Quando sentiu os lábios de Sara nos seus, Renato não hesitou. Pelo contrário, puxou-a para mais perto do próprio corpo, como se aquela ideia tivesse sido a mais inteligente que ela tivera até então. Além de saber que a ex veria a cena, ele podia, enfim, silenciar a vontade que vinha reprimindo desde cedo.
Com um movimento firme, aprofundou o beijo apenas o suficiente para deixar claro que não era encenação. Era real. E, do outro lado do salão, a reação que ele esperava não demorou a acontecer.
Quando viu Renato beijando a irmã, Raquel se afastou de Alessandro num impulso, empurrando-o para longe de si. A atitude foi involuntária e imediata, resultado do choque que sentiu ao presenciar a cena.
— O que foi isso? — Alessandro questionou, surpreso.
Raquel não respondeu de imediato. O olhar estava fixo em Renato e Sara, seu peito subia e descia rápido demais. Aquilo não era só provocação. Doía mais do que ela gostaria de admitir.
Algo dentro dela se incomodou mais do que deveria. Em sua mente, insistia que não se importava com o que Renato fazia ou deixava de fazer, mas vê-lo ali, tão à vontade e completamente hipnotizado por Sara, feriu seu orgulho de um jeito que não esperava.
— Nada — respondeu, por fim, tentando disfarçar, mas sem conseguir esconder o incômodo. — Só… me distraí.
Seguindo a direção do olhar dela, Alessandro entendeu tudo no mesmo instante. Um sorriso tenso surgiu em seus lábios.
— Pelo visto, eles decidiram encenar muito bem — murmurou, incomodado também por ver que Renato, mais uma vez, parecia não se importar com o que estavam fazendo ali.
Raquel apertou os lábios, irritada consigo mesma.
— Por que não saímos daqui? — Ela perguntou, tentando disfarçar o incômodo.
— Porque somos tão convidados quanto ele — Alessandro respondeu, seco.
Ainda com os lábios nos de Sara, Renato aprofundou o beijo por mais alguns instantes, seguro de si. As mãos dele começaram a deslizar pelo corpo dela, com uma urgência. Lentamente, o barulho do salão pareceu desaparecer. Nada ao redor fazia sentido ou tinha importância. Tudo o que ele precisava estava ali, entre seus braços.
Mas, quando Sara percebeu que os gestos dele começavam a ficar mais explícitos, recuou levemente, apoiando a mão em seu peito.
Renato abriu os olhos, confuso por um segundo.
— Aqui não — ela murmurou, com a respiração ainda irregular. — Não desse jeito.
Ele a encarou por alguns instantes e, então, assentiu, como se tivesse voltado à realidade.
— Você tem razão — respondeu, mais contido, mantendo-a próxima. — Vamos para o nosso quarto agora mesmo — ele sugeriu com a voz rouca de desejo, já fazendo menção de sair dali com ela.
Sara hesitou no mesmo instante e segurou o braço dele.
— Ainda não — pediu, em tom baixo. — Não podemos sair do salão agora. As pessoas iriam notar a sua ausência e isso não seria bom para você.
Claramente contrariado, Renato respirou fundo, mas parou.
— Desde quando você se preocupa com isso? — perguntou, tentando entender.

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