Cap.72
Donovan por sua vez enquanto Gabriel estava na casa dos pais de Brenda, seguiu viagem em silêncio. O carro avançava pela estrada, mas a mente dele estava inquieta. Pegou o celular e discou.
— Andrews, preciso de você. — a voz dele era mais firme do que de costume, mas com um pouco de ansiedade
— Já imaginava. — Andrews respondeu, rindo do outro lado da linha. — Estou te esperando, vou te ajudar a fazer isso.
Pouco depois, os dois se encontraram em frente a uma das vilas de luxo que o agente imobiliário estava mostrando.
Donovan desceu do carro e começou a andar de um lado para o outro, as mãos enterradas nos bolsos, mas a expressão entregue, era um lugar grande, mas parecia pequeno diante de seu olhar que buscava requisitos específicos.
Andrews cruzou os braços, observando.
— Você está nervoso, Donovan. — comentou, quase divertido. — você está ansioso com a ideia de receber duas crianças? Eu estou ate surpreso com sua atitude.
Donovan parou por um instante, lançou um olhar rápido para o amigo e depois suspirou.
— É isso. Estou pensando nisso o tempo todo, eu quero pensar no que posso fazer para que possamos estar confortáveis e felizes, meu apartamento apesar de grande não seria adequado para duas crianças, quero me mudar com ela o mais breve possível.
— Já conversou com Talyta sobre isso? — Andrews perguntou direto, franzindo o cenho.
Donovan balançou a cabeça.
— Não. Vai ser uma surpresa. Ela já me aceitou, Andrews… e eu quero mostrar a ela que pode confiar em mim de verdade.
Andrews ergueu as sobrancelhas, surpreso.
— Confesso que não esperava isso de você. — disse com um riso contido. — Até pouco tempo atrás, você falava que não queria família, que não servia pra esse tipo de vida e em menos de dois meses... olha você ai, eu tou atordoado, isso parece tão rápido.
Donovan apertou a mandíbula, parando diante da entrada de uma das casas. Olhou em volta, como se tentasse enxergar além das paredes.
— Talvez eu estivesse enganado. — murmurou. — Eu salvei Talyta da morte, Andrews. E, de alguma forma… sinto que nós dois fomos destinados, não gosto de perder tempo quando o universo me manda sinais.
Andrews soltou uma gargalhada curta.
— Destinados? Agora você fala até em destino? Não estou te reconhecendo, não pensei que você era do tipo.
Donovan o ignorou e continuou, firme.
— Eu me apeguei aos filhos dela. Eles gostam de mim. O mais novo, principalmente… eu gosto de cuidar dele, eu visitei a mãe dela alguma vezes, mesmo sem ela saber, já que Talyta se sente desconfortável por eu querer ajudar tanto. — ele suspirou, sem esconder a verdade. — E Talyta precisa de alguém de verdade do lado dela. Alguém que ajude a cuidar da vida dela… e dos filhos.
Andrews respirou fundo, deixando o riso de lado. Assentiu devagar.
— Então desejo que vocês sejam felizes.
Enquanto isso, o agente imobiliário se aproximou, mostrando a primeira casa da vila. Donovan seguiu, mas não conseguia parar de andar de um lado a outro, analisando cada detalhe.
Ele puxou Andrews de lado.
— Preciso da sua ajuda. Quero mostrar a casa primeiro para as crianças. Quero que elas se sintam confortáveis, que amem o lugar, porque sei que Talyta vai gostar de qualquer lugar que eu escolher, mas não é o mesmo quando se trata de crianças.
Andrews ergueu uma sobrancelha, segurando o riso.
— Sem Talyta saber? Trazer os filhos dela assim?
— Sem ela saber. — Donovan confirmou, com um meio sorriso.
Andrews riu abertamente dessa vez, balançando a cabeça.
— Cuidado, Donovan, pra ela não pensar que você sequestrou os filhos dela!
Donovan respondeu com seriedade, sem desviar o olhar da casa.
— Quero escolher uma casa, quero que as crianças aprovem e Talyta conheça já com tudo pronto.
Andrews observou o amigo em silêncio por alguns segundos, antes de dizer com convicção:
— Você já pensa como um pai. Mas eu não tinha dúvidas… você sempre foi excelente com meus filhos. — Ele comentava, mas Donovan estava preso à sua própria análise.
