Quando saiu do quarto dos traíras, Renato decidiu não voltar para o seu. Teve outra ideia. Seguiu direto para o bar do hotel. Precisava de algo forte para tentar calar tudo o que havia ouvido da boca de Raquel.
Por mais que fingisse indiferença, doía. Doía a lembrança de ter sido abandonado, trocado e ignorado de forma tão fria, como se tudo o que viveram não tivesse significado nada.
Sentou-se no balcão e pediu a bebida sem pensar duas vezes. Virou o primeiro copo de uma vez só, sentindo o líquido queimar a garganta, mas não o suficiente para apagar o peso no peito.
Ele não sentia falta dela. Não era isso. O que o incomodava era o desprezo, a traição, a certeza de que havia sido usado. Respirou fundo, apoiando os cotovelos no balcão.
Continuar era preciso, mas ele ainda não sabia como. Por mais que não admitisse, naquele momento sua sorte atendia pelo nome de Sara. Usá-la era, de certa forma, uma maneira de devolver a Raquel um pouco do que ela havia feito com ele.
Renato sabia que Raquel desprezava a própria irmã. E tinha plena consciência de que vê-la ocupando o seu lugar despertava nela um ódio profundo. Era exatamente isso que ele queria provocar. Que ela sentisse a mesma dor. A dor de ser trocada por alguém que sempre julgou inferior. Não era orgulho. Era vingança. E, gostasse ou não, era isso que o mantinha em movimento.
Os copos se sucederam um após o outro. O tempo passou sem ele perceber. O bar foi esvaziando aos poucos, as luzes ficando mais baixas, enquanto a bebida fazia efeito e deixava tudo mais lento, mais pesado.
De repente, ele olhou para a porta do bar e viu Sara entrar, com o olhar percorrendo o ambiente como se o procurasse. Quando seus olhos se cruzaram, não pôde deixar de notar o quanto ela era linda. Havia algo em sua feição que a fazia parecer inocente. Ainda assim, sabia que não podia se deixar levar por aquela impressão. Já havia sido enganado por Raquel e não cometeria o mesmo erro outra vez, muito menos com a irmã dela.
Com cuidado, ela aproximou-se.
— Renato, o que você está fazendo aqui?
Ele virou o rosto, ignorando-a por completo, e pediu mais uma dose ao barman. Foi só então que Sara o observou melhor. As mãos dele estavam apoiadas no balcão, e os nós dos dedos chamaram sua atenção, inchados e arroxeados, denunciando que havia dado socos com força em algo.
— O que houve? — insistiu, tocando de leve no braço dele.
Renato puxou o braço no mesmo instante.
— Me deixa em paz — pediu, com a voz arrastada.
Ela não se afastou. Ficou ali, em silêncio, observando-o beber mais um gole, sentindo um aperto no peito.
— Você está machucado — disse, baixo. — O que você fez?
Ele soltou um riso curto, amargo.
— O que devia ter feito há muito tempo.
Sara respirou fundo, percebendo que ele já estava em um alto estado de embriaguez.
— Já está quase amanhecendo, vamos para o quarto — pediu.
— Não estou com vontade — rebateu, seco.
— Por favor… — insistiu.
Ela sabia que estava sendo insistente, mas a ideia de deixá-lo sozinho naquele estado a perturbava. Não sabia do que ele seria capaz. Além disso, se alguém do baile o visse daquela forma, rumores errados poderiam surgir a seu respeito.

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