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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 157

~ GEÓRGIA ~

Ficamos sozinhas no corredor do hospital por alguns minutos sem saber muito o que fazer.

Eu não queria voltar para a mansão. Meu lado racional tinha argumentos sólidos para acreditar que eu não estava em perigo, Leonora não tinha motivos para suspeitar que eu sabia de qualquer coisa, e seria difícil demais para ela fazer alguma coisa ali onde facilmente seria a suspeita número um caso eu aparecesse sufocada com um travesseiro. Mas meu lado irracional era mais barulhento do que o racional naquele momento.

E meu lado irracional tinha simplesmente medo. Sem precisar de mais lógica do que isso, sem precisar de argumento, só aquele medo de quem tinha ouvido coisas que não eram para ser ouvidas e que ainda não tinha processado metade delas. E agora estava em um corredor de hospital sem saber se ia para casa ou ficava, enquanto a sensação de que o mundo tinha ficado muito maior do que eu sabia lidar não dava nenhum sinal de diminuir.

— Você pode voltar comigo para o meu apartamento, se quiser. — Alícia disse, quase como se pudesse ler meus pensamentos. — Pode dizer para a sua mãe que vai passar a noite na casa de uma colega de escola, ou...

— Aí estão vocês. Venham comigo.

A voz do meu pai chegou pelo corredor antes que eu tivesse a chance de aceitar o convite de Alícia. Não havia dúvida no tom dele — era uma instrução, não um convite.

Seguimos por alguns corredores até a sala dele no hospital. Entramos, sentamos e ele ficou do outro lado da mesa com uma postura que eu tinha visto a vida inteira — ombros retos, mãos entrelaçadas embaixo do queixo, os olhos que avaliavam antes de qualquer palavra.

— Então, por que não me contam exatamente tudo o que preciso saber, desde o início?

Eu comecei. Contei do mezanino, as partituras que eu nunca cheguei a pegar, o sofá de couro lá embaixo onde as duas se instalaram como se a sala de música fosse delas por direito. Leonora e Genevieve falando como se estivessem discutindo algo mundano quando na verdade estavam combinando um assassinato com a calma de quem planeja um jantar.

O segredo da minha mãe sobre Clarice eu não mencionei. Não era o momento, no meio de tudo, sem preparação. Aquilo ficou guardado em algum lugar dentro de mim onde eu ainda não sabia o que fazer com ele.

Depois foi a Alícia. Ela contou o que aconteceu dentro do quarto, coisas que nem eu sabia ainda com detalhes, só ouvi os barulhos do corredor antes de entrar com o Thomas.

Meu pai permaneceu praticamente imóvel durante os dois relatos. Os olhos iam de uma para outra, de mim para a Alícia e de volta, com a atenção de quem está montando um mosaico em tempo real. Não interrompeu nenhuma vez.

Quando terminamos, o silêncio durou alguns segundos.

— Como ela está? — A Alícia perguntou. — A Genevieve.

— Está viva. — Ele disse, com a objetividade médica que eu reconhecia como a forma do meu pai de dar notícias difíceis sem deixar espaço para drama. — Reanimamos, o coração voltou. Mas houve um período sem oxigênio suficiente para o cérebro. Ainda não sabemos o quanto isso vai deixar de sequela. Nas próximas horas teremos uma ideia melhor.

Alícia suspirou baixinho, aliviada. Eu não saberia bem dizer se por Genevieve estar viva ou por ela não ter se tornado uma assassina, mesmo que sem a intenção de fazê-lo.

Eu já fui mais pratica e logo perguntei:

— Conseguiram pegar algo nas câmeras?

Capítulo 157 1

Capítulo 157 2

Capítulo 157 3

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