Na mesa do almoço, o clima estava um pouco pesado. Constança não deixava de lançar olhares acusatórios para Sara, mas não dizia nada.
O silêncio começou a incomodá-la.
Cansada daquilo, Sara decidiu perguntar sobre a mãe. Como ela e Renato haviam desviado o assunto no quarto para algo íntimo entre eles, ainda não havia tido coragem de tocar naquele ponto.
— Onde foi que você deixou a minha mãe?
— Num hotel — ele respondeu, sem rodeios.
— Aposto que ela foi daqui até lá murmurando.
Sorrindo de leve, ele brincou:
— Vejo que conhece bem a sua mãe.
— Espero que ela não tenha te dito nada que te desagradasse.
— Eu já sei muito bem o que esperar da sua família, então nada do que ela disse me surpreendeu.
— Você acha que ela vai ficar na cidade? — perguntou, preocupada.
— Não sei. Talvez ela e sua irmã queiram fazer um pouco de turismo.
— Minha irmã? — questionou, surpresa.
— Sim. A Raquel também está aqui.
— Como assim?
Aquilo a incomodou mais do que gostaria de admitir.
— Achei que sua mãe tivesse te contado sobre isso.
— Não, eu não sabia que a Raquel estava por aqui. Na verdade, nem sabia que elas poderiam estar juntas. Achei que a Raquel estivesse com o Alessandro.
Ao ouvir o nome do homem, Renato se incomodou. Mordeu os lábios por um instante, mas não deixou transparecer.
— Segundo a sua mãe, Raquel e Alessandro não estão mais juntos.
A confissão a pegou mais uma vez de surpresa. Ela quis saber mais, perguntar detalhes, mas sentiu que estaria entrando em um campo minado. Não sabia como Renato ainda se sentia em relação a Raquel, nem o quanto tudo aquilo ainda podia incomodá-lo por dentro.
Enquanto permanecia em silêncio, imersa nos próprios pensamentos, imaginando o que poderia ter acontecido entre o amante e a irmã, ouviu a voz de Constança:
— Espero que essas pessoas sumam daqui o mais rápido possível.
— Nem parece que a senhora deseja isso, já que insistiu para a mãe da Sara ficar — Renato alfinetou.
— Eu só estava sendo educada com a mulher que apareceu aqui quase à noite. Queria que eu a expulsasse de casa?
— Não seria nenhuma surpresa se fizesse isso — ironizou.
Percebendo que o filho a provocava, Constança decidiu encerrar o assunto.
— Não quero discutir isso — disse, dando uma garfada no bife. — Na verdade, o que quero de você é um favor hoje.
— Que tipo de favor?
— Preciso que me leve à casa de uma amiga — comunicou.
Ele franziu a testa.
Será que tudo aquilo eram sintomas de uma gravidez? — perguntou a si mesma.
Alguns minutos depois, Odete bateu à porta do quarto.
— Como está se sentindo, menina?
— Não sei, Odete… estou confusa, ansiosa… — confessou aflita. — O Humberto ainda não voltou?
— Na verdade, é por isso que vim até aqui. Ele acabou de chegar e me ligou avisando que está no estábulo com os testes que você pediu para comprar.
No mesmo instante, Sara se levantou.
— Vou até lá agora mesmo buscar.
— Espere, Sara. Você não pode ir até lá sozinha, já está escuro.
— Você pode vir comigo.
— Não posso sair agora —, Odete respondeu. — Dona Constança pediu que eu separasse alguns documentos antigos no escritório. Disse que precisava deles na hora que chegasse e, como isso era coisa da Lorena, está me deixando mais ocupada do que pensei.
Sara assentiu, sem pensar duas vezes.
— Então eu vou rápido e já volto.
— Tome cuidado, menina. Já está escuro e, se o senhor Renato chegar e a ver sozinha com o Humberto, pode não gostar — alertou.
— Pode deixar.
Sem perder mais tempo, Sara saiu do quarto, sentindo o coração bater acelerado. Tudo o que queria era pegar os testes que Humberto havia comprado e fazê-los antes que Renato voltasse. Se estivesse mesmo grávida, contaria para ele ainda naquela noite.

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