a voz baixa e simples, como se falasse uma verdade absoluta:
— Pela nossa família. Vocês agora são a minha família.
As lágrimas de Talyta caíram antes que pudesse responder. Ela abraçou os filhos, a mãe, e por fim Donovan. Ele envolveu todos num só gesto, como se quisesse deixar claro que aquele era o lugar deles, o lar deles.
— Pois é, Donovan… você já é um homem de família, quer queira ou não. — Andrews comentou, mantendo-se distante, como se nem estivesse ali. Em seguida recuou e foi embora, com a sensação de dever cumprido.
— Vamos passar nossa primeira noite aqui, todos juntos. O que acha? — Donovan sugeriu.
Talyta ouviu os meninos gritarem que sim.
— Isso não foi muito caro? — ela perguntou, e ele sorriu.
— Um pouco, mas o apartamento cobriu mais da metade desse lugar.

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