Renato me encarou em silêncio, claramente dividido entre a vontade de retrucar e o cansaço que já não conseguia disfarçar. O maxilar dele estava tenso, os ombros rígidos, como se cada palavra minha fosse uma afronta direta ao seu orgulho.
— Desde quando você manda em mim? — murmurou, com a voz rouca.
— Desde o momento em que você quase não consegue ficar em pé — rebati.
Ele respirou fundo, passando a mão pelo rosto.
— Você não faz ideia do que está falando.
— Faço, sim — respondi, sem hesitar. — Estou pedindo que você pare antes de se machucar… ou machucar alguém.
O olhar dele vacilou por um instante. Foi rápido, mas eu vi. E soube que tinha tocado onde doía.
— Me deixe em paz, Sara.
— Não vou deixar — retruquei, teimosa. — Eu não vou permitir que você vá a lugar algum do jeito que está.
— Acha que estou bêbado? — zombou.
— Eu não acho — respondi, sem hesitar. — Estou apenas deduzindo pelo que estou vendo.
— Pare com isso e me solte agora mesmo! — ordenou.
Mas eu não obedeci. Pelo contrário, segurei o braço dele com ainda mais força.
— Eu já disse que não vou para o quarto sem o meu marido — declarei. — Se quiser resolver qualquer coisa, deixe para amanhã. Por hoje, a nossa noite acaba aqui.
Ao perceber o quanto eu estava segura daquilo, ele começou a rir, um riso curto e cheio de desdém.
— Pare de agir como se estivesse preocupada — disse. — No fundo, eu sei que você ri de mim como a sua irmã e aquele desgraçado também devem rir.
— Eu nunca ri de você, Renato — respondi, sentindo o peso da acusação. — Jamais sentiria prazer na sua dor.
Ele me encarou em silêncio. O riso desapareceu gradualmente, substituído por algo mais difícil de definir.
— Vamos — insisti, puxando-o de leve pelo braço. — Amanhã você lida com tudo isso. Hoje, não.
Renato fechou os olhos por um segundo, como se estivesse travando uma guerra interna. Quando os abriu, a resistência parecia menor.
— Você é teimosa — disse, por fim.
— Aprendi com você — retruquei.
Ele soltou um meio sorriso cansado, finalmente cedendo. Deixou que eu o conduzisse pelo corredor, apoiando-se mais em mim do que gostaria de admitir. Quando chegamos ao quarto, abri a porta e o ajudei a caminhar até a cama. Ele se sentou com cuidado, apoiando as mãos no colchão. Quando tentei me afastar, senti sua mão segurar meu braço.
— Obrigado — disse, me encarando.
— Está me agradecendo pelo quê? — questionei, intrigada.
— Por não me deixar agir por impulso — respondeu, sério. — Nem fazer algo de que eu me arrependeria amanhã.
O olhar dele estava mais calmo agora, cansado, mas sincero. Aquela dureza de antes havia cedido espaço a algo mais humano.
— Descanse agora — pedi, suavizando o tom.

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