Não havia como os dias estarem melhores para Raquel Lemos. Desde que decidiu fugir com seu amante, sua vida se resumia a viagens, festas e diversão, coisas que raramente havia vivido de verdade ao lado do antigo noivo, Renato.
Ainda assim, em meio aos dias de farra e curtição, existiam algumas obrigações inevitáveis. Alessandro precisava manter certos compromissos, entre eles a presença em um evento promovido por um empresário influente dentro de seu vasto círculo empresarial.
— Sério mesmo que precisamos ir? — ela perguntou, aconchegando-se no peito do amante.
— Precisamos, sim — respondeu ele, passando o braço ao redor dela. — Tenho que manter meus contatos, ainda mais agora que não tenho o Renato ao meu lado.
Raquel fez uma careta.
— Vai ser tão tedioso…
— Prometo que não será, amor — garantiu. — O hotel onde vamos ficar é um dos mais luxuosos do país. Além disso, oferece serviços que não vão te deixar entediada.
Ela suspirou, fingindo resignação.
— Tudo bem — disse. — Embora eu ache que a parte mais interessante desse hotel vai ser o nosso quarto… mais precisamente a nossa cama.
Alessandro sorriu, apertando a coxa dela com força e nem um pouco de carinho.
— Disso você não precisa ter dúvida, gatinha. — Aproximou o rosto do dela. — Eu vou garantir que você seja entretida de um jeito que nunca foi.
Quando chegou ao hotel, percebeu que tudo o que o amante havia prometido estava se cumprindo. O luxo, os olhares curiosos, os cumprimentos — estar naquele círculo a fazia se sentir ainda mais importante, como se finalmente ocupasse o lugar que sempre acreditou merecer.
No entanto, a surpresa que a aguardava foi suficiente para tirar o chão sob seus pés.
Ver a irmã mais nova ali, naquele mesmo ambiente, vestida com uma elegância que ela não conhecia, ao lado de Renato, foi como levar um choque. Por um instante, Raquel pensou que estivesse enganada. Piscou, olhou de novo.
Não estava.
Era mesmo sua irmã que estava ali ao lado de Renato, sendo apresentada a todos como a sua esposa.
— Que merda é essa? — Raquel sussurrou, sentindo o sorriso desaparecer do rosto enquanto via todos aplaudirem o casal.
O som das palmas parecia alto demais, agressivo demais. Ela ficou imóvel por alguns segundos, tentando entender o que estava acontecendo diante dos seus olhos. Virou o rosto devagar para Alessandro, buscando alguma reação, alguma confirmação de que aquilo também o havia pego de surpresa. E encontrou.
Os olhos dele estavam vermelhos, o maxilar rígido, a expressão tomada por algo que conhecia bem demais para confundir.
Raiva.
— O que esse desgraçado faz aqui? — Alessandro sussurrou, entre os dentes.
Raquel voltou a olhar para a frente. Renato estava de pé, confiante, com Sara ao lado. Não aquela Sara apagada que ela deixou em sua casa para trás, mas uma mulher diferente, segura, visível demais.
Aquilo a deixou perturbada.
— Não pode ser… — ela murmurou. — Ele não podia ter seguido em frente assim.
Enquanto isso, Alessandro apertou a taça com força em suas mãos, o vidro quase quebrou sob seus dedos.
— Seguido em frente? — ironizou. — Ele fez questão de aparecer. Isso é provocação.
Engolindo em seco, Alessandro apertou os punhos, percebendo que o ex-amigo que estava diante dele não parecia um homem que havia sido abandonado no altar, pelo contrário, parecia um homem que havia vencido.
— Aquela não é a mulher com quem você estava conversando mais cedo? — Alessandro sussurrou, inclinado em direção a Raquel.

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