— Não, não… — disse ele, balançando a cabeça ao entrar em mais uma casa. — O quintal é pequeno. Quero espaço para elas brincarem. Preciso de um parquinho, ou pelo menos um jardim grande onde possa colocar brinquedos.
Andrews riu baixo, cruzando os braços enquanto observava o amigo andar de um lado para o outro, inspecionando detalhes.
— Você está mais exigente que um pai de primeira viagem.
Donovan ignorou a provocação e seguiu pelos corredores.
— Os quartos precisam ser aconchegantes. Nada muito frio, quero algo que faça elas se sentirem em casa, seguras.
O agente imobiliário abriu a porta de uma suíte decorada em tons suaves. Donovan parou na entrada, avaliando em silêncio e, por um instante, o olhar duro se suavizou.
— Aqui sim… elas gostariam disso. — murmurou, quase para si mesmo.
Andrews balançou a cabeça com um sorriso, não resistindo a comentar.
Donovan parou diante da casa, imaginando as risadas das crianças ecoando pelo jardim e, pela primeira vez em muito tempo, sorriu com verdadeira esperança.
Ele encontrou uma casa que, aos seus olhos, era perfeita para crianças. Tinha até mesmo um parquinho para que elas pudessem se divertir.
— É essa! Eu vou organizar tudo e escolher o dia que posso trazê-las sem que ela saiba. Tenho que planejar tudo sem levantar desconfiança.
— Ok, vamos cuidar da documentação. — Andrews disse ao corretor imobiliário.
Enquanto isso...
O pai de Brenda não conseguiu dormir direito naquela noite. As palavras de Gabriel martelavam em sua mente: a defesa firme, as provas que apresentou, a coragem em encarar dois pais tradicionais sem hesitar. Algo dentro dele, mesmo relutante, se abalou.
Na manhã seguinte, ele ligou para Gabriel em particular.
— Quero que venha jantar em minha casa. — disse, seco, como quem lança um teste.
— Claro. — Gabriel respondeu, sem hesitar.
— Mas não é só isso. — o pai continuou, estreitando os olhos. — Se realmente ama minha filha… peça-a em casamento diante de todos. Quero ver se ela aceita. Vou marcar o dia do jantar e vamos nós mesmos organizar tudo sem que ela saiba. Assim posso saber se vocês sentem a mesma coisa. Eu cometi o erro de obrigá-la a se casar com alguém que ela não amava e... decidi agir de forma diferente.
O silêncio pesou por um instante. Era quase uma provocação, um desafio velado. Gabriel, porém, não recuou. Endireitou-se, disse com firmeza e sorriu animado:
— Eu aceito.
O pai apenas assentiu, escondendo sua surpresa com a prontidão do rapaz.
Eles marcaram o jantar para dali a dois dias. Gabriel estava ansioso demais; nem Brenda entendia o que estava acontecendo com ele, porque ela e Talyta, trabalhando na mesma sala, percebiam o quanto ele andava agitado.
Quando o dia do jantar chegou, Gabriel sumiu. Ele saiu do escritório praticamente sem avisar; nem Brenda nem Talyta sabiam onde ele estava. Mas ele tinha ido para a casa dos pais dela, ajudando na cozinha e arrumando a casa.
Brenda chegou cansada da academia, ainda ajeitando os cabelos presos num coque improvisado. Assim que abriu a porta da sala da casa dos pais, parou em choque.
Ali, sentado diante de seu pai e sua mãe, estava Gabriel.
— G-Gabriel? — ela gaguejou, surpresa, o coração disparando. — O que você está fazendo aqui?
O clima parecia pesado, quase solene. O pai dela estava sério, os braços cruzados; a mãe encarava o chão, como se guardasse segredos ainda não ditos. Eles tentavam ao máximo parecer irritados, como se Gabriel tivesse feito algo errado.
Gabriel se levantou devagar, aproximando-se dela.
— Você vai entender. — ele sussurrou ao se aproximar, como se guardasse segredo dos pais dela, mas era apenas uma encenação.
Ela olhou rapidamente para os pais, aflita.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa impostora e o Magnata Sombrio.