Mesmo sem saber dançar, Sara se arriscou ao lado de Renato no salão. Percebeu que aquela proximidade podia aliviar, ao menos um pouco, o peso do que sabia que enfrentaria quando estivessem a sós. Enquanto se movia no ritmo da música, notou que o humor dele havia mudado. O homem tenso de mais cedo, incomodado com a presença do ex-amigo traidor e da ex-noiva, dava lugar a alguém cheio de expectativas.
Durante a dança, Renato a mantinha próxima, conduzindo cada passo. O toque dele era mais presente, mais consciente, como se quisesse deixar claras as suas intenções.
Do outro lado do salão, Raquel não tirava os olhos deles. Não era ciúme — ao menos era isso que insistia em repetir para si mesma. Era indignação. Orgulho ferido. Uma sensação incômoda de ter sido substituída rápido demais.
— Isso é teatro — murmurou.
— O que foi que você disse? — Alessandro perguntou.
— Nada. Não disse nada — respondeu, irritada.
Percebendo o quanto ela parecia à beira de perder o controle, Alessandro decidiu encerrar aquilo. Também não estava satisfeito com o resultado da noite e sentia que não poderia tirar nenhum proveito daquele lugar.
— Por que você não vai para o quarto? — sugeriu, por fim. — Devia descansar mais cedo.
— E você não vai comigo? — ela perguntou, fazendo um leve bico.
— Não. Tenho alguns assuntos pendentes que me obrigam a ficar aqui — respondeu, já impaciente.
— Eu não quero ficar sozinha — disse, com a voz melosa.
— Não se preocupe. Assim que eu terminar, vou em seguida.
— Mas… — tentou protestar.
Porém, Alessandro já demonstrava pouca paciência. Diante disso, Raquel apenas assentiu, engolindo a frustração.
Sentia que aquele definitivamente não havia sido um bom dia. Ainda assim, agarrou-se à ideia de que tudo iria passar. Sua irmã inútil não tiraria sua paz, muito menos a felicidade que acreditava estar vivendo.
— Tudo bem, eu já vou — disse, forçando um sorriso. — Mas prometo que vou ficar te esperando do melhor jeito — provocou, piscando o olho.
Raquel saiu dali rebolando de leve, certa de que ainda tinha controle da situação, sem imaginar que, na cabeça de seu amante, ela começava a não ter mais nenhum valor.
Quando a dança terminou, Hélio, o anfitrião, aproximou-se e chamou Renato para conversar um pouco sobre negócios.
— Pode ir — disse Sara, tentando tranquilizá-lo. — Vou me sentar um pouco e descansar.
— Não saia daqui de perto — pediu ele, educado apenas no tom, embora o olhar deixasse claro que aquilo era mais do que um simples pedido.
Renato se afastou com Hélio, e Sara procurou uma cadeira próxima ao salão. Sentou-se, pegou mais uma taça de bebida e ficou ali observando os convidados ao redor. Volta e meia, alguém se aproximava para puxar conversa, elogiava o vestido ou fazia algum comentário trivial. Ela sorria, respondia por educação, mas sua atenção não estava realmente ali.
O olhar de Sara percorria o salão com insistência, à procura da irmã.
Procurou uma vez. Depois outra. Olhou para perto do bar, para a pista de dança, para os sofás próximos à varanda. Nada de Raquel.
A ausência começou a incomodá-la.
— Não sabia que a Raquel tinha uma irmã tão linda — comentou, como se estivesse ali por acaso.
Sara parou no mesmo instante e o encarou, surpresa com a ousadia.
— Com licença — insistiu, seca, tentando seguir em frente.
— Calma — ele disse, dando um meio sorriso. — Não precisa ficar na defensiva. Foi só um comentário.
— Não tenho interesse nesse tipo de comentários — rebateu, mantendo a postura firme. — Ainda mais vindo de uma pessoa como você.
Alessandro ergueu as mãos, num gesto de falsa rendição.
— Touché — respondeu. — Parece que o Renato já andou falando de mim para você, hein? — disparou, convencido.
— Na verdade, não — ela rebateu depressa. — Meu marido nunca perdeu tempo falando de coisas ou pessoas triviais para mim. O que sei sobre você é o mesmo que sei da Raquel: que vocês se merecem.
O comentário não agradou Alessandro nem um pouco. A expressão dele se fechou de imediato. Irritado, deu um passo à frente, tentando intimidá-la.
— Quem você pensa que é para falar assim comigo, hein, sua vadia?
A voz ameaçadora e a proximidade a fizeram hesitar. Sara sentiu que tinha cutucado a onça com vara curta e, naquele momento, não havia ninguém que pudesse ajudá-la. Rapidamente, ela deu alguns passos para trás, mas ele avançou antes que pudesse reagir. Alessandro segurou o braço dela com ignorância, apertando o suficiente para fazê-la prender a respiração, inclinando-se para falar baixo, cruel.
— Preste atenção, seu lixo. Sei que você está ajudando o Renato a tentar sair por cima. Mas, para o seu próprio bem, é melhor sair logo de cena por vontade própria, ou eu mesmo acabarei com você.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!