Como não conseguiu nada com Sara, Renato saiu do quarto novamente, mas desta vez deixou bem claro que não queria que ela saísse dali por nada. Cansada e sabendo que não tinha forças para lutar, ela apenas se deitou na cama, vencida pela dor e pelo cansaço.
Quando já estava quase dormindo, o celular começou a tocar. Era sua mãe.
Pensou em ignorar mais uma vez, mas algo dentro dela disse que deveria atender.
— Alô, mãe.
— Ah, até que enfim — disse Soraya, do outro lado da linha, com a voz nada amigável. — Eu já estava começando a achar que você tinha resolvido sumir de vez.
Sara fechou os olhos por um instante, respirando fundo.
— Não vai perguntar como estou? — ela perguntou, mesmo sabendo que a mãe não parecia se importar nem um pouco.
— Acho que deve estar muito bem — ironizou a mãe. — Porque o que chegou até mim deixa tudo bem claro.
— Do que está falando? — perguntou, cansada.
— A Raquel me ligou, sabia? Disse que se encontrou com você.
— Pois é, eu a encontrei bem feliz num hotel com o amante, como se não tivesse feito nada.
— Não estamos falando dela agora, Sara — a mãe protestou. — O que quero saber é o que está havendo entre você e o Renato Salles.
— E o que a senhora acha que está acontecendo?
— Minha nossa! — protestou a mãe. — Bem que a Raquel disse que você está bem bocuda.
— Parece que mesmo depois de tudo o que a Raquel fez, a senhora continua do lado dela, não é?
— Não é questão de lado, garota! — declarou. — Só quero saber o que você está fazendo nesse hotel!
Sara apertou o celular com raiva. Saber que a mãe não estava nem um pouco preocupada com ela depois de tudo o que tinha passado a deixava revoltada.
— É incrível como algumas coisas não mudam, né? — perguntou, tentando controlar a voz para não chorar.
— O que está querendo dizer com isso, garota? — retrucou Soraya, impaciente.
Sentindo o peito apertar, ela respirou fundo, antes de continuar:
— Eu tive que sair de casa por causa de uma injustiça e, mesmo assim, quando você me liga, não pergunta se estou bem, não se preocupa com nada. Você tem noção do que aconteceu comigo todo esse tempo?
— Já disse que acho que você deve estar muito bem — respondeu a mãe, seca. — Afinal, o Renato não te devolveu depois do casamento e agora sei que está desfilando por aí com ele, como se fosse a esposa perfeita.
— Você me odeia tanto que, na primeira oportunidade que teve, me colocou para fora de casa — disse, entre soluços. — E agora me liga revoltada porque descobriu que estou bem. Aposto que isso te incomoda mais do que tudo.
— Como ousa falar assim comigo, sua… — Soraya começou, mas se calou.
Houve um breve silêncio. Era como se ela ponderasse cada palavra antes de continuar.
— Você não faz ideia do quanto me decepciona — disse, por fim, num tom frio. — Achei que poderíamos ter uma conversa civilizada, mas vejo que está ludibriada. Eu não sei o que deu em você, Sara, mas saiba que isso não vai ficar assim — disse, por fim. — Sei que, cedo ou tarde, você vai voltar para casa. E, quando isso acontecer, vamos ter essa mesma conversa e quero ver se vai ter coragem de alterar a voz comigo outra vez.
Antes que pudesse responder, Sara percebeu que a ligação havia sido encerrada.
Ela afastou o celular com um movimento brusco, jogando-o ao lado da cama. O peito doía, não só pelo choro reprimido, mas pela certeza amarga de que nada mudaria daquele lado.
Ali, sozinha naquele quarto, tomou uma decisão impulsiva, movida pelo desespero e pelo medo de voltar atrás. Faria qualquer coisa para nunca mais retornar para aquela casa. Qualquer coisa.
Mesmo que, naquele momento, sua mente cogitasse caminhos que a assustavam.
Pensar em Renato Salles como uma saída fez seu estômago se revirar. Não era o que queria. Não era o que merecia. Mas a ideia de voltar para onde nunca foi acolhida parecia ainda pior.
Virou-se na cama, encarando o teto, sentindo o peso daquela escolha antes mesmo de fazê-la. Sabia que estava à beira de algo perigoso, não por desejo, mas por cansaço, por falta de opções e por uma solidão que já durava tempo demais.
Mas, no fundo, tinha medo do que poderia acabar aceitando apenas para não voltar a ser rejeitada outra vez.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!