Depois que vi Raquel e o amante saírem dali praticamente fugidos, voltei o olhar para Renato, que já estava no centro do salão, apertando a mão do anfitrião e agradecendo a consideração que estavam tendo por ele. Enquanto falava, passava a imagem de um homem seguro, impecável, como se nada pudesse abalá-lo. Mas eu sentia. Ele estava nervoso.
Depois de dirigir algumas palavras aos convidados, ele retornou à mesa. Percebi que seus olhos não desgrudavam do espaço onde Raquel e Alessandro haviam estado momentos antes. Assim que se sentou, abriu um sorriso para mim, consciente de que ainda estava sendo observado. No entanto, quando notou que já não era mais o centro das atenções, puxou minha cadeira para mais perto, diminuindo a distância entre nós para falar em um tom mais íntimo.
Confesso que aquele gesto me desagradou de imediato, e não consegui esconder isso na expressão. Ainda assim, quando encarei seus olhos frios, percebi que aquele não era o momento apropriado para questionar ou reclamar de nada.
— Você viu quem estava aqui? — perguntou, sussurrando perto do meu ouvido.
— Vi, sim — respondi, tentando disfarçar o incômodo que aquela proximidade me causava.
— Para onde eles foram?
— Saíram do salão assim que você se levantou — revelei, sem rodeios.
Renato cerrou o punho. Em seguida, pegou a taça de champanhe da mesa e a esvaziou em um único gole.
— Eu quero muito ir atrás deles agora mesmo — confessou, em voz baixa. — Mas não posso fazer isso… não agora.
— Você tem razão — concordei. — Tem um nome a zelar. Sei que está nervoso com tudo isso, mas precisa pensar em você neste momento.
De repente, ele me encarou de um jeito diferente, como se não esperasse aquela resposta.
— Se perder o controle aqui, vai dar exatamente o que eles querem — concluí.
Renato me observou por alguns segundos em silêncio. O maxilar ainda estava rígido, mas algo no olhar dele mudou. Menos fúria.
— Você é mais lúcida do que aparenta — disse, por fim. — Não esperava essa resposta vindo de você — revelou.
— Por quê? — Decidi perguntar.
Pensativo, ele inclinou a cabeça e respondeu:
— Porque, na minha mente, tudo o que você quer é que eu encontre a sua irmã e acabe logo com tudo isso, para, assim, te deixar em paz.
Respirei fundo antes de responder.
— Você tem razão quando diz que eu quero ser deixada em paz — admiti. — Mas isso não significa que eu queira que você se meta em uma confusão.
Ele me observou com atenção, como se estivesse tentando decidir se acreditava ou não.
— Sei que você não acredita em mim — continuei —, mas eu não concordo com o que a minha irmã fez.
Desviando o olhar por um instante, Renato percebeu que minha taça continuava intocada. Sem dizer nada, a pegou e esvaziou todo o líquido em um único gole. Senti que ele fazia aquilo para tentar se controlar, mas a ideia de saber que ele poderia ficar bêbado me deixou um pouco preocupada, pois não tinha ideia de como ele se comportava quando estava bêbado.
— Vê se não exagera, eu sou muito pequena para conseguir carregar você — brinquei, e vi que ele sorriu.
— Não vai precisar — respondeu. — Não se preocupe.
Um garçom passou por nós, e Renato solicitou que deixasse mais algumas taças. Bebeu todas sem hesitar. Aquilo me deixou em alerta.
Depois do jantar, nos despedimos de algumas pessoas e saímos dali. Assim que caminhamos pelo corredor, percebi que ele cambaleava levemente.
— Vai com calma — adverti, seguindo alguns passos à frente, até perceber que ele havia ficado para trás.
Virei-me a tempo de vê-lo se encostar na parede do corredor, passando a mão pelo rosto.
— Você não entende — ele confessou, em voz baixa. — Se eu não tivesse feito isso, teria perdido o controle.
— Eu não quero ir para o quarto — revelou. — Preciso beber alguma coisa.
Ele tentou se endireitar como podia e se virou, começando a caminhar na direção oposta à do nosso quarto.
— Onde pensa que vai? — indaguei, preocupada.
— Não é da sua conta — rebateu. — Pode ir para o quarto e deitar na cama. Eu não pretendo ir para lá hoje.
Eu devia apenas assentir e pronto, afinal, ele não era problema meu. Mas algo dentro de mim dizia que aquele não era o momento de deixá-lo sozinho.
— Eu não vou para o quarto sem você — declarei, segura.
Mas ele sequer respondeu. Continuou caminhando, ignorando-me por completo, o que só fez a minha irritação crescer.
— Renato Salles, você não está me ouvindo? — falei com a voz mais alterada, apressando o passo até alcançá-lo.
Segurei seu braço.
Ele se virou de repente.
— O que pensa que está fazendo? — questionou, com o olhar duro, embora o corpo ainda denunciasse o desequilíbrio.
Respirei fundo, sustentando o olhar dele.
— Estou apenas ajudando o meu marido a manter o equilíbrio — respondi, firme. — Vamos para o quarto agora mesmo. Essa noite já deu o que tinha que dar.
Enquanto dizia isso, não desviei os olhos dos dele nem por um segundo.

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