A pergunta a fez engolir em seco, pois ainda estava abalada com o que Renato havia acabado de fazer. Ele não só a beijou de um modo intenso, algo que ela nunca havia vivido antes, como também a fez perceber o quanto aquilo havia ido longe demais.
Se afastando um pouco, tentou recuperar o fôlego e organizar os próprios pensamentos. O coração batia rápido, não apenas pelo susto, mas pela confusão que se instalava dentro dela.
— Isso não está certo — murmurou, evitando encará-lo por muito tempo. — Não faça isso novamente.
Renato passou a mão pelos cabelos, visivelmente tenso. Não parecia arrependido, mas também não parecia indiferente. Havia algo em seu olhar que a deixava ainda mais inquieta.
— Se não tivesse saído desse quarto, nada disso teria acontecido — ele disparou, fazendo com que ela o encarasse no mesmo instante.
— Não coloque a culpa em mim — rebateu, sentindo o peito apertar. — Eu não sabia o que iria acontecer.
Renato passou a mão pelo rosto, impaciente, como se tentasse conter algo dentro de si.
— Mas aconteceu, droga, e agora estamos aqui! — rebateu. — Por que não facilita um pouco? Você correspondeu ao beijo, não foi?
Ela abriu a boca para responder, mas ele continuou, sem lhe dar espaço.
— E não venha dizer que ficou indiferente. Eu senti. Percebi a forma como seu corpo reagiu quando me aproximei de você.
Sara sentiu o rosto arder, dividida entre a raiva e a confusão.
— O que custa, hein? — ele insistiu, num tom mais baixo, quase persuasivo. — Já estamos juntos nessa. Você é mulher, eu sou homem. Não tem nada demais em unir o útil ao agradável.
Ela respirou fundo, tentando conter o turbilhão dentro de si. Aquela forma dele falar, tão direta, a incomodava, mas ao mesmo tempo a deixava ainda mais consciente do quanto a situação havia fugido do controle.
— Pelo amor de Deus, você tem noção do que está falando? — disse, levantando-se da cama, sentindo as pernas cambalearem um pouco por causa do nervosismo.
— Por que quer bancar a puritana? — ele bradou. — Do jeito que age, até parece que nunca fez isso!
O rosto dela ficou vermelho no mesmo instante, não de raiva, mas de vergonha. Sentiu o calor subir pelo pescoço e precisou desviar o olhar, incomodada com a forma como ele a expunha.
Era claro que nunca havia feito aquilo, mas jamais assumiria, ainda mais para ele.
— Não ouse falar comigo desse jeito — rebateu, tentando manter a voz firme, mas houve um leve tremor em seu tom. — Você não sabe nada sobre mim.
Renato ficou em silêncio por alguns segundos, como se tivesse percebido que havia ido longe demais, mas o orgulho ainda o mantinha rígido no lugar, ele não recuou. Ao contrário, deu um passo à frente, confiante demais.
— Sei que não sente nada por mim, e eu também não sinto — continuou —, além de atração física, é claro. Mas não precisamos sentir nada. Prometo que será bom, Sara. Vou ser carinhoso com você, ainda mais sabendo que seu corpo está dolorido.
A cada palavra, ela se sentia ainda mais constrangida. O rosto queimava, e o nó na garganta só aumentava.
— Eu não vou ficar aqui ouvindo isso — disse, virando-se e caminhando em direção à porta.
Mas ele a interceptou antes que conseguisse sair, apoiando a mão na madeira e bloqueando sua passagem.
— Para onde pensa que vai? — perguntou, endurecendo a voz agora. — Não precisa fugir.
Ela ergueu o olhar, sentindo o coração disparar.
— Não estou fugindo, só não estou gostando do rumo que as coisas estão tomando — revelou.
Percebendo que não conseguiria nada naquele instante, Renato suspirou pesado e, depois, assentiu.
— Tudo bem — concordou. — Não vou falar mais nada sobre isso.
Ele se afastou da porta, e ela deu um passo à frente, aliviada.

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