Eu estava nervosa, muito nervosa. Sentia como se, a qualquer momento, uma bomba estivesse prestes a explodir bem ali, no meio daquele salão elegante demais para comportar tanto caos.
Queria sair. Levantar da mesa, inventar qualquer desculpa e fugir de tudo aquilo antes que fosse tarde demais. Mas não dava. Minhas pernas pareciam presas ao chão, e eu sabia que qualquer movimento em falso chamaria atenção demais.
Renato estava distraído, envolvido na conversa, rindo, gesticulando. Não percebia meu desconforto crescente, nem o aperto no meu peito, nem o fato de que eu mal conseguia respirar direito.
A conversa à mesa continuava, mas para mim o tempo parecia ter desacelerado. Cada risada soava distante. Cada palavra, irrelevante.
Eu não estava mais ali. Estava apenas esperando o momento em que tudo desmoronaria. Enquanto ele conversava com o homem sentado conosco, outro se aproximou da mesa, interrompendo a conversa.
— Renato, finalmente — disse o homem, cumprimentando-o com um aperto de mão. — Pensei que não viria.
— Jamais perderia um jantar como esse — respondeu, apertando a mão dele.
— Vejo que está bem acompanhado — o homem observou, olhando para mim.
— Esta é minha esposa, Sara.
A palavra esposa ainda soava estranha nos meus ouvidos.
— Oras, agora entendo por que quis se casar de repente, com todo o respeito, a sua esposa é linda e esses olhos dela são hipnotizantes. — disse o homem, sorrindo para mim.
Foi a primeira vez que alguém elogiou os meus olhos e confesso que, apesar de nervosa, nunca fiquei tão feliz em minha vida. Sempre tive que escondê-los por conta dos óculos e agora, deixar o que havia de mais bonito em mim à vista me deixava de certo modo animada.
— Realmente, ela é muito linda, e os olhos dela são algo que não poderiam ficar escondidos por aí — Renato respondeu.
Eu sabia que ele dizia aquilo por conveniência. Não era elogio; era estratégia. Um jeito de reforçar a imagem que queria vender ali, diante de todos, como se cada palavra tivesse sido ensaiada antes mesmo de eu sentar à mesa.
Sorri de leve, exatamente como ele esperava, enquanto por dentro a ansiedade se enroscava ainda mais. Ver Raquel ali tão alheia ao que estava acontecendo me fez crescer um novo sentimento.
Senti raiva.
Raiva dela.
Raiva dele.
Raiva de mim mesma por estar sentada ali, fingindo normalidade, enquanto tudo dentro de mim gritava para sair correndo.
Depois de trocarem algumas palavras, o homem saiu dali, deixando-nos apenas com o casal que estava à mesa.
— O que foi? — Renato perguntou depois de um tempo, finalmente me encarando.
— Não estou me sentindo bem — respondi, tentando controlar a voz.
— Logo hoje? — zombou, arqueando a sobrancelha.
— E existe dia apropriado para se sentir mal? — questionei, devolvendo o sarcasmo na mesma medida.
Rapidamente, ele estreitou o olhar para mim.
— Olha como fala comigo — retrucou. — Não é porque estamos no meio de outras pessoas que vou tolerar a sua rebeldia.

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