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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 52

A pergunta a fez engolir em seco, pois ainda estava abalada com o que Renato havia acabado de fazer. Ele não só a beijou de um modo intenso, algo que ela nunca havia vivido antes, como também a fez perceber o quanto aquilo havia ido longe demais.

Se afastando um pouco, tentou recuperar o fôlego e organizar os próprios pensamentos. O coração batia rápido, não apenas pelo susto, mas pela confusão que se instalava dentro dela.

— Isso não está certo — murmurou, evitando encará-lo por muito tempo. — Não faça isso novamente.

Renato passou a mão pelos cabelos, visivelmente tenso. Não parecia arrependido, mas também não parecia indiferente. Havia algo em seu olhar que a deixava ainda mais inquieta.

— Se não tivesse saído desse quarto, nada disso teria acontecido — ele disparou, fazendo com que ela o encarasse no mesmo instante.

— Não coloque a culpa em mim — rebateu, sentindo o peito apertar. — Eu não sabia o que iria acontecer.

Renato passou a mão pelo rosto, impaciente, como se tentasse conter algo dentro de si.

— Mas aconteceu, droga, e agora estamos aqui! — rebateu. — Por que não facilita um pouco? Você correspondeu ao beijo, não foi?

Ela abriu a boca para responder, mas ele continuou, sem lhe dar espaço.

— E não venha dizer que ficou indiferente. Eu senti. Percebi a forma como seu corpo reagiu quando me aproximei de você.

Sara sentiu o rosto arder, dividida entre a raiva e a confusão.

— O que custa, hein? — ele insistiu, num tom mais baixo, quase persuasivo. — Já estamos juntos nessa. Você é mulher, eu sou homem. Não tem nada demais em unir o útil ao agradável.

Ela respirou fundo, tentando conter o turbilhão dentro de si. Aquela forma dele falar, tão direta, a incomodava, mas ao mesmo tempo a deixava ainda mais consciente do quanto a situação havia fugido do controle.

— Pelo amor de Deus, você tem noção do que está falando? — disse, levantando-se da cama, sentindo as pernas cambalearem um pouco por causa do nervosismo.

— Por que quer bancar a puritana? — ele bradou. — Do jeito que age, até parece que nunca fez isso!

O rosto dela ficou vermelho no mesmo instante, não de raiva, mas de vergonha. Sentiu o calor subir pelo pescoço e precisou desviar o olhar, incomodada com a forma como ele a expunha.

Era claro que nunca havia feito aquilo, mas jamais assumiria, ainda mais para ele.

— Não ouse falar comigo desse jeito — rebateu, tentando manter a voz firme, mas houve um leve tremor em seu tom. — Você não sabe nada sobre mim.

Renato ficou em silêncio por alguns segundos, como se tivesse percebido que havia ido longe demais, mas o orgulho ainda o mantinha rígido no lugar, ele não recuou. Ao contrário, deu um passo à frente, confiante demais.

— Sei que não sente nada por mim, e eu também não sinto — continuou —, além de atração física, é claro. Mas não precisamos sentir nada. Prometo que será bom, Sara. Vou ser carinhoso com você, ainda mais sabendo que seu corpo está dolorido.

A cada palavra, ela se sentia ainda mais constrangida. O rosto queimava, e o nó na garganta só aumentava.

— Eu não vou ficar aqui ouvindo isso — disse, virando-se e caminhando em direção à porta.

Mas ele a interceptou antes que conseguisse sair, apoiando a mão na madeira e bloqueando sua passagem.

— Para onde pensa que vai? — perguntou, endurecendo a voz agora. — Não precisa fugir.

Ela ergueu o olhar, sentindo o coração disparar.

— Não estou fugindo, só não estou gostando do rumo que as coisas estão tomando — revelou.

Percebendo que não conseguiria nada naquele instante, Renato suspirou pesado e, depois, assentiu.

— Tudo bem — concordou. — Não vou falar mais nada sobre isso.

Ele se afastou da porta, e ela deu um passo à frente, aliviada.

— Ela está com ciúmes de mim? — perguntou ele, erguendo a sobrancelha.

Ele mudou um pouco a expressão. Foi rápido, mas ela notou. Percebeu também um fio de esperança na voz dele, como se quisesse acreditar que Raquel estivesse incomodada com aquilo.

Sara respirou fundo. Não queria alimentar algo que não existia.

— Não, Renato — disse com calma. — O que a minha irmã não suporta é o fato de não ser o centro das atenções, apenas isso.

Ele franziu a testa e mordeu os lábios.

— Então não é sobre mim — murmurou, mais para si mesmo.

Embora já soubesse daquilo, a verdade ainda lhe doía. Saber que foi esquecido tão rápido pela mulher que tanto amou deixava seu ego ferido.

— De qualquer forma, se o fato de ver você comigo a incomoda, já é um bom sinal — disse ele. — A sua irmã tentou acabar com a minha paz. Pois bem, vou acabar com a paz dela também — declarou, com o olhar endurecido.

Sara sentiu um arrepio ao notar a mudança repentina em sua expressão.

— Já que não posso acabar com aqueles dois ainda, vou tornar a nossa estadia aqui mais interessante — disse, com um meio sorriso que não chegou aos olhos.

Sara o encarou, apreensiva.

— Por favor, não me envolva nisso — pediu. — Eu não quero fazer parte de vingança nenhuma.

Ele a olhou por cima do ombro.

— Você já está envolvida, goste ou não.

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