Sem conseguir acreditar no que ouvia, Raquel se levantou do chão, ainda em choque.
— Você não pode fazer isso comigo — disse, com a voz trêmula. — Você jurou que gostava de mim, que queria fugir comigo porque me amava.
— E você caiu como uma boba na minha conversa — disparou ele, já vasculhando o armário em busca de roupas. — Como o Renato mesmo disse, você foi fácil demais.
— Seu canalha! — gritou, avançando para lhe dar um tapa no rosto.
Antes que conseguisse, Alessandro segurou seu braço com força, impedindo o golpe.
— Quem você pensa que é, hein? — rosnou. — Acha mesmo que pode tocar em mim, vagabunda?
Ela arregalou os olhos, sentindo o golpe das palavras mais do que da força.
— Como ousa me chamar assim?
— Estou mentindo? — provocou, soltando o braço dela com desprezo. — Acha mesmo que eu iria querer algo sério com uma mulher que, na primeira investida, caiu nas minhas garras sem pensar duas vezes no noivo? Pelo amor de Deus, Raquel, não se faça de santa.
Ela recuou um passo, sentindo as pernas fraquejarem.
— Eu larguei tudo… — murmurou. — Minha família, meu casamento, minha vida…
— Problema seu — interrompeu, vestindo a camisa. — Você fez porque quis.
Raquel balançou a cabeça em negação.
— Você está dizendo isso só por raiva… — tentou se convencer. — Por causa do que aconteceu agora.
Ele riu, um riso curto e sem humor.
— Não, Raquel. Estou dizendo agora porque não preciso mais fingir. Eu odeio o Renato. Mais do que qualquer coisa nesse mundo — confessou, sem rodeios. — A única coisa que quero é vê-lo na sarjeta. Achei que, com você ao meu lado, conseguiria isso… mas agora percebo que o foco dele mudou.
— Não… — ela sussurrou, sentindo o chão sumir sob seus pés.
— Acho que você subestimou a sua irmã, hein? — continuou, com um sorriso torto. — Me diz, o que ela tem de tão especial que conseguiu prender a atenção do Renato em tão pouco tempo?
Raquel engoliu em seco. Pela forma fria como ele falava, sem raiva, sem emoção, entendeu de vez: Alessandro nunca esteve ali por ela. Tudo sempre foi apenas ódio, inveja e vingança.
Levando as mãos à cabeça, andou de um lado para o outro, completamente transtornada. Quando parou de repente, encarou Alessandro com os olhos arregalados.
— A Sara não tem nada — disparou. — Nada! Sempre foi apagada, sem graça, vivendo à minha sombra. Como ela conseguiu isso? Como conseguiu tomar o meu lugar?
Ele deu de ombros, indiferente.
— Talvez justamente por não ser como você — respondeu, seco.
As palavras atingiram-na como um tapa.
— Não… — murmurou, sentindo as pernas cederem. — Ele estava aqui por mim, não por aquela sonsa.
A imagem de Renato protegendo Sara, chamando-a de esposa, atravessou sua mente.
— Você não pode me descartar assim, entendeu? — gritou, tomada pelo desespero. — Nem pode falar comigo desse jeito depois de tudo o que passamos.
Ela deu alguns passos na direção dele.
— Raquel? — a mãe exclamou, assustada. — Filha, enfim resolveu aparecer, estávamos preocupados com o seu paradeiro.
Sem responder, ela avançou e segurou a mãe pelos ombros, sacudindo-a, tomada pela revolta.
— Como vocês deixaram aquela sonsa ocupar o meu lugar? — disparou, com a voz carregada de ódio. — Me diz, como deixaram isso acontecer?
A mãe tentou se soltar, confusa, enquanto ela respirava com dificuldade.
— Filha, pelo amor de Deus, eu já te expliquei como as coisas aconteceram… — Soraya tentou explicar, aflita.
— Não! — Raquel gritou, interrompendo-a. — Por que vocês decidiram ajudar o Renato, hein? Era para ele ser humilhado na frente de todos! Era isso que eu queria!
A mãe a encarou, atônita, enquanto Raquel andava pela sala como um animal acuado, respirando com dificuldade.
— Como poderíamos deixá-lo ser humilhado? — retrucou a mãe, tentando manter a calma. — Você se esqueceu de que era o Renato quem nos ajudava com a empresa?
— E por acaso ele os ajuda ainda? — perguntou, com os olhos estreitos.
O silêncio da mãe já foi a resposta suficiente de que precisava.
— Se vocês não contam mais com o Renato, então o que precisam fazer é trazer aquela desgraçada da Sara de volta para casa — disparou, fora de si. — Eu não vou sossegar enquanto aquela insolente não voltar para esta casa e aprender que não se toma o lugar de ninguém assim.
A mãe arregalou os olhos, assustada com o ódio explícito na voz da filha.
— Filha, se acalme, tenho certeza de que o Renato irá descartá-la em breve. Conhecemos a Sara, sabemos que ela não é tão útil assim.
— O problema é que eu não tenho paciência para esperar! — gritou. — Eu não vou ficar sentada assistindo enquanto aquela garota vive o que era para ser meu. Ou vocês resolvem isso, ou resolvo do meu jeito.

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